O ciclone extratropical que se formou de ontem para hoje como se esperava provocou chuva excessiva e rajadas de vento forte no Rio Grande do Sul. Os volumes de chuva aumentaram muito a partir do fim da tarde da quinta-feira. As rajadas de forte se deram também entre a noite de quinta e madrugada desta sexta-feira.
As conseqüências do ciclone ainda estão sendo avaliadas, contudo, a projeção dos modelos matemáticos se concretizou com situação mais grave entre a Serra o Litoral Norte e parte da Grande Porto Alegre.
Os volumes de chuva foram excepcionais e em muitas regiões choveu apenas em 1 dia o que deveria chover de um a dois meses inteiros. O curto espaço de tempo em que a chuva excessiva ocorreu explica em parte a dimensão dos danos e a rapidez das inundações no Nordeste gaúcho.
De acordo com os dados da rede do Instituto Nacional de Meteorologia e do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais o maior acumulado de 24 horas (até as 3h desta sexta) foi registrado em Maquiné com 262 mm. Em seguida Bom Princípio registrou 189 mm, Gravataí teve 188 mm, São Leopoldo 182 mm, Itati 175 mm, Alto Feliz 166 mm, Sapucaia do Sul 163 mm, Três Forquilhas 162 mm, São Sebastião do Caí 158 mm.
Em Porto Alegre o maior acumulado em 24 horas ocorreu no bairro Cristal com 105 mm, com 97 mm no bairro São João, Protásio Alves 72mm, Agronomia 63 mm, Cidade Baixa 61 mm. A média histórica do mês de junho é de 130,4 mm. Portanto, o volume de 24 horas ficou perto da média do mês inteiro.
Por outro lado, o ciclone gerou vento moderada a fortes, com picos muitos fortes em todo o Nordeste e Leste do Estado. A maior rajada foi registrada em Tramandaí com 102 km/h às 23h da quinta-feira. A estação do INMET na Zona Sul da capital registrou 77 km/h às 2h. No Jardim Botânico o vento atingiu 66 km/h à 1h00 desta sexta. Em São José dos Ausentes as rajadas chegaram a 71 km/h.
O vento e a chuva forte provocaram deslizamentos de terra, inundações e queda de árvores. Estradas foram bloqueadas em diversos pontos do vale do Paranhana e Litoral Norte por conta de queda de barreiras. https:
🔴 AGORA | Chuva extrema castiga o município de Caraá, Litoral Norte gaúcho, em consequência do ciclone. Trata-se de uma situação muito preocupante por ser área de nascente do Rio dos Sinos. Vídeo do Correio do Imbé. Saiba mais do ciclone em https://t.co/VH3IFBEAli. pic.twitter.com/dbM7FXfFfC
— MetSul Meteorologia (@metsul) June 16, 2023
Vídeo de agora há pouco no Morro do Chapéu, em Três Forquilhas, no litoral norte do RS #ciclone @metsul pic.twitter.com/5mWavO0fuq
— Maicon Bock (@maicon_bock) June 15, 2023
Embora o período crítico em termos de chuva e vento forte tenham passado o cenário é de risco e alerta ainda em partes do Estado. Isso porque seguirá chovendo ao longo desta sexta-feira que terá tempo ventoso. O solo está saturado de água e segue o risco de escorregamentos em trechos de Serra e encostas. Além disso, toda essa água irá escoar pelos rios cujas nascentes estão no Nordeste gaúcho. Há risco de subida de rios e provável cheia.
Nesse interim choveu muito na bacia do Sinos, Taquari e caí. Outros rios e arroios dessas regiões da Serra e Litoral Norte exigem monitoramento e atenção também nas próximas 48 a 72 horas dependendo da área.
O QUE OCORRE COM O CICLONE NAS PRÓXIMAS HORAS
Nas próximas horas desta sexta-feira o ciclone extratropical tende a se afastar, contudo, ainda influencia as condições do tempo na Metade Leste do território gaúcho. Isso porque a rotação do ciclone se afastando da Costa ainda carrega nuvens e chuva na direção do continente. Como resultado ocorrerá alternância entre período de melhoria e chuva, que eventualmente poderá ser forte. Situação típica de ciclone.
Essa condição é típica de ciclones e em muitos casos é comum a formação de arco-íris. No interior, sobretudo, na Metade Oeste do Estado a tendência é de as nuvens se afastarem e o tempo firmar durante a tarde. O ar seco e frio avança na medida em que o ciclone se afasta.
Em contrapartida, o dia será ventoso e ainda há alerta para vento forte na faixa litorânea, notadamente litoral Norte gaúcho e Litoral Sul de Santa Catarina com algumas rajadas ao redor de 80 a 100 km/h, sobretudo, no turno da manhã. O Leste da região metropolitana de Porto Alegre poderá ter rajadas de 50 a 70 km/h.
Posteriormente o mar fica agitado com risco de ressaca marítima, sobretudo, nas praias do Litoral Norte. As ondas podem superar 3 metros de altura próximo as áreas costeiras.
A temperatura sobe gradativamente à tarde com máximas que deverão oscilar de 18 a 20°C no Oeste do Estado. Nos trechos de serra o dia será frio e úmido com máximas que não devem passar de 13°C. Nos Campos de cima da serra a máxima irá oscilar ao redor de 10°C.
No fim de semana o ar seco e frio domina as condições do tempo no Estado com expectativa de sol. No amanhecer a previsão é de frio e marcas baixas de temperatura. O sábado poderá começar com variação de nuvens, especialmente na faixa Leste, mas depois o tempo firma. No domingo o tempo fica ensolarado com frio pela manhã em grande parte das regiões.