Jamais se viu um episódio de El Niño tão intenso em julho como agora e aquecimento em níveis recordes para esta época do ano reforça dos indicativos de que este evento do fenômeno de 2026-2027 tem potencial para se transformar no maior da história moderna dos registros.

Mapa do El Niño

El Niño já é muito forte na metade do ano | NOAA

Neste momento, as anomalias de temperatura da superfície do mar na chamada Região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Centro-Leste, a área do oceano designada para afirmar se existe El Niño ou La Niña, já está entre +2,1ºC e +2,2ºC.

São valores condizentes com um Super El Niño, termo informal e não técnico que se usa para identificar um El Niño de intensidade muito forte, ou seja, com anomalias de temperatura da superfície do mar acima de +2ºC na denominada Região Niño 3.4.

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O Pacífico atinge em 2026 o patamar de Super El Niño pela primeira vez desde 2023 ainda no começo deste mês. A última vez em que condições de El Niño muito fortes foram atingidas foi justamente no evento do fenômeno de 2023-2024.

Mas há três anos, no último evento do fenômeno, a intensidade muito forte somente foi alcançada pelo índice ONI de monitoramento na semana de 22 de novembro, ou seja, em 2026 tal nível de aquecimento está ocorrendo quatro meses antes.

Aliás, nos registros modernos do ONI jamais se viu o patamar de Super El Niño ser atingido tão cedo. No evento de 1982-1983, a anomalia de temperatura da superfície do mar apenas alcançou +2ºC na chamada Região Niño 3.4 na semana de 24 de novembro.

No episódio de 1997-1998, a primeira semana com intensidade muito forte só ocorreu em 3 de setembro. E no grande evento de 2015-2015, o patamar de muito forte foi atingido pela primeira vez em 16 de setembro.

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Gráfico do El Niño

El Niño atinge nívieis recordes para julho | BERKELEY EARTH

Dados de modelos de clima que ingressaram ao longo deste mês reforçaram ainda mais o indicativo do que o atual evento do fenômeno tende a ser extremo e com força jamais vista desde o começo dos dados em 1850 no Pacífico.

Utilizando-se do método tradicional de monitoramento chamado de ONI, a mediana dos principais modelos de clima indica uma anomalia de temperatura da superfície do mar de +3,6ºC no fim do ano, muito acima dos 2,75ºC do El Niño mais forte já registrado. Há modelos individuais projetando até +4ºC a +5ºC, o que seria absurdo.

É literalmente a história do clima do planeta sendo reescrita em tempo real. Os próximos meses vão ter, além de um aquecimento planetário muito acentuado, uma sucessão de eventos extremos ao redor do mundo. Aqui no Sul do Brasil, os efeitos serão chuva muitíssimo acima da média com sucessivos eventos de precipitação extrema, numerosas enchentes e algumas grandes, e ainda muitos temporais.