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Deu praia na França em plena virada de ano com temperatura extremamente elevada e que quebrou recordes histórico no país | PASCAL POCHARD-CASABIANCA/AFP/METSUL METEOROLOGIA

O começo de 2023 se deu sob uma massa de ar excepcionalmente quente em grande parte da Europa e que foi responsável por temperaturas em algumas cidades que somente se observa no verão, mas que ocorreram em pleno auge do inverno com marcas sem precederes nas séries históricas do mês de janeiro.

As temperaturas no primeiro dia do ano ficaram de 10ºC a 20ºC acima do normal da França ao Oeste da Rússia, derrubando milhares de recordes históricos por largas margens e trazendo máximas tão altas quanto 20ºC ou mais em plena região dos Alpes e no auge do inverno, quando deveria estar nevando e com os termômetros indicando temperaturas abaixo de zero.


O calor extremo do começo de 2023 ocorreu após um ano recorde em muitas partes da Europa e forneceu mais um exemplo de como as mudanças climáticas causadas pelo homem estão aumentando a frequência e a intensidade dos eventos climáticos extraordinários.

No dia de Ano Novo, ao menos sete países tiveram o seu dia de janeiro mais quente já observado com as temperaturas subindo para níveis da primavera e verão. A Letônia atingiu 11,1ºC, a Dinamarca 12,6ºC, a Lituânia 14,6ºC, A Bielorrússia 16,4ºC, a Holanda 16,9ºC, a Polônia 19,0ºC e a República Tcheca 19,6ºC.


Observadores que fazem levantamentos e monitoramentos da temperatura em todo o mundo e que se dedicam a fazer comparações históricas descreveram o período quente na Europa na virada do ano como histórico e que mal podiam acreditar em seu alcance e magnitude. Maximiliano Herrera, um climatologista que rastreia os extremos climáticos globais, chamou o evento de “totalmente insano” e “loucura absoluta” em entrevista ao jornal Washington Post.

Guillaume Séchet, um meteorologista de tevê na França, concordou e escreveu nas redes sociais que o domingo foi um dos dias mais incríveis da história climática da Europa. “A intensidade e extensão do calor na Europa agora é difícil de compreender”, afirmou o britânico Scott Duncan, um meteorologista baseado em Londres.

Os recordes trazidos pela massa de ar quente na Europa na virada e no começo deste ano são notáveis e impressionam, batendo marcas recordes prévias por grandes margens, tal foi o desvio da climatologia histórica.

Na Polônia, estava tão quente que o recorde nacional de alta temperatura de janeiro foi quebrado antes de o sol nascer do sol no dia 1º. A cidade de Gluccholazy estava com 18,7ºC às 4 da manhã, o que é mais quente do que a temperatura mínima média no meio do verão. As temperaturas subiram ainda mais ao longo do dia.

Bilbao, na Espanha, atingiu 25,1ºC, seu dia mais quente de janeiro. Trois-Ville, na França, chegou a 24,9ºC, recorde para o mês. Foi um dos mais de cem recordes estabelecidos em todo o país no domingo, incluindo 24ºC em Dax e 18,6ºC em estações com dados datados de 1800 em Besançon e Châteauroux.

Ohlsbach, na Alemanha, atingiu 19,4ºC que é recorde mensal de máxima na Alemanha. Outros locais, incluindo Berlim a 16ºC também estabeleceram recordes para o mês de janeiro. Berlim esteve entre os lugares que bateram recordes tanto na véspera quanto no dia de ano novo. A máxima de Varsóvia de 19ºC derrubou o recorde anterior de janeiro com margem de 5,1ºC.

Se as temperaturas mais extremas ocorreram no dia de Ano Novo, o tempo excepcionalmente ameno começou ainda na véspera de Ano Novo. Dezenas de recordes diários e mensais caíram no sábado, superando as marcas estabelecidas apenas um ano antes em muitos casos. O serviço meteorológico da República Tcheca publicou que o país registrou sua véspera de Ano Novo mais quente já registrada. Praga, com 247 anos de medições, estabeleceu uma nova máxima mensal de 17,7ºC.

Imagem aérea de ontem mostra turistas em estações de esqui sem neve em Leutasch, na Áustria, devido às altas temperaturas dos últimos dias | DANIEL LIEBL/APA/ZEITUNGSFOTO/AFP/METSUL METEOROLOGIA

A França registrou valores recordes impressionantes no dia 31, como máxima de 24,8ºC em Verdun. O país como um todo teve sua passagem de ano mais quente. Seis dos nove estados federais na montanhosa Áustria tiveram seu dia 31 de dezembro mais quente já registrado. As temperaturas chegaram a 18,3ºC em Aspach.

Luxemburgo estabeleceu um recorde de dezembro para o país com 17,8ºC em Wormeldange. A Bélgica atingiu um recorde de dezembro de 17,5ºC em Diepenbeek. Bad Neuenahr-Ahrweiler superou o recorde de mínima mais alta da Alemanha em dezembro, pois caiu apenas para 15,3ºC no dia 31. Marcas históricas se deram ainda na Hungria, Romênia e Rússia.

O calor excepcional de inverno ocorre logo após 2022 ter sido o ano mais quente até hoje em muitas partes da Europa, inclusive no Reino Unido, Alemanha e Suíça. O calor extremo castigou o continente em ondas de temperaturas extremamente altas agravadas pela pior seca em 60 anos. O Reino Unido teve 40ºC pela primeira vez em sua história.

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