A palavra “absurdo” pode soar um exagero, mas ela reflete exatamente o que ocorre neste mês de março até agora no Centro da Argentina. É uma estupidez o calor que tem feito na área central do território central argentino, notadamente na província de março, neste março de marcas absurdamente fora do normal na região.

A Argentina tem sofrido com uma incessante sequência de ondas de calor desde o final da primavera. Na última década não se registaram mais do que quatro ou cinco episódios semelhantes por temporada, segundo o Serviço Meteorológico Nacional, e o país enfrenta no momento a sua nona ou décima onda de calor, conforme a localidade.

Desde o começo de março o calor não dá trégua e em alguns dias atinge valores extremos. A cidade de Buenos Aires teve o seu recorde de temperatura máxima para março desde o início das medições em 1906 no dia 2 com 38,0ºC, recorde que pode ser quebrado novamente neste fim de semana.


Aeroporto Internacional de Ezeiza, na Grande Buenos Aires, anotou máxima ontem de 39,4ºC. Foi a terceira vez neste mês que caiu o recorde de temperatura máxima na estação. O recorde de março já havia sido quebrado no dia 1º com 38,1ºC e no dia 2 com 39,1ºC.

Múltiplos recordes de temperatura máxima desde 1961, e alguns de toda a série histórica com dados de até um século ou mais, foram quebrados para a climatologia de março na primeira semana deste mês na Argentina.


Há um alerta vermelho para a cidade de Buenos Aires e parte da Grande Buenos Aires emitido pelo Serviço Nacional de Meteorologia (SMN), da Argentina, por calor extremo. Já foram vários dias neste mês com alerta vermelho na capital argentina por altas temperaturas em situação por demais atípica.

“Com o anticiclone do Atlântico Sul muito intensificado em superfície, contribuindo com vento Norte e umidade para o centro do país, e condições de bloqueio atmosférico em níveis médios e altos da atmosfera sobre a faixa central do território argentino, ar mais frio não ingressa na região e, com isso, as temperaturas são persistentemente muito altas para a época do ano com uma onda de calor intensa e tardia”, explicou o SMN.

O que ocorre no Centro da Argentina é muitíssimo fora da curva histórica. A temperatura máxima no Norte da província de Buenos Aires ficou entre 8ºC e 10ºC acima do normal. Para colocar em contexto, uma semana 4ºC a 5ºC mais quente do que a média já é muito, mas 8ºC a 10ºC de anomalia positiva é extraordinária ou “excepcional” pelo termo usado pela Meteorologia oficial argentina.

“Com tantos dias com temperaturas máximas muito altas e em vários locais do Centro-Leste da Argentina, com quebra de recordes, a temperatura média máxima da primeira semana de março foi excepcionalmente alta entre 30°S e 40°S de latitude, atingindo de forma incomum, um máximo absoluto sobre o Norte da província de Buenos Aires”, destacou o SMN.

Valores tão absurdos de anomalia de temperatura neste mês de março forçaram o Serviço Meteorológico Nacional da Argentina a alterar seu tradicional mapa de desvio da média para representar inéditas anomalias positivas de 8ºC a 10ºC.

Foram acrescidas na escala tons de cinza que jamais tinham sido usados para representar os desvios de temperatura muito fora do normal. “Duvido voltarmos a ver mapa assim”, disse o meteorologista argentino Christian Garavaglia, do SMN.

Levantamento atualizado realizado pela MetSul Meteorologia feito na manhã deste sábado mostra que a temperatura máxima média nos primeiros dez dias deste mês de março na cidade de Buenos Aires ficou em 35ºC.

Temperatura máxima na cidade de Buenos Aires

1º/3: 37,6ºC
2/3: 38,0ºC (recorde absoluto de março desde 1906)
3/3: 35,4ºC
4/3: 36,3ºC
5/3: 32,8ºC
6/3: 33,6ºC
7/3: 33,0ºC
8/3: 33,7ºC
9/3: 33,3ºC
10/3:36,8ºC

A temperatura máxima média de 35ºC observada na estação oficial do Observatório Central de Villa Ortúzar, na capital argentina, assim, ficou 8ºC acima do normal nos primeiros dez dias deste mês, uma vez que a máxima média histórica de março na capital argentina é de 27ºC.