O El Niño Costeiro, que se define pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico nas costas do Peru e do Equador, atinge intensidade extraordinária neste começo de novembro com anomalias de temperatura da superfície do mar jamais observadas nos registros modernos na região.

El Niño Costeiro é extraordinário nos litorais do Peru e Equador | NOAA
De acordo com dados divulgados na segunda-feira (2) pela Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, a NOAA, a agência de clima do governo dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar atinge +5,4ºC na chamada região Niño 1+2, considerando o índice tradicional de monitoramento ONI (Índice Oceânico Niño).
Esta região Niño 1+2 é utilizada para monitorar o chamado El Niño Costeiro ao medir as anomalias de temperatura da superfície do mar juntos aos litorais do Peru e do Equador, onde ocorre o fenômeno, que é diferente da forma clássica do El Niño de reflexos em escala global.
Jamais se observou nos tempos modernos esta área do Pacífico com temperatura tão acima da média. No Super El Niño de 1982-1983, o maior valor semanal na Região Niño 1+2 foi de +4,2ºC na semana de 29 de junho de 1983. No grande evento de 1997-1998, o maior registro semanal foi de +4,0ºC, na semana de 13 de agosto de 1997.
No episódio de 2015-2016, anomalia de +2,7ºC, na semana de 15 de julho de 2015. No El Niño de 2023-2024, o pico de anomalia na Niño 1+2 foi de 3,4ºC, na semana de 2 de agosto de 2023.
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Considerando o novo índice de monitoramento, que faz um ajuste pelo aquecimento do planeta e é chamado Índice Oceânico Niño Relativo (RONI), o aquecimento nos litorais do Peru e do Equador igualou agora o recorde de +4,6ºC, na semana de 29 de junho de 1983.
JAMAIS SE VIU ANOMALIA ACIMA DE 5ºC NAS REGIÕES NIÑO
As chamadas regiões Niño são áreas definidas do Oceano Pacífico na faixa equatorial usadas pelos meteorologistas para acompanhar o aquecimento ou o resfriamento das águas. São chamadas de Niño 1+2, Niño 3, Niño 3.4 e Niño 4 e ficam distribuídas do litoral da América do Sul em direção ao Pacífico Central.
A região Niño 1+2 fica mais próxima da costa do Peru e do Equador, enquanto a Niño 4 está mais distante, no Pacífico Oeste. Entre elas, a Niño 3.4 é a mais importante e usada para definir se atuam os fenômenos El Niño e La Niña na sua forma clássica.
Jamais nos registros modernos, pelo índice ONI, havia se observado uma anomalia de +5ºC ou mais em qualquer das chamadas regiões Niño, o que torna o dado divulgado hoje de uma anomalia de +5,4ºC na Região Niño 1+2 nada menos que extraordinário e histórico.
El Niño costeiro traz impactos no Peru e Equador
O episódio de El Niño Costeiro extraordinário produz impactos expressivos no Oeste da América do Sul. Chuvas torrenciais atingiram o Equador e o Norte do Peru, provocando inundações, alagamentos, transbordamentos de rios e mobilização de equipes de emergência.
No Equador, a cidade de Guayaquil voltou a enfrentar graves alagamentos. Pelo menos 83 setores da cidade foram atingidos por inundações, com interrupção do fornecimento de energia elétrica em diferentes áreas.
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A situação também é preocupante no arquipélago de Galápagos. Na ilha de Santa Cruz, as chuvas torrenciais provocaram inundações em Puerto Ayora, deixando mais de 2 mil pessoas afetadas e causando uma morte. O governo equatoriano mobilizou ajuda humanitária, enquanto pontos turísticos foram temporariamente fechados por precaução.
No Peru, as precipitações intensas atingiram principalmente as regiões de Tumbes e Piura, próximas à fronteira com o Equador. Em Tumbes, o rio de mesmo nome alcançou uma vazão de 1.021 metros cúbicos por segundo na segunda-feira (2), mobilizando equipes de resgate e militares para atender áreas urbanas inundadas.
O que é o El Niño Costeiro e como se diferencia do clássico
O El Niño costeiro, é evento oceânico-atmosférico que consiste no aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico equatorial nas proximidades das costas sul-americanas, que implica que afeta o clima de países como Peru, Equador e às vezes no Chile. É um fenômeno local que não afeta todo o clima mundial.

METSUL
É diferente do El Niño na sua forma clássica ou canônica, que é fenômeno climático global de maior dimensão e que consiste no aquecimento anômalo do Pacífico Central e Leste na zona equatorial. Este El Niño clássico é que pode se instalar nos próximos meses. O que agora se instala na costa peruana é o El Niño local.
Uma vez que tanto o El Niño de impacto global como o El Niño costeiro se dão em seu litoral, o Peru sofre muito com o aquecimento anômalo das águas em sua costa. Por esta razão, os dois fenômenos causam muita apreensão entre os peruanos. O Peru sofreu com chuvas e huaicos (deslizamentos) nos últimos dias com escala em algumas áreas que não se via desde o Super El Niño clássico de 1997/1998 e o intenso El Niño costeiro de 2017.