Tempestade severa associada a uma frente fria atingiu o interior de São Paulo neste sexta-feira (24) com destruição, emergência e uma morte. A região de Ribeirão Preto foi a mais castigada com violento vendaval que deixou muitos estragos.

Foto mostra o temporal no interior de São Paulo

Temporal causou destruição em Ribeirão Preto | CLUBE FM

O vendaval, acompanhado por chuva intensa, deixou um morto, feridos, centenas de ocorrências e provocou uma situação de caos que afetou hospitais, escolas, rodovias, abastecimento de água e fornecimento de energia elétrica. Diante da dimensão dos estragos, a Prefeitura de Ribeirão Preto decretou situação de emergência por 180 dias.

O temporal chegou pouco depois das 5h30 da manhã e teve duração de cerca de 30 minutos. Apesar do curto intervalo, a tempestade foi extremamente intensa e concentrada, com chuva torrencial e rajadas de vento que alcançaram valores excepcionais para a região.

A estação meteorológica de Pradópolis, na região metropolitana de Ribeirão Preto, registrou uma rajada máxima de 121 km/h. Trata-se de uma intensidade de vento capaz de provocar danos estruturais significativos, arrancando telhados, derrubando árvores de grande porte e comprometendo edificações.

O impacto foi imediato. Em poucos minutos, dezenas de árvores tombaram sobre ruas, avenidas, residências e a rede elétrica. Fachadas de prédios foram arrancadas, estruturas metálicas desabaram e diversas vias ficaram completamente bloqueadas.

A tragédia mais grave ocorreu no Jardim Salgado Filho, onde um idoso morreu após o desabamento de uma estrutura sobre a casa em que dormia. Outras pessoas ficaram feridas durante a passagem da tempestade, algumas em decorrência de desabamentos e queda de estruturas.

O Corpo de Bombeiros registrou mais de 300 ocorrências nas primeiras horas após o temporal. A maior parte dos chamados envolveu quedas de árvores, destelhamentos, desabamentos, risco estrutural e atendimento a vítimas.

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A cidade amanheceu praticamente paralisada. Pelo menos cinquenta semáforos deixaram de funcionar, provocando congestionamentos e dificultando o deslocamento das equipes de emergência.

A rede hospitalar foi uma das mais atingidas pela tempestade. A Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas sofreu o desabamento de parte do teto da sala de emergência e precisou interromper o recebimento de pacientes.

Com isso, o atendimento de urgência passou a depender de outras unidades da cidade, que também enfrentavam dificuldades provocadas pela falta de energia elétrica e pelos danos estruturais.

A Santa Casa e o Hospital Santa Lydia passaram a operar com geradores. Na Beneficência Portuguesa, exames e procedimentos foram suspensos. Cirurgias eletivas também foram canceladas em diferentes hospitais.

Segundo a prefeitura, restaram apenas 13 leitos disponíveis para atendimento de urgência durante as primeiras horas da crise, situação que levou à adoção de um gabinete especial para coordenar as ações emergenciais.

O fornecimento de energia elétrica também sofreu forte impacto. Além das inúmeras árvores sobre a rede de distribuição, houve falhas em linhas de transmissão que abastecem Ribeirão Preto.

A concessionária informou que três das quatorze subestações responsáveis pelo atendimento da cidade ficaram fora de operação, exigindo a mobilização de equipes de municípios vizinhos para acelerar os reparos.

Sem energia, parte do sistema de abastecimento de água também deixou de funcionar. As bombas dos poços artesianos foram desligadas e cerca de um terço dos aproximadamente 730 mil habitantes ficou sem fornecimento de água. A prefeitura orientou a população a economizar água até a normalização do sistema.

Os prejuízos atingiram também a educação. As aulas foram suspensas em 23 escolas municipais devido aos danos provocados pelo temporal, à falta de energia elétrica e aos riscos representados pelas árvores caídas.

Diversos prédios públicos sofreram danos. O Centro POP, destinado ao atendimento de pessoas em situação de rua, teve parte da estrutura destruída. A Clínica Pública Veterinária também suspendeu os atendimentos.

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O trânsito ficou comprometido em vários pontos da cidade. Árvores bloquearam importantes corredores viários, como as avenidas Nove de Julho, Dom Pedro I, Francisco Junqueira e Caramuru.

Na Avenida Antônio e Helena Zerrener, um centro de treinamento teve parte da estrutura destruída. Em outro ponto da cidade, a fachada de um estabelecimento comercial desabou completamente.

Imagem de satélite do momento do temporal em Ribeirão Preto

Imagem de satélite do momento do temporal em Ribeirão Preto | METSUL

Os reflexos do temporal também foram sentidos em municípios vizinhos. Pradópolis registrou os ventos mais intensos do evento, enquanto Taquaritinga contabilizou queda de árvores, interrupção parcial de energia e danos em residências.

Em Dumont ocorreu interrupção generalizada no fornecimento de energia elétrica e parte da estrutura de uma empresa rural desabou durante a tempestade. Guariba, Barrinha, Sertãozinho e outras cidades da região também registraram destelhamentos, bloqueios de vias e danos provocados pelos ventos.

Na Rodovia SPA-325/322, entre Ribeirão Preto e Sertãozinho, uma árvore caiu sobre a pista, interrompendo o trânsito. Já a Rodovia Tirço Micali, em Taquaritinga, teve bloqueios parciais pelo mesmo motivo.

A combinação de atmosfera muito quente, elevada umidade e a chegada de uma frente fria criou condições favoráveis para tempestades severas capazes de produzir ventos destrutivos. A MetSul Meteorologia havia alertado para o risco de tempo severo no estado de São Paulo nesta quarta-feira por conta da atuação de uma frente fria.

Embora a Prefeitura de Ribeirão Preto tenha citado que o evento tenha relação com o El Niño, o evento foi desencadeado diretamente pela intensa instabilidade associada ao avanço da frente fria sobre o interior paulista, o que pode ocorrer com ou sem El Niño.