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El Niño Costeiro junto ao Oeste da América do Sul se intensificou neste mês de maio e já atinge forte intensidade junto aos litorais do Peru e do Equador, com tendência de as águas aquecerem ainda mais nas próximas semanas, de acordo com as projeções da MetSul Meteorologia.

Mapa de El Niño Costeiro

Aquecimento é intenso no Pacifico Equatorial Leste perto da América do Sul com a caracterização de um El Niño Costeiro muito forte | NASA

O El Niño Costeiro ocorre numa região da faixa equatorial do Oceano Pacífico junto ao Peru e ao Equador, numa região denominada no sistema de monitoramento do oceano de Niño 1+2. É uma área pequena na comparação com outros setores de monitoramento do Pacífico Equatorial.

Atualmente, conforme dados publicados ontem pela agência governamental de tempo e clima dos Estados Unidos (NOAA), a anomalia de temperatura da superfície do mar na chamada Região Niño 1+2 está em +2,1ºC pelo sistema tradicional de acompanhamento (ONI), anomalia consistente com El Nino Costeiro de intensidade muito forte, e +1,3ºC pelo novo método de monitoramento (RONI), anomalia de intensidade moderada.

Por que a diferença? O ONI (Oceanic Niño Index) e o RONI (Relative Oceanic Niño Index) são indicadores usados para monitorar o fenômeno El Niño, mas com diferenças importantes. O ONI, que era o método usado pela NOAA por anos até o começo de 2026, mede a anomalia da temperatura da superfície do mar comparando os valores observados com uma média climatológica fixa de 30 anos.

Já o RONI usa uma nova metodologia “relativa”, que a NOAA passou a utilizar em 2026, compara os dados com a média da temperatura dos oceanos tropicais globais. Isso permite identificar situações em que o Pacífico está aquecido, mas não necessariamente mais quente do que o restante dos trópicos, algo cada vez mais relevante em um planeta em aquecimento.

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Assim, o ONI (método tradicional) pode indicar El Niño enquanto o RONI (método novo) aponta um evento mais fraco, oferecendo visão complementar sobre a real influência do Pacífico no clima global. Por isso, os valores pelo critério ONI são mais altos.

A anomalia semanal informada ontem de +2,1ºC nos litorais do Peru e do Equador pelo indicador ONI é a mais alta nesta parte do Pacífico (região Niño 1+2) desde a semana de 29 de novembro de 2023, no último El Niño. No episódio do fenômeno de 2023-2024, a maior anomalia neste setor mais a Leste do Pacífico foi de +3,5ºC, na semana de 19 de julho de 2023.

O forte aquecimento observado no Pacífico Leste nos últimos dias (a anomalia pelo ONI era de +1,3ºC há um mês) decorrer da chegada de águas muito quentes que avançaram do Pacífico Oeste abaixo da superfície e agora emergem na superfície do Pacífico Leste.

Fique atento que El Niño Costeiro não é o El Niño Clássico

O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, mas pode se manifestar de formas distintas. A principal diferença entre o El Niño clássico, também chamado de canônico, e o El Niño Costeiro está onde ocorre o aquecimento das águas e nos impactos associados.

O El Niño clássico ocorre quando há um aquecimento persistente e de grande escala nas águas do Pacífico Central e Leste, ao longo da faixa equatorial. Esse aquecimento altera de forma significativa a circulação atmosférica tropical, enfraquece os ventos alísios e desloca áreas de chuva para regiões onde normalmente o tempo seria mais seco.

Trata-se de um fenômeno de alcance global, que pode durar vários meses e influenciar o clima em diferentes continentes. No Brasil, por exemplo, o padrão mais comum durante um El Niño clássico é o aumento da chuva no Sul e períodos mais secos em partes do Norte e do Nordeste, além de temperaturas médias mais elevadas.

Já o El Niño Costeiro é evento mais restrito geograficamente. O aquecimento das águas se concentra principalmente junto à costa do Peru e do Equador, sem necessariamente envolver o Pacífico central de forma significativa. Por isso, seus efeitos atmosféricos tendem a ser mais regionais e menos abrangentes globalmente.

Infográfico de El Niño Costeiro

METSUL

Então, de forma simples e para entender, enquanto o El Niño canônico é um fenômeno oceânico-atmosférico de grande escala com repercussões globais e que vai ser declarado agora em junho, o El Niño costeiro começou ainda em fevereiro deste ano e é mais localizado, com efeitos concentrados na costa Oeste da América do Sul e menor influência sobre o clima mundial.

Aquecimento mexe com o clima do Peru em 2026

O fenômeno do El Niño Costero está mudando o clima da costa do Peru neste ano, trazendo temperaturas mais altas e dias ensolarados em pleno outono. Segundo o Senamhi, agência de clima do Peru, cidades como Lima, Tumbes e Piura estão registrando marcas acima da média histórica, com máximas de até 35ºC no Norte peruano. As madrugadas também estão mais quentes do que o habitual, indicando um padrão climático anômalo associado ao aquecimento das águas do Pacífico.

Os meteorologistas locais alertam que o inverno de 2026 deve ser atípico na costa peruana. Em vez do frio mais intenso e da grande quantidade de nevoeiro comuns nesta época do ano, a tendência é de um inverno mais quente, com maior presença de sol e pouca chuva.

Apenas áreas do Norte, como Tumbes e Piura, podem ter episódios isolados de garoa e aumento da umidade. Especialistas explicam que ondas Kelvin quentes previstas para maio e junho ajudam a manter o oceano aquecido e favorecem este cenário.