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O fenômeno El Niño seguia com forte intensidade no Oceano Pacífico no final de janeiro, mostram dados da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos. Embora ainda forte, o período de maior intensidade do fenômeno começa a ficar para trás.

El Niño segue com forte intensidade nesta metade do verão | BOM

O último boletim semanal sobre o estado do Pacífico, publicado pela NOAA no começo desta semana, indicou que a anomalia de temperatura da superfície do mar era de 1,8ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste.


Esta região é a usada oficialmente na Meteorologia como referência para definir se há El Niño e ainda avaliar qual a sua intensidade. O valor positivo de 1,8ºC está na faixa de El Niño forte (+1,5ºC a +1,9ºC).

A denominada região Niño 3.4 teve a maior anomalia semanal neste evento na semana de 22 de novembro com 2,1ºC, mantendo-se perto ou ao redor de 2ºC durante todo o mês de dezembro e grande parte de janeiro.


Por outro lado, a região Niño 1+2, está com anomalia de +1,0ºC. O El Niño costeiro junto aos litorais do Peru e Equador teve início no mês de fevereiro do ano passado e atingiu o seu máximo de intensidade durante o inverno. A maior anomalia de El Niño costeiro na região Niño 1+2 neste ano se deu na semana de 19 de julho com 3,5º C.

O fato de o El Niño ainda estar forte não significa que o máximo dos seus efeitos ocorra nesta época do ano, tanto que algumas áreas do Rio Grande do Sul se ressentem de um período de chuva mais escassa. No caso do Sul do Brasil, por exemplo, os seus efeitos são maiores na chuva com excessos na primavera do primeiro ano do evento e no outono do ano seguinte ao começo do fenômeno.

El Niño chega ao fim no outono

O último boletim mensal de probabilidades do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS), dos Estados Unidos, indica que o El Niño deve seguir atuando por mais algumas semanas com uma transição para neutralidade (ausência de El Niño e La Niña) durante o nosso outono. O processo gradual de enfraquecimento do fenômeno já teve início e deve acelerar ao longo de fevereiro e março.

Conforme as probabilidades estimadas pelo NWS, neste trimestre de janeiro a março a probabilidade é de 100% de El Niño. No trimestre de fevereiro a abril, o órgão da NOAA indica 94% de probabilidade de El Niño, 6% de neutralidade e 0% de La Niña. Para o trimestre de março a maio, o do outono meteorológico, 53% de El Niño, 47% de neutralidade e 0% de La Niña.

El Niño deve chegar ao fim no outono com transição para neutralidade no Pacífico | NOAA

Para o trimestre abril a junho, 20% de probabilidade de El Niño, 73% de neutralidade e 7% de La Niña. No trimestre de maio a julho, segundo as estimativas oficiais do centro de clima dos Estados Unidos, as probabilidades seriam de 10% de El Niño, 63% de neutralidade e 27% de La Niña.

No trimestre do nosso inverno meteorológico, de junho a agosto, 7% de El Niño, 46% de neutralidade e 47% de La Niña. No trimestre de julho a setembro, a estimativa norte-americana é de 6% de El Niño, 36% de neutralidade e 58% de La Niña.

Por sua vez, no trimestre de agosto a outubro, que marca a transição do final do inverno para o começo da primavera no Hemisfério Sul, a NOAA projeta 6% de El Niño, 30% de neutralidade e 64% de La Niña, ou seja, ou o Pacífico já estará sob La Niña ou numa neutralidade com anomalias negativas.

Embora um evento de La Niña canônico, que se mede no Pacífico Central, não se preveja antes do final do outono ou do inverno, um La Niña costeiro nas costas do Peru e do Equador pode se instalar antes, com resfriamento das águas junto à costa da América do Sul na faixa equatorial, ainda no outono.

O que é El Niño

Um evento do fenômeno ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quente do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região. A condição oposta é chamada de La Niña. Durante esta fase, a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes. Os episódios de El Niño, normalmente, ocorrem a cada 3 a 5 anos.

El Niño, La Niña e neutralidade trazem consequências para pessoas e ecossistemas em todo o mundo. As interações entre o oceano e a atmosfera alteram o clima em todo o planeta e podem resultar em tempestades severas ou clima ameno, seca ou inundações. Tais alterações no clima podem produzir resultados secundários que influenciam a oferta e os preços de alimentos, incêndios florestais e ainda criam consequências econômicas e políticas adicionais. Fomes e conflitos políticos podem resultar dessas condições ambientais mais extremas.

Ecossistemas e comunidades humanas podem ser afetados positiva ou negativamente. No Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes. Historicamente, as melhores safras agrícolas no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña. O aquecimento do Pacífico, historicamente, agrava o risco de seca no Norte e no Nordeste do Brasil enquanto La Niña traz mais chuva para estas regiões.

A origem do nome do fenômeno data de 1800, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul notavam que uma corrente oceânica quente aparecia a cada poucos anos. A captura de peixes caía drasticamente na região, afetando negativamente o abastecimento de alimentos e a subsistência das comunidades costeiras do Peru. A água mais quente no litoral coincidia com a época do Natal.

Referindo-se ao nascimento de Cristo, os pescadores peruanos, então, chamaram as águas quentes do oceano de El Niño, que significa “o menino” em espanhol. A pesca nesta região é melhor durante os anos de La Niña, quando a ressurgência da água fria do oceano traz nutrientes ricos vindos do oceano profundo, resultando em um aumento no número de peixes capturados.

O último episódio intensi de aquecimento se deu entre 2015 e 2016 e foi de muito forte intensidade, o que rendeu a expressão Super El Niño e o apelido de “El Niño Godzilla”. Este evento foi responsável por grandes enchentes no Sul do Brasil e alguns dos maiores picos de cheia do Lago Guaíba, em Porto Alegre, desde 1941.

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