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A semana que termina teve muita chuva em diversas regiões do Rio Grande do Sul, o que diante do noticiário da grave crise energética que assola o Brasil por escassez de chuva, acaba gerando dúvidas e interpretações equivocadas. Como que pode faltar luz se choveu um monte aqui?

Os volumes de chuva nos últimos sete dias nas estações do Instituto Nacional de Meteorologia chegaram a 161 mm em Encruzilhada do Sul, 160 mm em Cruz Alta, 122 mm em Campo Bom, 119 mm em Soledade, 113 mm em Santa Maria, 106 mm em Pelotas e Tupanciretã, 105 mm em Canela e 104 mm em Porto Alegre.


A capacidade instalada de geração de energia elétrica no Rio Grande do Sul cresceu consideravelmente na última década, passando de 4.996MW em 2007 para 8.240,1MW em 2017, seja pelo crescimento da geração eólica ou pela usinas de menor porte. Este aumento permitiu a ampliação dos níveis de consumo, não só no estado, como também no país, pois o parque gerador do estado opera através do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Chover muito no Rio Grande do Sul, entretanto, não resolve e muito pouco ajuda na crise energética grave que atinge o país e ameaça com risco de blecautes já a partir do mês de outubro. A explicação é simples.

Mesmo tendo registrado um aumento da sua capacidade de geração na última década, o que o Rio Grande do Sul gera de energia a partir da água contribui minimamente para o Sistema Interligado Nacional (SIN).

Usina hidrelétrica de Passo Real em Salto do Jacuí | Fernando C. Vieira/CEEE

Vejamos os casos das principais usinas hidrelétricas do estado gaúcho. De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), a capacidade hoje da usina de Machadinho é de 1140 MW e a de Itá de 1450 MW, na bacia do Uruguai. No Jacuí, Dona Francisca tem 125 MW, Passo Real 158 MW e Itaúba 500 MW. Três usinas na Serra somadas têm capacidade de 360 MW.

Agora atente ao Paraná. Segundo o ONS, hoje a capacidade de Itaipú é de 7000 MW. Ao longo da bacia do Rio Iguaçu, a usina Governador José Richa tem 1240 MW, Salto Osório 1078 MW, Salto Santiago 1420 MW, Ney Braga 1260 MW e Bento Munhoz 1676 MW.

No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, por exemplo, Ilha Solteira registra 3444 MW, Marinbondo 1488 MW, São Simão 1710 MW, Itumbiara 2280 MW, mais dezenas de usinas com capacidade inferior a 500 MW espalhadas pelos rios da região. Há ainda as usinas do Norte e do Nordeste como, por exemplo, Tucuruí hoje com capacidade de 8535 MW.

A potência de fonte hidráulica simulada individualmente do subsistema Centro-Oeste/Sudeste, com base em dados do Operador Nacional do Sistema de 2019, era de 53.834 MW em comparação com a potência hidráulica do subsistema do Sul do Brasil de 15.143 MW.

Assim, a crise passa pela chuva abaixo a muito abaixo da média onde há um maior número de usinas e com maior capacidade de geração, no caso na Região Sudeste e no Paraná, sendo quase irrelevante a chuva do Rio Grande do Sul para a crise energética nacional pela baixa participação do estado no sistema interligado.

Operador Nacional do Sistema (ONS)//Divulgação

Outro equívoco é pensar que se chover muito no Rio Grande do Sul e ocorrerem apagões em outras partes do Brasil, caso haja o esgotamento da capacidade de atendimento da demanda nos próximos meses, é que os gaúchos ficariam livres dos cortes de luz.


O Rio Grande do Sul faz parte, juntamente com todos os estados – exceto Roraima – do Sistema Interligado Nacional. A energia que os gaúchos fazem uso não é apenas de geração local e inclui o que vem de fora do estado, como, por exemplo, de Itaipú.

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Assim, na hipótese de esgotamento do setor elétrico no Brasil, mesmo se estiver chovendo demais no território gaúcho, os cortes alcançarão o Rio Grande do Sul.

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