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A MetSul Meteorologia alerta que algumas áreas do Sul do Brasil enfrentam potencial situação de calamidade nesta semana em consequência de um episódio de chuva extrema que vai trazer em algumas cidades acumulados extraordinariamente altos de precipitação em menos de uma semana e de incomum ocorrência.


Enfatizamos que não se trata de um evento de chuva ordinário e os volumes em alguns locais na soma do que já caiu desde sábado com o que ainda vai se precipitar até a quinta-feira vão ser equivalentes a quatro ou cinco meses de chuva em poucos dias, o que foge completamente ao normal.

O cenário meteorológico que se desenha é extremamente grave e de elevado perigo em parte do Sul do país, antecipando-se uma série de riscos para a população que incluem alagamentos e inundações, cheias de rios, enchentes, deslizamentos, quedas de barreiras, e bloqueio parcial ou total de rodovias por inundação ou desmoronamentos.


Os maiores volumes de chuva se darão na Metade Norte do Rio Grande do Sul e em grande parte de Santa Catarina, onde a maioria dos municípios terá 100 mm a 300 mm em menos de uma semana. O pior, entretanto, vai se dar numa faixa que se estende do paredão da Serra do Mar na região de Torres até a área de Florianópolis, o que inclui grande parte do Sul do estado de Santa Catarina.

Para estes pontos, os modelos numéricos gerados por supercomputadores sinalizam 300 mm a 500 mm e algumas simulações chegam a projetar marcas isoladas de 500 mm a 600 mm. Veja a projeção de chuva para 72 horas do modelo WRF com os acumulados previstos até 9h de quarta. Como seguirá chovendo até quinta, os volumes serão ainda mais altos que os projetados pelo modelo.

Transtornos pela chuva podem ocorrer em muitas cidades catarinenses e da Metade Norte gaúcha, mas a zona crítica inclui Morrinhos do Sul, Praia Grande, Timbé do Sul, Criciúma, Araranguá, Tubarão, Urussanga, Lauro Muller e outros municípios a Leste dos Aparados da Serra e do Planalto Catarinense entre o Nordeste gaúcho (Serra, Aparados e Litoral Norte), e o Sul e Leste de Santa Catarina.

Observe a projeção de chuva para esta semana do modelo meteorológico alemão Icon e veja como a chuva deve ser muito significativa no Nordeste do Rio Grande do Sul e no Sul e Leste de Santa Catarina com acumulados isolados extraordinariamente altos a Leste do Parque Nacional dos Aparados da Serra e do Planalto Sul Catarinense.

Em mapa especial da zona de maior risco gerado pela MetSul a partir da projeção da chuva do modelo Icon é possível verificar que o modelo projeta para o Sul catarinenses acumulados tão altos quanto 400 mm a 500 mm e que em áreas perto da Serra o indicativo é de impressionantes 500 mm a 600 mm.

A instabilidade aumenta muito nesta segunda-feira na Metade Norte gaúcha à medida que um cavado (área ondulada de menor pressão atmosférica) atua no Sul do Brasil. Muitas nuvens cobrem o Rio Grande do Sul nesta segunda-feira com instabilidade no decorrer do dia na maioria das regiões. A chuva ingressa já cedo a partir do Oeste e até o final da manhã atinge a maior parte do Estado.

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Chove principalmente no Oeste, no Centro e na Metade Norte gaúcha. Na Metade Norte, em diversas cidades a chuva vai ser forte a torrencial em alguns momentos com trovoadas e risco de granizo isolado. Mais ao Sul do Estado, a nebulosidade aumenta e pouco ou nada chove em várias cidades.

Na terça, um vórtice ciclônico em médios e baixos níveis da atmosfera atua sobre o Sul do Brasil e reforça a instabilidade com chuva mais generalizada no Rio Grande do Sul. Começará processo conhecido como ciclogênese, o de formação de um ciclone, que vai dar origem a um ciclone extratropical sobre o Sul do país entre terça e quarta.

Os acumulados mais extremos entre terça e quarta devem se dar no Nordeste gaúcho e no Sul e no Leste de Santa Catarina com marcas significativamente altas em curto período e volumes diários muito elevados. O motivo será o ciclone em formação e passando a atuar junto às costas do Litoral Norte do Rio Grande do Sul e do Litoral de Santa Catarina.

Ao migrar para a costa, muito perto do litoral sobre o oceano, espera-se intensa advecção de umidade para o continente. O vento que soprará do mar para o continente vai trazer umidade que ao encontrar os morros e montanhas da Serra do Mar gerará chuva induzida por relevo (orográfica) com volumes extremos, o mesmo processo atmosférico que levou ao desastre na cidade fluminense de Petrópolis em fevereiro e costuma trazer chuva com altíssimos volumes nos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro.

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