Um incomum aluvião atingiu na quinta-feira (8) à tarde a região de Las Condes, no setor Nordeste de Santiago, no Chile, provocando destruição, inundando ruas e deixando pelo menos seis pessoas feridas, entre elas um bebê de um ano, em evento extremo que é atribuído como consequência do El Niño.

Aluvião pelo El Niño em Santiago do Chile

LUCAS AGUAYO ARAOS/ANADOLU/AFP/METSUL

O fenômeno foi causado por chuvas intensas que atingiram a Região Metropolitana da capital chilena, onde vivem cerca de 7 milhões de pessoas. A enxurrada carregou dezenas de veículos, arrastados pela força da água e soterrados em meio a lama, pedras e detritos.

Em alguns pontos, a camada de barro ultrapassou um metro de altura, invadindo residências, bloqueando vias e dificultando o deslocamento de moradores e equipes de emergência.

O delegado presidencial de Santiago, Germán Codina, informou que seis pessoas ficaram feridas, incluindo uma criança de um ano que sofreu uma fratura. Bombeiros foram mobilizados para resgatar pessoas presas em automóveis e residências, além de atender ocorrências em uma universidade que ficou isolada pela inundação.

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Diante da dimensão dos estragos, o presidente chileno, José Antonio Kast, anunciou que determinou a decretação de zona de catástrofe para a comuna de Las Condes, com o objetivo de mobilizar recursos e ampliar a resposta à emergência.

O ministro de Obras Públicas, Louis de Grange, classificou os danos como brutais, destacando a quantidade de veículos destruídos e casas invadidas pela lama. A preocupação também se estendeu à infraestrutura de saúde. Las Condes concentra clínicas privadas e hospitais, alguns dos quais foram afetados pelo temporal.

Região Metropolitana de Santiago registra chuvas intensas acompanhadas de tempestades desde terça-feira. A sequência de precipitações chama a atenção em uma região caracterizada por condições climáticas relativamente secas, especialmente em comparação com áreas mais chuvosas do sul do Chile.

Desastre em Santiago tem as marcas do El Niño

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial e altera os padrões de circulação atmosférica, modificando a distribuição das chuvas em diferentes regiões do planeta.

Na América do Sul, seus efeitos variam conforme a região e a época do ano. No Chile central, determinados episódios podem favorecer condições mais chuvosas, embora a intensidade de um evento isolado dependa de outros fatores meteorológicos.

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O episódio deste ano do El Niño tem trazido grandes volumes de chuva para a parte central do Chile, incluindo Santiago, e foram numerosos os eventos de chuva extrema com inundações que afetaram o país de Sul a Norte desde o final do outono.

Pior cenário desde 1997-1998

Meteorologistas chilenos descrevem os impactos do El Niño neste ano como os piores no país desde o episódio de Super El Niño de 1997-1998, que trouxe muita chuva com desastres no território do Chile.

O episódio de El Niño de 1997-1998 favoreceu a ocorrência de precipitações acima da média durante o inverno e a primavera de 1997. Regiões que incluem Santiago e outras áreas do Chile central registraram chuvas expressivas com impactos sobre rios, encostas, estradas e áreas urbanas. O episódio ficou marcado por inundações, deslizamentos de terra e interrupções na infraestrutura.

Os temporais de 1997 provocaram grave emergência humanitária. Entre o fim de maio e junho, sucessivas frentes de chuva deixaram cerca de 87 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas, das quais aproximadamente 10 mil precisaram ser acolhidas em abrigos. No norte do país, um aluvião em junho, associado a mais de 100 mm de chuva em dois dias, causou sete mortes e grandes prejuízos, especialmente na região de Tierra Amarilla.