A MetSul Meteorologia alerta que o episódio histórico do El Niño de 2026-2027 está muito perto de atingir intensidade recorde e jamais observada em décadas de registros modernos à medida que o fenômeno segue em intensificação acelerada no Oceano Pacífico Equatorial.

Mapa do El Niño hoje

NASA

De acordo com o mais recente informe semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência de tempo e clima do governo dos Estados Unidos, a anomalia pelo índice tradicional ONI na chamada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste, está em +2,6ºC (El Niño muito forte ou Super El Niño).

Este é o maior valor semanal observado pelo índice ONI desde o começo do evento do El Niño e o mais alto numa semana nesta parte do Pacífico desde novembro de 201, no Super El Niño de 2015-2016.

A NOAA passou a utilizar neste ano um novo índice para monitorar o Pacifico chamado de relativo ou RONI. Por este índice, a anomalia na chamada Região Niño 3.4 atualmente está em +1,8ºC (El Niño forte).

Considerando este novo índice adotado pela agência de clima norte-americana, a anomalia atual é a maior desde fevereiro de 2015, quando do episódio do Super El Niño de 2015-2016.

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A diferença principal é que o ONI (Oceanic Niño Index) mede a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 em relação à média climatológica, enquanto o RONI (Relative Oceanic Niño Index) faz um ajuste para descontar o aquecimento ou resfriamento que está ocorrendo de forma mais ampla nos trópicos: ele pega a anomalia do Niño 3.4 e subtrai a anomalia média das águas tropicais entre 20°S e 20°N.

Assim, o ONI pode registrar uma temperatura mais alta simplesmente porque o oceano tropical como um todo está mais quente, enquanto o RONI procura identificar quanto o Pacífico equatorial está mais quente ou mais frio em relação ao restante dos trópicos, reduzindo a influência do aquecimento global e tornando a comparação entre diferentes épocas mais consistente.

El Niño perto de atingir maior intensidade em décadas

Uma vez que o índice tradicional ONI já chega neste momento a +2,6ºC, o valor supera os picos dos principais eventos de El Niño das últimas décadas e aproxima do recorde histórico, apenas 0,4ºC abaixo do máximo observado.

Levantamento da MetSul Meteorologia com base em dados semanais da NOAA e calculados pelo método ONI (Oceanic Niño Index) mostra que o maior valor de anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 entre os episódios de Super El Niño foi registrado no evento de Super El Niño 2015-2016, quando a anomalia semanal alcançou 3,0°C na semana de 18 de novembro de 2015.

O segundo maior pico de anomalia positiva na chamada Região Niño 3.4 pela série histórica do ONI da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera ocorreu durante o Super El Niño de 1982-1983, com registro de 2,6°C na semana de 29 de dezembro de 1982.

O evento de 1997-1998, apesar de ser considerado um dos mais poderosos já observados no século passado pelos seus enormes impactos globais, atingiu um máximo semanal de 2,3°C pela série histórica da NOAA, registrado nas semanas de 17 de dezembro de 1997 e 4 de fevereiro de 1998.

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Já o Super El Niño de 2023-2024, que favorece a maior enchente da história do Rio Grande do Sul, apresentou uma anomalia semanal máxima de 2,1°C na semana de 22 de novembro de 2023, valor inferior ao dos três grandes episódios anteriores, mas ainda suficiente para colocá-lo entre os mais intensos da série histórica da NOAA.

Fenômeno em intensificação sem precedentes

O fenômeno continua ganhando força em ritmo sem precedentes, com anomalias de temperatura da superfície do mar na região Niño 1+2, junto aos litorais do Peru e do Equador, superando agora marcas extraordinárias.

O aquecimento abaixo da superfície também atingiu um recorde histórico, alcançando 10,7°C acima da média, em sinal de uma quantidade excepcional de energia acumulada no oceano Pacífico tropical excepcionalmente aquecido.

Mapas de altura do mar do satélite Sentinel-6 mostram elevação contínua no Pacífico Central e Leste, reflexo da gigantesca onda de Kelvin oceânica que avança rapidamente para Leste, pelo oceano, e que vai intensificar ainda mais o El Niño nos próximos meses.

As projeções dos modelos mensais atualizadas no começo de agosto intensificaram ainda mais o El Niño no pico previsto para o fim do ano e, com base em dados atuais, é provável que os modelos poderão elevar ainda mais o pico do El Niño em suas saídas no começo de setembro.