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O buraco da camada de ozônio na Antártida atingiu no começo deste mês o seu máximo anual com 24 milhões de quilômetros quadrados de extensão na Antártida, segundo o consórcio meteorológico europeu Copernicus. Passados mais de 15 dias do pico anual, o buraco segue muito grande. Dados de hoje mostram que poucas vezes foi tão extenso em um dia 21 de outubro com dimensão raramente vista nesta data.

O buraco deste ano mostra que a realidade é bem mais complicada. Embora o buraco de ozônio esteja sujeito a uma variabilidade anual significativa, vale ver a comparação do buraco de ozônio de 2020 com a de 2019 nas mesmas datas. Percebe-se que não só a área superficial é muito menor, mas também a concentração (a cor vermelha indica uma presença maior).

O Sistema Copernicus mede constantemente as condições do ozônio na atmosfera com dados de satélite, verificando-os com medições de sondas globais e é capaz de criar previsões sobre a sua evolução.

O buraco na camada de ozônio se forma todos os anos na primavera, quando os primeiros raios de sol atingem os pólos. Compostos químicos proibidos pelo Pacto de Montreal, como clorofluorocarbonetos (CFC) e substâncias que contêm bromo, se acumulam dentro do vórtice polar. Nas temperaturas extremas do vórtice polar (a corrente estratosférica que mantém o ar frio confinado nos pólos), formam-se nuvens estratosféricas que promovem reações químicas que destroem a camada de ozônio.

Os compostos químicos permanecem inativos até serem atingidos pelos primeiros raios do sol. “A energia do sol libera átomos de cloro e bromo quimicamente ativos no vórtice que rapidamente destroem as moléculas de ozônio, causando a formação do buraco”, explicou Copernicus em um comunicado.

Esses tipos de condições são mais comuns no Hemisfério Sul, mas no começo deste ano ocorreu o maior e mais estável buraco na camada de ozônio no Pólo Norte.

O ozônio é um escudo natural contra os raios ultravioleta. A principal consequência do buraco na camada de ozônio é a maior exposição a essas radiações, que podem causar câncer de pele e problemas oculares em áreas desprotegidas pela camada. Além disso, pesquisas recentes sugerem um nexo entre o buraco de ozônio e as correntes marinhas e atmosféricas responsáveis pelo clima de médio e longo prazo.

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