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Ônibus de turismo danificados são vistos no porto de Casamicciola após fortes chuvas causarem um deslizamento de terra na ilha de Ischia, no Sul da Itália, com mortos e feridos. Equipes de resgate italianas ainda procuram por pessoas desaparecidas na lama na ilha de Ischia. | ELIANO IMPERATO/AFP/METSUL METEOROLOGIA

O governo italiano decretou estado de emergência na ilha de Ísquia, na costa de Nápoles, um dia depois de um deslizamento de terra que causou pelo menos sete mortes e deixou vários desaparecidos. “O balanço de vítimas do deslizamento de Casamicciola subiu para sete mortos e cinco desaparecidos”, disse à noite o delegado do governo em Nápoles, Claudio Palomba.

Um primeiro auxílio emergencial de dois milhões de euros foi desbloqueado, após uma reunião extraordinária do gabinete, necessária para declarar o estado de emergência, disse o ministro da Defesa Civil, Nello Musumeci. A Itália muitas vezes decreta estado de emergência, após terremotos, erupções vulcânicas ou chuvas fortes, porque possibilita um processo acelerado de mobilização de fundos e meios.


Os esforços de resgate foram prejudicados por chuvas e ventos contínuos, que também atrasaram a chegada de balsas com ajuda do continente. O ministro do Interior italiano, Matteo Piantedosi, chamou a situação de “muito grave” e alertou que várias pessoas ainda estavam presas na lama.

A gestão do desastre provocou um tropeço do governo: Piantedosi negou uma declaração do vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, que havia relatado oito mortes na tragédia, explicando que esse saldo não havia sido confirmado.


O deslizamento de terra arrastou árvores e veículos, alguns dos quais chegaram até o mar. A lama “enterrou uma casa” e duas pessoas foram resgatadas de um carro que foi arrastado para o mar, segundo o Corpo de Bombeiros. Pelo menos 30 famílias estão presas em suas casas por causa da lama, sem água ou eletricidade, informou a agência de notícias ANSA.

A estrada que dava acesso ao bairro estava bloqueada por lama e entulhos. Os serviços de resgate planejavam retirar de 150 a 200 pessoas na noite de sábado para que pudessem passar a noite em abrigos temporários. As autoridades pediram aos moradores que permaneçam em suas casas para não atrapalhar o trabalho dos socorristas.

“O trabalho de resgate ainda é complexo devido às condições meteorológicas”, de acordo com o departamento de proteção civil. No entanto, as operações continuaram durante toda a noite graças ao uso de lanternas e projetores.

“É uma situação que nos machuca pelas pessoas desaparecidas. Esta é uma ilha e, embora nem todos nos conheçamos, é quase assim, nos conhecemos pelo menos de vista”, disse Salvatore Lorini, 45 anos, um morador de Ísquia, onde nasceu.

“Uma montanha veio abaixo, houve uma devastação de lojas, carros, um hotel… e isso já aconteceu há nove anos. Agora estou limpando a loja da minha avó”, explicou. Esse deslizamento foi causado pela falta de manutenção e prevenção “porque natureza é natureza, houve um terremoto, mas um pouco de prevenção” poderia ter salvado vidas, acredita Lorini.

Este morador quer instalar um sistema semelhante às boias que avisam sobre a chegada de um tsunami. “Honestamente, se pudesse, deixaria Casamicciola porque agora é difícil viver aqui, embora minha casa tenha sobrevivido a um terremoto, a inundações”, disse Iacono Maria, 64 anos, à AFP-TV.

“Me sinto próximo da população da ilha de Ísquia, afetada por uma inundação. Rezo pelas vítimas, pelos que sofrem e por todos os que trabalham no resgate”, declarou o papa Francisco após a oração do Angelus.

“Em Ísquia há uma urbanização que atingiu e devastou todo o território”, comentou Tommaso Moramarco, diretor do Instituto de Busca e Proteção Hidrogeológica, à agência AGI. “Quando a ilha entrou no período do turismo maciço, o crescimento da infraestrutura foi exponencial, esmagando todos os elementos naturais do território e cobrindo tudo com cimento”, denunciou o geólogo Mario Tozzi nas páginas do La Stampa, lembrando a existência de dezenas de milhares de construções abusivas em Ísquia.

Casamicciola Terme, uma cidade turística de 8.000 habitantes na ilha de Ischia, já registrou um terremoto em 2017 que causou duas mortes. No final do século XIX, um terremoto muito mais forte destruiu totalmente a cidade. A tragédia de sábado ocorre semanas depois que 11 pessoas foram mortas por chuvas torrenciais que atingiram o centro-leste da Itália.

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