O episódio atual episódio do El Niño acaba de completar 150 dias consecutivos de recordes de temperatura da superfície do mar na região do Pacífico Equatorial utilizada para monitorar o fenômeno e denominada de Niño 3.4.

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O aquecimento oceânico excepcional está associado a condições meteorológicas extremas em países da costa Oeste da América do Sul e aumenta a preocupação com os impactos climáticos nos próximos meses.
A temperatura média da água nesta área do Pacífico chegou a 30,2°C, enquanto alguns pontos alcançaram até absurdos 31,6°C. Antes deste ano, o maior registro citado era de aproximadamente 29,8°C, estabelecido em 2015.
A sequência prolongada de recordes impressiona os cientistas do clima. O fenômeno, entretanto, vai muito além dos números registrados no oceano. O aquecimento das águas modifica a transferência de calor e umidade para a atmosfera e pode alterar os padrões de circulação atmosférica, favorecendo episódios de chuva extrema em determinadas regiões.
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Os efeitos, como já destacado pela MetSul, já são expressivos no Equador. Em Guayaquil, quase 508 mm de chuva foram registrados até agora em outubro. O volume representa aproximadamente cem vezes a média mensal, de apenas 5 mm, e corresponde a cerca de 43% da precipitação média anual da cidade.
Quito também enfrentou inundações severas após tempestades recentes, enquanto precipitações torrenciais provocaram deslizamentos de terra em Santiago, capital do Chile.
No Peru, a preocupação aumenta com a aproximação da estação chuvosa neste fim de ano. A temperatura do oceano junto à costa peruana chegou a ficar até 9,4°C acima da média.
Impactos ao redor do mundo
A MetSul Meteorologia acompanha a evolução do El Niño e destaca que a influência do fenômeno não se limita à costa do Pacífico da América do Sul. Ao modificar a circulação atmosférica em escala planetária, o aquecimento equatorial pode alterar os padrões de chuva e temperatura em diferentes continentes. Os efeitos, porém, variam conforme a estação do ano e a interação com outros fatores climáticos.
No Brasil, episódios de El Niño traz chuvas volumosas no Sul, neste ano especialmente no estado do Paraná, onde temporais e precipitações persistentes trouxeram enchentes e inundações. Na região amazônica, o fenômeno causa no momento estiagem.
Condições atuais do El Niño
De acordo com o último boletim semanal da NOAA, a anomalia de temperatura da superfície do mar está em +3,4ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global, conforme o índice ONI.
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A anomalia de temperatura da superfície do mar de +3,4ºC na Região Niño 3.4 é a mais alta até o momento neste evento do fenômeno e 0,1ºC maior que a informada no boletim da semana que passou. O valor supera em 0,4ºC o recorde do Super El Niño de 2015.
O valor, pelo índice tradicional, corresponde a um El Niño muito intenso. Anomalias nesta área do Pacífico que sejam iguais ou superiores a +2ºC estão na categoria e muito forte, popularmente conhecida como Super El Niño. Também pelo RONI, a anomalia está na categoria de Super El Niño.
A NOAA passou a utilizar neste ano um segundo índice, chamado de Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que faz uma compensação com o aquecimento dos oceanos tropicais, e que mostra hoje uma anomalia na Região Niño 3.4 de +2,5ºC, na categoria de El Niño muito forte.
Já na chamada Região Niño 1+2, que mede as anomalias de temperatura da superfície do mar juntos aos litorais do Peru e do Equador, o desvio hoje da média chega a +5,2ºC, o que configura um El Niño Costeiro de excepcional intensidade.