Os impactos do El Niño persistem no Centro-Sul do Brasil com chuva acima a muito acima da média em alguns estados nesta primavera e com perspectiva de a tendência seguir com sinal de precipitação superior à climatologia em áreas entre o Centro-Oeste, Sul e o Sudeste.

NASA
De acordo com o último boletim semanal da agência, divulgado ontem, a anomalia de temperatura da superfície do mar era de +3,4ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global, conforme o índice ONI.
A anomalia de temperatura da superfície do mar de +3,4ºC na Região Niño 3.4 é a mais alta até o momento neste evento do fenômeno e 0,1ºC maior que a informada no boletim da semana que passou.
O valor, pelo índice tradicional, corresponde a um El Niño muito intenso. Anomalias nesta área do Pacífico que sejam iguais ou superiores a +2ºC estão na categoria e muito forte, popularmente conhecida como Super El Niño. Também pelo RONI, a anomalia está na categoria de Super El Niño.
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A NOAA passou a utilizar neste ano um segundo índice, chamado de Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), que faz uma compensação com o aquecimento dos oceanos tropicais, e que mostra hoje uma anomalia na Região Niño 3.4 de +2,5ºC, na categoria de El Niño muito forte.
Já na chamada Região Niño 1+2, que mede as anomalias de temperatura da superfície do mar juntos aos litorais do Peru e do Equador, o desvio hoje da média chega a +5,2ºC, o que configura um El Niño Costeiro de excepcional intensidade.
Em outras palavras, nunca se observou um El Niño tão intenso nesta época do ano e os seus efeitos no Centro-Sul do Brasil se manifestam principalmente na forma de chuva excessiva e maior frequência de temporais, o que ficará bastante evidente com o que vai ocorrer nas próximas semanas.
Onde o El Niño vai impactar mais no Brasil nas próximas semanas
Dados analisados pela MetSul Meteorologia indicam que os impactos do fenômeno El Niño podem ser significativos nas próximas semanas numa extensa área entre o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do Brasil com chuva volumosa a excessiva e alta frequência de temporais.
O mapa abaixo mostra a projeção de anomalia de chuva (desvio da média e não totais de precipitação) até 10 de dezembro do modelo ensemble europeu para os estados do Centro-Sul do Brasil.

METSUL
Como se observa pela projeção, a chuva deve ficar acima a muitíssimo acima da média numa área bastante extensa que inclui o Mato Grosso do Sul, parte de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul, especialmente o Noroeste e o Norte do estado gaúcho. O indicativo do modelo de excesso de chuva no estado Mato Grosso é considerado por nós duvidoso, da mesma forma que acreditamos choverá mais do que o indicado pela projeção em Minas Gerais.
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Os volumes acumulados entre o Oeste do Paraná, Oeste catarinense e o Noroeste do Rio Grande do Sul tendem a ser particularmente altos a muito altos, da ordem de 300 mm a 500 mm nos próximos 30 a 45 dias, o que deve trazer mais inundações e cheias de rios como o Uruguai, Paraná e o Iguaçu.
Norte seguirá com chuva abaixo de média
O El Niño seguirá contribuindo nas próximas semanas para agravar o cenário de estiagem no Norte do Brasil, com redução das chuvas e temperaturas acima da média histórica, aumentando a perda de água por evaporação.
O quadro exige atenção especial no Leste do Amazonas, Roraima, Pará, Acre e Rondônia. Os dados indicam que nestas áreas a precipitação deve continuar abaixo a muito abaixo da média, o que manterá os níveis dos rios baixos e seguirá comprometendo a navegação e o abastecimento de água em comunidades ribeirinhas.
Os efeitos, no entanto, não são uniformes em toda a Região Norte. Enquanto muitas áreas sofrem com déficit de chuva, a precipitação tende a aumentar gradualmente em pontos mais ao Oeste do Amazonas e no Amapá.