Chuva forte e temporais com granizo não dão trégua no Sul do Rio Grande do Sul desde o fim de semana. A sequência de dias de forte instabilidade já provocou alagamentos, destelhamentos, queda de árvores e interrupções de estradas em vários municípios, com a zona rural entre as áreas mais afetadas.

Foto de granizo em granizo em Morro Redondo

Granizo atingiu Morro Redondo, no Sul do Rio Grande do Sul | MARGEM GRIESBACH

Em Pelotas, a situação levou a prefeitura a decretar situação de emergência pela quarta vez em apenas oito meses. O decreto, assinado na noite de segunda-feira (17), tem validade de 180 dias e considera os impactos das chuvas intensas que atingem o município desde domingo.

A cidade registrou rajadas de vento e episódios de granizo nas madrugadas de ontem e hoje (18). Na zona rural, arroios transbordaram e cobriram pontes, interrompendo o tráfego e deixando comunidades isoladas. Escolas e postos de saúde do interior estão sem funcionamento devido às condições das estradas.

A madrugada desta terça-feira voltou a ser marcada por granizo em Dom Feliciano. Registros mostram a ocorrência tanto em áreas urbanas como no interior do município. Em Canguçu, dois temporais atingiram o município entre domingo e a madrugada de segunda-feira. Mais de 50 casas foram destelhadas e cerca de 20 estruturas na zona rural chegaram a ser destruídas.

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Seis prédios escolares sofreram danos e a Escola Oscar Fonseca, no 5º Distrito, foi totalmente destruída. As aulas nas escolas municipais da zona rural foram suspensas, assim como o atendimento nos postos de saúde devido às condições das estradas.

O acesso a diversas localidades também foi prejudicado pela queda de postes e árvores, alagamentos, arroios cheios e pontes danificadas. Segundo o prefeito Arion Braga, o temporal da madrugada de segunda-feira foi ainda mais severo que o registrado no domingo.

Em Santana do Livramento, granizo atingiu o Assentamento São João, na região da Coxilha Santo Inácio. Moradores relataram pedras do tamanho de ovos de galinha durante um temporal que durou cerca de 20 minutos. Ao menos 25 moradias foram danificadas, sem registro de feridos.

Outros municípios também tiveram prejuízos. Em Bagé, houve queda de árvores, interrupções de energia e danos nos telhados de 59 residências. Aceguá registrou alagamentos na zona rural e vias parcialmente obstruídas.

Em Jaguarão, uma residência foi alagada e duas pessoas ficaram desabrigadas. Dom Pedrito teve danos no telhado de uma casa, enquanto Santana do Livramento também registrou prejuízos em imóveis da área rural.

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Por que tanta chuva e granizo no Sul do estado?

A instabilidade começou no domingo (16) associada à formação de frente inicialmente quente. As frentes quentes são prolíficas em provocar chuva forte, muitos raios e queda de granizo de variado tamanho.

Na segunda-feira, o sistema frontal passou a apresentar comportamento mais semi-estacionário, permanecendo por mais tempo sobre a região Sul do Rio Grande do Sul e o Uruguai. Ao mesmo tempo, uma massa de ar muito quente avançava e permanecia ao Norte da frente, alimentando com energia o sistema frontal semi-estacionário e, assim, favorecendo a formação de nuvens de desenvolvimento vertical com chuva forte e temporais.

Ontem, a forte massa de ar quente fez com que 117 cidades gaúchas que contam com estações meteorológicas superassem 30°C com 11 municípios acima de 35ºC. A máxima no estado chegou a 36ºC enquanto a Grande Porto Alegre registrou 33,9ºC.

Risco prossegue

Uma vez que a massa de ar q uente segue atuando na Metade Norte gaúcha e a frente continua semi-estacionária sobre o Sul do estado, a MetSul Meteorologia alerta que o risco de chuva localmente forte a intensa com raios e temporais isolados de vento forte e granizo prossegue no Sul do estado e na Campanha. Imagens de radar mostravam na manhã desta terça células de tempestade com potencial de granizo atuando no Sul do estado.