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Pinguins de Magalhães migram nesta época do ano para a costa do Sul do Brasil e acabaram sendo vítimas do mar grosso e do vento extremo causado pelo ciclone extratropical em alto mar nos litorais do Sul e do Sudeste | MARTIN BERNETTI/AFP/METSUL METEOROLOGIA

O ciclone extratropical que atingiu o Centro-Sul do Brasil nesta semana deixou uma pessoa morta no Rio de Janeiro e estragos em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e o Rio de Janeiro. Em Santa Catarina, cidades decretaram emergência em consequência dos estragos causados pelo vento acima de 100 km/h e a chuva. No mar, a tragédia foi ecológica.

Com os fortes ventos, quase 600 pinguins foram encontrados mortos no litoral de Santa Catarina, informou o Projeto de Monitoramento de Praia da Bacia de Santos (PMP-BS). O surgimento de animais nas praias brasileiras é mais comum durante a ocorrência de ciclones, como informa o biólogo marinho e coordenador do PMP-BS em Santa Catarina e Paraná, André Barreto.


Mais de 600 animais marinhos foram encontrados sem vida nas praias, de pinguins a gaivotas, e incluindo tartarugas e fragatas, a maior parte em praias de Santa Catarina. Os pinguins-de-Magalhães são frequentemente vistos no litoral catarinense nesta época do ano. Os animais foram os mais afetados pelo ciclone devido ao fato de terem dificuldades especiais em escapar das fortes ondas e ventos, visto que são aves que não voam, e respiram fora da água, logo muitos se afogaram.

Caso um animal marinho seja encontrado no litoral catarinense, o que ainda pode acontecer nos próximos dias, a recomendação é ligar para o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) pelo número 0800 642 3341. Os técnicos recomendem preservar a integridade das espécies e manter a distância e auxiliar no isolamento da área, evitar contatos entre animais de estimação e os silvestres, além de não tirar fotos com flash, oferecer-lhes comida ou forçá-los a retornar para a água.


Ciclone extratropical na costa do Sul e do Sudeste do Brasil na quarta-feira | CIRA/CSU

Em Santa Catarina, estações meteorológicas em Santa Catarina registraram rajadas de vento no dia na quarta de 112 km/h em Urupema, 108 km/h em Bom Jardim da Serra, 105 km/h em Balneário Barra do Sul e 92 km/h em Rancho Queimado. Em Balneário Camboriú, anemômetro em edifício de 80 andares, que balançou com a força do vento, marcou 148 km/h, mas o vento em andares muito altos de arranha-céus é muito mais forte que na superfície.

No Paraná, que por ter uma extensão de litoral menor, com baixa cobertura de estações de monitoramento, as rajadas de vento também foram muito fortes na quarta e chegaram a 97 km/h em Guaratuba. No Porto de Paranaguá, a estação meteorológica fora da barra que é mantida pela praticagem mediu vento de 82 km/h.

No litoral de São Paulo, estação da praticagem do porto em São Sebastião registrou rajadas de vento de 113 km/h no final da quarta-feira. No Porto de Santos, outra estação mediu 85 km/h. Na capital paulista, rajadas chegaram a 74 km/h no Aeroporto de Congonhas, mesma velocidade de vento observada no Aeroporto Internacional de Guarulhos.

No Rio de Janeiro, na capital fluminense, estação no Forte de Copacabana acusou rajadas de 93,6 km/h na madrugada da quinta-feira. Em Marambaia, as rajadas bateram em 84 km/h. Ainda no litoral fluminense, a estação do Arraial do Cabo mediu 92 km/h nas primeiras horas da quinta-feira.

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