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O Rio Grande do Sul teve neste domingo de Carnaval (14) mais um dia com formações de nuvens funis. Ocorrências foram verificadas em municípios como Mostardas, São Francisco de Assis e na cidade do Rio Grande.

Veridiane da Costa/Projeta Rio Grande

Nenhum dos episódios observados hoje no território gaúcho trouxe qualquer danos e as formações, na maioria dos casos, foram pequenas e de muito curta duração, ao contrário do que ocorreu na semana passada.


Áreas de instabilidade associadas ao ar quente e úmido se formaram durante o dia em todas as regiões do Estado, trazendo chuva irregular, forte em alguns pontos, e temporais de caráter localizado. A atmosfera muito instável com nuvens carregadas favoreceu estas formações de funis.

CARNAVAL DE FUNIS

Nuvens funis foram observadas em dois dias diferentes da semana passada na cidade de Cruz Alta e também em Pelotas. Ainda, uma tromba d’água (tornado sobre a água) foi registrada em vídeos na Lagoa dos Patos.

Na sexta, uma nuvem funil muito desenvolvida tocou terra e deu, assim, origem a tornado no interior do município de Camaquã, sem causar vítimas ou danos materiais porque o fenômeno se deu sobre lavouras e não áreas habitadas.

ENTENDA AS DIFERENÇAS

Tromba d’água e tornado são o mesmo fenômeno quando associados a nuvens de tempestade. A tromba recebe este nome porque o tornado se forma sobre corpo d’água como o oceano, um rio ou uma lagoa. É meramente questão de nomenclatura. Em Português usa-se tromba d’água enquanto em Inglês a denominação waterspout. Se uma tromba avança da água para terra, quando sobre terra será um tornado.

Já as nuvens funis não são tornados. Se a circulação da coluna tocar solo será designado como tornado e não mais como nuvem funil.

POR QUE TANTOS TORNADOS, FUNIS E TROMBAS NESTES DIAS?

Por que tantos tornados, trombas e funis? Tornados, trombas d’água e nuvens funis não são incomuns nesta época do ano.  Trata-se de um período do ano em que a atmosfera está muito instável pela presença de ar tropical quente e úmido. Ocorre que tornados durante o verão, via de regra, são de baixa potência.

O cenário é diferente dos que são registrados nos meses mais frios do calendário do outono, inverno e primavera, quando a dinâmica que leva à formação dos tornados é diferente e os eventos são de maior potência e não raro destrutivos e, nos casos mais graves, até com vítimas fatais.

Isso porque não serão formações de baixa potência geradas essencialmente por ar quente e úmido, mas há presença de sistemas meteorológicos de maior escala como frentes frias, frentes quentes ou centros de baixa pressão com correntes de jato em baixos níveis da atmosfera. Estas situações geram muitas vezes acentuados gradientes de temperatura e padrões divergentes de vento pronunciados com correntes de jato, favorecendo tornados mais fortes e destrutivos.

Nos últimos dias, contudo, apesar de eventos de baixa potência, houve um número maior do que o habitual de nuvens funis e formações tornádicas no Sul do Brasil e nos países vizinhos. As condições da atmosfera na região estão por trás deste incremento na atividade tornádica regional.

O meteorologista e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Ernani Lima Nascimento, um expert em tornados, observou que os últimos dias tiveram longa sequência de dias com tempestades severas atípica para esta época do ano.

Em conversa com a MetSul, o especialista enfatizou não ser raro “eventos de tornados relativamente fracos e/ou trombas d’água em situações de vórtices ciclônicos nos altos níveis da atmosfera sobre o Rio Grande do Sul ou nas vizinhanças”. Segundo Ernani, ‘trata-se de um padrão sinótico particular que sempre merece atenção”.

 

O meteorologista da MetSul Luiz Fernando Nachtigall vai na mesma linha e observa que a atmosfera tem estado muito instável no Rio Grande do Sul e na região com ar tropical quente e úmido sem a passagem de frentes frias nos últimos dias.


Nachtigall destaca que este padrão isoladamente não explica o aumento da frequência destes eventos tornádicos, mas que a situação sinótica sim com a presença de um vórtice ciclônico em níveis médios da atmosfera no Centro da Argentina  e de um cavado alongado se estendendo pelo litoral do Sul do Brasil até a costa da província de Buenos Aires.

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“Por isso, não é surpreendente que os eventos de tornados de baixa potência e trombas d’água tenham se concentrado em áreas costeiras ou próximas da costa, essencialmente sobre massas de água ou áreas alagadiças, no Sul do Brasil e na Argentina”, explicou.

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