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Nevascas enormes, ciclone bomba com pressão de 960 hPa sobre o continente, vento acima de 100 km/h, sensações térmicas de até -60ºC e mínimas de -40ºC ou menos devem castigar os Estados Unidos antes do Natal | MANDEL NGAN/AFP/METSUL METEOROLOGIA

Bomb cyclone (ciclone bomba) e blizzard (nevascas) são algumas das palavras no momento nos Estados Unidos. Mais de 150 milhões de pessoas nos Estados Unidos estão na iminência de uma onda polar de intensidade absurdamente forte com um ciclone bomba poderosíssimo sobre o continente de incomum intensidade que deve provocar vento muito intenso, nevascas de enorme força com condições extremamente perigosas e de alto risco de vida.

A massa de ar polar extraordinariamente forte não terá apenas intensidade incomum como vai ser de grande abrangência, atingindo dois terços da área continental dos Estados Unidos. O ar congelante vai chegar à costa do Golfo e ao Norte do Caribe no fim de semana do Natal.


Além disso, um ciclone “bomba” (sistema que se aprofunda em pelo menos 24 hPa em 24 horas) atingirá áreas das Planícies Centrais aos Grandes Lagos na sexta-feira e no sábado. A previsão é que os ventos fortes acima de 100 km/h e a neve pesada com enormes taxas de acumulação em curto período produzam condições de nevasca generalizada e interrompam o transporte em partes dos Grandes Lagos e do Meio-Oeste. A neve pode paralisar de cidades pequenas a metrópoles como Chicago, Milwaukee e Detroit.

O ciclone bomba vai coincidir com um dos períodos do ano de maior movimento nas estradas e em aeroportos, potencialmente trazendo um pesadelo para os viajantes e autoridades. São esperadas condições tão extremas que muitos milhares de voos devem ser cancelados e dirigir em rodovias do Meio-Oeste será impossível com neve intensa, visibilidade quase zero e ainda vento por vezes ao redor ou acima de 100 km/h. O Aeroporto de O´Hare em Chicago deve ser o mais afetado.


O centro de baixa pressão que vai dar origem ao ciclone bomba (bombogênese) é extraordinário. E ocorrerá por centro de alta pressão igualmente impressionante. O gradiente (diferença) de pressão na América do Norte será notável e possivelmente caso de estudo por meteorologistas durante os próximos anos, tamanha a excepcionalidade do cenário meteorológico.

Modelos de computador projetam um centro de alta pressão do Ártico que atingirá seu pico com uma pressão central entre 1055 hPa e 1070 hPa em Montana, no Norte dos Estados Unidos, na quinta ou sexta-feira. O sistema de alta pressão vai ameaçar o recorde de todos os tempos para a maior pressão de superfície nos Estados Unidos contíguos (exclui Havaí e Alasca.

O recorde é de 1064 hPa, registrado em Miles City, Montana, em 24 de dezembro de 1983, durante um episódio de frio pior que este. Naquele dia, em 1983, Chicago (Illinois) teve a jornada mais gelada de sua história com temperatura mínima de 31,6ºC abaixo de zero e uma máxima de 23,9ºC negativos.

Não bastasse, os mesmos modelos de computador projetam uma pressão em superfície no centro do ciclone da tempestade de inverno entre 955 hPa e 965 hPa, na altura dos Grandes Lagos, perto dos estados de Michigan e Ohio. As pressões de superfície mais baixas de todos os tempos registradas em Michigan variam entre 965 hPa a 972 hPa, logo pode haver recorde.

Quase 50 milhões de americanos estão sob alertas de tempestade de inverno e avisos de frio extremo. O sistema de tempestades previsto se fortalecerá explosivamente, a uma taxa suficiente para qualificá-lo como um “ciclone bomba”, e os níveis de advertência deverão aumentar ainda mais.

Tempestade perigosa de “uma geração”

Os meteorologistas dos Estados Unidos estão alertando para uma tempestade de neve muito perigosa para partes do Meio-Oeste e dos Grandes Lagos. A nevasca (Blizzard) será extrema com vento perto e acima de 100 kmh acompanhando temperaturas polares de até 30ºC a 40ºC abaixo de zero. As taxas de neve serão enormes com grandes acumulações em curto período.

O frio extremo será um perigo mesmo onde a queda de neve for mínima ou ausente. As leituras podem cair abaixo de zero por mais de 24 horas ao Sul de Houston, na costa do Golfo do México, e valores que não superariam 20ºC abaixo de zero o dia inteiro em Omaha a Minneapolis, no Norte do país. A sensação térmica no Meio-Oeste e no Norte do país será intolerável para muitas pessoas com alertas da Meteorologia norte-americana de valores de até 70ºF abaixo de zero (-60ºC).

Em discussão de prognóstico publicada pelo Serviço Nacional de Meteorologia em Chicago se tem a ideia do frio descomunal: “Todas as indicações são de que nosso dia de Natal será o mais frio desde meados dos anos 90 e possivelmente um dos cinco mais frios já registrados (em mais de um século)”.

O escritório do Serviço Nacional de Meteorologia em Minneapolis descreve o evento de frio como “o máximo da escala em episódio de alto risco para a vida humana”. Já o escritório do NWS em Buffalo descreveu a tempestade de inverno de nome não oficial Elliott como “única em uma geração” Por sua vez, o escritório de Cheyenne advertiou para sensação térmica de até -60ºC.

Na maior parte dos Grandes Lagos, a maior nevasca e as piores condições são esperadas entre o final da tarde de quinta-feira e a noite de sexta-feira. As condições podem melhorar gradualmente no sábado, embora os ventos ainda possam soprar a neve caída, reduzindo a visibilidade.

Maior frio em 25 anos em dezembro no Canadá

A dimensão do ar frio que está invadindo os Estados Unidos se mede pelas mínima de hoje no Canadá, a Oeste do país. O frio foi extremo mesmo pelos padrões canadenses, acostumados a temperaturas congelantes.

A temperatura mínima no Território de Yukon foi de -52,0ºC em Pelly Farm, a primeira marca de -50ºC em Yukon em dezembro desde 1998 e a mais baixa registrada desde 1995, não superando os -53ºC em Old Crow & Ross River).

A mínima de hoje de -48,2°C em Hendrickson foi a mais baixa na província de Alberta em dezembr0 desde 1996, quando fez -49.0°C em Jarvis Lake). Já a minima de -46.9°C em Puntzi Mountain foi a menor míninima em British Columbia em dezembro desde 1996, quando os termômetros marcaram -48.0°C em 100 Mile House.

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