As tempestades com raios despontam como uma das maiores preocupações meteorológicas para a Copa do Mundo de 2026, disputada nos Estados Unidos, Canadá e México. Além do calor intenso previsto para várias sedes, as frequentes tempestades de verão na América do Norte têm potencial para provocar atrasos, interrupções prolongadas e até adiamentos de partidas durante o torneio.

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A preocupação não é teórica. A Copa do Mundo de Clubes realizada nos Estados Unidos em 2025 serviu como um grande teste para a FIFA e mostrou como o clima pode interferir diretamente na competição. Diversos jogos sofreram paralisações por causa da ocorrência de raios nas proximidades dos estádios.
O caso mais emblemático ocorreu no confronto entre Chelsea e Benfica, em Charlotte, na Carolina do Norte. A partida foi interrompida aos 86 minutos quando equipamentos de monitoramento detectaram descargas elétricas na região. O jogo ficou paralisado por quase duas horas e só terminou 4 horas e 38 minutos após o apito inicial.
A situação gerou críticas de jogadores, técnicos e torcedores. Mesmo assim, as autoridades deixaram claro que a segurança de atletas e do público tem prioridade absoluta sobre qualquer questão esportiva ou comercial.
Nos Estados Unidos, a FIFA não possui autonomia para definir seus próprios protocolos relacionados a raios e tempestades. A entidade precisa seguir as orientações determinadas pelas autoridades locais e pelos órgãos meteorológicos responsáveis pela segurança pública.
A principal regra estabelece que uma partida deve ser interrompida imediatamente quando um raio é detectado dentro de um raio de 8 milhas, o equivalente a aproximadamente 13 quilômetros do estádio.
O detalhe é que não importa se não está chovendo no local da partida. Também não é necessário que os torcedores consigam enxergar os relâmpagos. Basta que os sistemas de monitoramento detectem atividade elétrica dentro da área de segurança para que o jogo seja suspenso.
Quando isso acontece, todos os jogadores devem deixar o gramado. Os torcedores também precisam abandonar as arquibancadas e procurar abrigo em áreas cobertas e protegidas.
Após a interrupção, inicia-se uma contagem obrigatória de 30 minutos. A partida só pode ser retomada se nenhum novo raio for registrado dentro do limite estabelecido durante esse período. Caso uma nova descarga elétrica seja detectada, o relógio volta imediatamente para 30 minutos. Na prática, isso significa que uma sequência de tempestades pode manter um jogo interrompido por várias horas.
Foi exatamente o que ocorreu em algumas partidas disputadas nos Estados Unidos nos últimos anos. Em competições nacionais e amistosos internacionais, atrasos superiores a duas ou três horas já se tornaram relativamente comuns durante o verão norte-americano.
A Copa do Mundo será disputada justamente no período mais favorável à formação de tempestades severas em várias regiões do continente. Junho e julho correspondem ao auge da temporada de calor e de forte instabilidade atmosférica em muitas áreas dos Estados Unidos.
Cidades como Atlanta, Miami, Boston, Houston, Dallas, Kansas City e Nova Jersey registram regularmente tempestades acompanhadas por raios durante essa época do ano. No México, cidades-sede como Cidade do México e Monterrey também podem enfrentar episódios de instabilidade capazes de afetar a programação dos jogos.
Alguns estádios contam com cobertura fixa ou retrátil, como os de Atlanta, Dallas e Houston. Entretanto, mesmo nesses casos, a presença de um teto não elimina o risco de interrupções. Isso ocorre porque a regra está relacionada à segurança das pessoas nas imediações do estádio e não apenas às condições do gramado. Assim, mesmo que o campo esteja totalmente protegido da chuva, uma partida pode ser suspensa se houver raios nas proximidades.
Outra questão que preocupa a organização envolve os jogos da última rodada da fase de grupos. Tradicionalmente, as duas partidas de cada grupo são realizadas simultaneamente para evitar qualquer vantagem competitiva. Se um dos confrontos for interrompido por uma tempestade, a FIFA poderá enfrentar dificuldades para manter a sincronização dos resultados.
Um jogo que já tenha sido atrasado por várias horas ainda pode precisar de prorrogação e disputa por pênaltis, ampliando ainda mais os desafios logísticos. A FIFA não estabelece um limite máximo de tempo para uma paralisação causada pelo tempo. Cada situação é analisada individualmente. As decisões levam em consideração fatores como a segurança do público, as condições meteorológicas e a capacidade de operação do estádio.
Se a interrupção se prolongar e não houver perspectiva de melhora, a partida pode ser suspensa para ser concluída posteriormente. Nesse cenário, o regulamento determina que o jogo seja retomado exatamente do minuto em que foi interrompido. Se a paralisação ocorrer aos 76 minutos, por exemplo, as equipes retornariam para disputar apenas os 14 minutos restantes.