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Volumes muito elevados de chuva e localmente excessivos a extremos devem castigar vários estados do Brasil, em diferentes regiões do país, nesta segunda metade da semana e no começo da semana que vem, com alagamentos, inundações e enchentes. Há risco ainda de deslizamentos. O litoral entre o Nordeste catarinense e o Rio de Janeiro, Minas Gerais e a Bahia são as áreas que mais preocupam, conforme avaliação da MetSul. | DOUGLAS MAGNO/AFP/METSUL METEOROLOGIA/ARQUIVO

A MetSul Meteorologia alerta para chuva excessiva em vários estados, de diversas áreas do Brasil, que vai provocar alagamentos, enchentes e transtornos para a população. Os acumulados localmente devem ser muito altos e até isoladamente extremos, o que vai potencializar também deslizamentos de encostas em áreas de relevo.

O Cenário que vai levar à chuva volumosa em vários estados é composto por um evento da chamada Zona de Convergência do Atlântico Sul, que vai estar com seu eixo mais ao Norte do que o habitual, e por circulação de umidade de uma massa de ar frio associada a um centro de alta pressão sobre o Atlântico Sul.


A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) é conhecida por ser uma faixa de nebulosidade que atravessa o Brasil. Este corredor de umidade, um verdadeiro rio atmosférico, tem uma orientação climatológica típica de Noroeste para Sudeste, estendendo-se da região da Amazônica até o litoral da Região Sudeste.

Os eventos de ZCAS são sazonais. São comuns entre os meses de novembro e março, ou seja, é um fenômeno típico de estação quente e podem durar até dez dias consecutivos, causando grandes volumes de precipitação nas áreas de atuação, que no caso de agora compreenderão estados do Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste.


Por sua vez, a circulação de umidade oceânica ocorre por uma massa de ar frio que atua na retaguarda da frente fria que originou a ZCAS. O centro de alta pressão sobre o mar faz com que ventos úmidos soprem do mar para o continente, interagindo com o relevo da Serra do Mar para gerar chuva orográfica.

Chuva excessiva no Sul do Brasil

No Sul do Brasil, o fluxo de umidade do mar para o continente pode trazer chuva muito volumosa a excessiva no Leste de Santa Catarina e do Paraná. A umidade do Atlântico vai encontrar o relevo da Serra, gerando acumulados muito altos até metade da semana que vem.

De acordo com os dados do modelo europeu (mapa), a chuva será muito volumosa no extremo Nordeste de Santa Catarina e no litoral do Paraná. As áreas de Joinville, Jaraguá do Sul, São Francisco do Sul, Morretes, Paranaguá e outras enfrentarão chuva muito frequente com instabilidade até metade da semana que vem e vários períodos em que a chuva será forte a intensa.

Modelos indicam acumulados de 200 mm a 300 mm nos próximos sete dias no Nordeste catarinense e no litoral do Paraná, mas por efeito da orografia podem ser anotadas marcas ainda mais altas de precipitação.

Sudeste do Brasil

No Sudeste, Minas Gerais deve ser o estado mais afetado. Os volumes de chuva serão muitos altos nos próximos dias por efeito da ZCAS no Sul, no Norte, no Centro e no Leste do estado mineiro, as regiões de Minas que devem ser mais afetadas. No Oeste, da área do Triângulo, deve chover muito menos.

Belo Horizonte enfrentou forte temporal de chuva com inundações na noite de ontem. A chuva será muito frequente na capital mineira nos próximos sete a dez dias, e em alguns momentos será intensa com risco de novas inundações e deslizamentos de terra.

O Rio de Janeiro sofrerá tanto a influência da ZCAS como da circulação de umidade do mar com chuva orográfica. A zona de convergência afetará mais o Norte fluminense – assim como o Espírito Santo – e a Região Serrana ao passo que a circulação marítima trará risco de chuva forte ao longo da costa e áreas próximas. A instabilidade aumentará entre quinta e o fim de semana, quando cresce o risco de chuva forte.

Em São Paulo, o risco de chuva excessiva é maior em áreas do litoral e perto da costa pela circulação de umidade marítima. Os acumulados podem ser muito altos com risco de inundações e deslizamentos no litoral com aumento da chuva entre hoje e o fim de semana, quando em vários momentos a chuva pode ser intensa.

Chuva no Nordeste

Volumes muito altos a localmente excessivos devem ser esperados em parte da Região Nordeste nos próximos sete a dez dias por influência primordialmente da ZCAS. Os mais altos volumes de chuva devem se dar na Bahia, no Maranhã e no Piauí, assim na área do chamado MATOPIBA que inclui Tocantins.

Dentre as capitais, Salvador é a de maios risco com previsão de chuva por vezes forte a intensa até o sábado com alto risco de inundações, alagamentos e deslizamentos de terra. Já choveu forte com alagamentos no Sul do estado, na região de Ilhéus, e grande parte do interior pode ter precipitações também volumosas.

Norte do Brasil

O canal de umidade da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) trará chuva mais abundante e volumosa para muitas áreas do Amazonas, Pará e Tocantins nos próximos dias. Dentre as capitais, Palmas deve ter acumulados mais altos.

Mais ao Norte, no Amapá, a chuva pode ser também excessiva, mas por outro fenômeno, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), um cinturão de instabilidade perto da linha do equador ao redor do mundo que nesta época migra mais para o Sul e atinge locais mais ao Norte do Brasil.

Como consultar os mapas

Mapas de chuva deste boletim podem ser consultados pelo nosso assinante (assine aqui) na nossa seção de mapas a qualquer hora. A plataforma oferece mapas de chuva, geada, temperatura, risco de granizo, vento, umidade, pressão atmosférica, neve, umidade no solo e risco de incêndio e raios, dentre outras variáveis, com atualizações duas a quatro vezes ao dia, de acordo com cada simulação. Na seção de mapas, é possível consultar ainda o nosso modelo WRF de altíssima resolução da MetSul.

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