Quatro pessoas morreram, duas estão desaparecidas e cerca de 32 mil foram afetadas pelas chuvas dos últimos dias associadas ao El Niño no Equador. Inundações, transbordamentos de rios e deslizamentos atingiram 23 das 24 províncias do país, danificaram 7.777 imóveis e destruíram outros 20, segundo balanços oficiais divulgados em 27 de outubro.

Inundações pelo El Niño no Equador

Pessoas caminham por áreas alagadas após fortes chuvas no norte de Guayaquil | MARCOS PIN/AFP/METSUL

A emergência se agravou nos últimos dias, especialmente na região costeira, onde temporais provocaram alagamentos generalizados, interromperam deslocamentos e mobilizaram equipes de resgate. As autoridades mantêm o alerta vermelho nacional e preveem novas precipitações intensas, acompanhadas de tempestades elétricas e rajadas de vento.

Guayaquil, principal cidade da província de Guayas, enfrentou um dos episódios mais graves na segunda-feira (26). As chuvas torrenciais inundaram aproximadamente 42 setores, comprometeram o trânsito e dificultaram a circulação de moradores em diferentes bairros.

Em algumas áreas, a água ultrapassou a cintura de pessoas que tentavam chegar às próprias casas. A inundação também atingiu avenidas movimentadas, provocando congestionamentos e dificultando o deslocamento de veículos e equipes de emergência.

O Comitê de Operações de Emergência confirmou que uma das mortes ocorreu após um jovem de 18 anos entrar em um canal para tentar resgatar uma criança durante as fortes chuvas em Guayaquil.

Alguns voos com destino à cidade precisaram ser desviados temporariamente devido às condições meteorológicas. O Ministério da Educação também modificou horários escolares, enquanto equipes municipais atenderam chamados relacionados aos alagamentos.

A situação não se restringe à maior cidade equatoriana. As províncias de Guayas, Los Ríos, Santa Elena, El Oro e Esmeraldas registraram impactos importantes, incluindo transbordamentos de rios, inundações e danos à infraestrutura.

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A Secretaria Nacional de Gestão de Riscos informou que 15 rios estavam transbordados na manhã de terça-feira. Os registros abrangiam diferentes províncias, evidenciando a abrangência territorial dos impactos provocados pelas precipitações.

O balanço oficial também contabilizava 2.258 pessoas desabrigadas ou com necessidade de assistência emergencial, além de milhares de imóveis afetados. Desde o fim de agosto, aproximadamente 760 eventos adversos relacionados às chuvas foram registrados.

Além das inundações costeiras, outras regiões enfrentaram ocorrências meteorológicas distintas. Nas províncias andinas de Azuay e Tungurahua, foram registrados incêndios florestais, enquanto ventos intensos provocaram destroços e quedas de árvores em Morona Santiago.

Chuvas extremas ampliam os danos e mobilizam autoridades

Os dados da Secretaria Nacional de Gestão de Riscos indicam que as inundações representam a maior parcela das ocorrências registradas, seguidas pelos deslizamentos. A combinação de chuva persistente e terrenos vulneráveis amplia os riscos para comunidades expostas.

Em algumas localidades, os acumulados pluviométricos alcançaram valores muito superiores aos padrões climatológicos habituais para outubro. Na estação meteorológica de Milagro, em Guayas, foram registrados 195,9 milímetros até 20 de outubro.

O volume contrasta com a normal climatológica mensal de 4,2 milímetros citada para a estação, equivalendo a aproximadamente 46 vezes esse valor. A comparação evidencia uma anomalia expressiva, embora restrita àquela localidade e período.

Foto da chuva pelo El Niño em Guayaquil

Caminhão é abandonado em área alagada após fortes chuvas no norte de Guayaquil | MARCOS PIN/AFP/METSUL

Homem caminha por área alagada após fortes chuvas no Norte de Guayaquil

Homem caminha por área alagada após fortes chuvas no Norte de Guayaquil | MARCOS PIN/AFP/METSUL

A situação preocupa porque as chuvas estão ocorrendo antes do período tradicionalmente mais chuvoso na costa equatoriana, geralmente concentrado entre janeiro e abril. O cenário aumenta a atenção sobre a evolução das condições oceânicas e atmosféricas.

A Secretaria Nacional de Gestão de Riscos estima que mais de 1,3 milhão de pessoas possam ficar expostas aos efeitos do fenômeno. Desse total, 145.523 poderiam sofrer impactos graves, conforme projeções preventivas, e não como vítimas já contabilizadas.

O governo equatoriano prevê aproximadamente 650 milhões de dólares para ações de prevenção, redução de riscos e resposta à emergência. O orçamento reúne recursos de diferentes instituições para enfrentar os efeitos do El Niño.

El Niño mantém previsão de novas chuvas intensas

A chamada Região Niño 1+2, que mede as anomalias de temperatura da superfície do mar juntos aos litorais do Peru e do Equador, tem desvio hoje da média que chega a +5,2ºC, o que configura um El Niño Costeiro de excepcional intensidade.

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O Instituto Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Equador (Inamhi) prevê a continuidade das precipitações intensas, tempestades elétricas e rajadas de vento na região Litoral, mantendo o alerta para novas emergências nos próximos dias.

A previsão indica atenção especial para Esmeraldas, Santo Domingo de los Tsáchilas, Los Ríos, Manabí, Guayas, Santa Elena, Pichincha, Bolívar, Loja e Galápagos. A distribuição e a intensidade das chuvas poderão variar entre localidades.

Segundo o Inamhi, a situação está associada a diferentes mecanismos atmosféricos, incluindo ondas equatoriais, convergência de ventos em baixos níveis e divergência em altitude, além da disponibilidade elevada de umidade na atmosfera.

Equatoriano caminha por área alagada após fortes chuvas no Norte de Guayaquil

Equatoriano caminha por área alagada após fortes chuvas no Norte de Guayaquil | MARCOS PIN/AFP/METSUL

As temperaturas elevadas da superfície do mar também aparecem entre os fatores relacionados ao cenário atual. O aquecimento do Pacífico equatorial associado ao El Niño pode modificar a circulação atmosférica e favorecer condições propícias a chuvas intensas.

O Inamhi prevê condições potencialmente semelhantes às observadas em 26 de outubro para os dias 29 e 30. A perspectiva mantém a preocupação com novos alagamentos, elevação dos rios e dificuldades de deslocamento nas áreas vulneráveis.

Outro fator importante é a coincidência entre precipitações intensas e marés elevadas, situação que pode dificultar o escoamento das águas em áreas costeiras. Em Guayaquil, essa combinação contribuiu para agravar os alagamentos recentes.

As autoridades continuam monitorando os rios, atualizando os balanços de danos e orientando a população a acompanhar os avisos oficiais. A possibilidade de novas tempestades mantém elevado o risco para comunidades já atingidas pelas inundações.