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Fernando Frazão/Agência Brasil/EBC

Recordes históricos de décadas caem como dominós no Brasil, Paraguai e no Norte da Argentina e o pico da extraordinária onda de calor que a MetSul Meteorologia alertou ocorreria nesta semana ainda está por se dar entre esta quinta-feira e o sábado. Cidades dos três países que tiveram recordes quebrados hoje e nos últimos dias vão ter novamente quebra de suas marcas extremas com registros muito acima do que se tinha anotado em muitas décadas de observação antes deste evento excepcional de calor. Um dos recordes que pode cair e seria um fato de proporções históricas significativo é o de maior temperatura já registrada no Brasil, oficialmente pertencente ao município de Bom Jesus do Piauí de 44,7ºC em 21 de novembro de 2005.

Hoje, antes mesmo desta impressionante onda de calor atingir o seu pico, a máxima na estação do Instituto Nacional de Meteorologia em Água Clara (MS) já alcançou 44,1ºC, marca também observada em Coxim. Novo recorde estadual de máxima em todos os tempos. Muitas outras estações no estado do Mato Grosso do Sul na rede oficial do Inmet tiveram mais de 40ºC. Em Corumbá fez 42,7ºC. Campo Grande teve sua máxima absoluta da série histórica com 40,8°C. Já ao Norte, no Mato Grosso, a máxima na estação automática de Cuiabá foi de 43,7ºC. Fez ainda 42,7ºC em Rondonópolis. Quase todo o Mato Grosso teve máximas perto ou acima de 40ºC. Em Goiás, os termômetros indicaram 41,3ºC em São Simão. Nos próximos dias, a MetSul projeta máximas de 44ºC a 46ºC nas áreas mais quentes do Centro-Oeste, não se afastando até 47ºC em cidades sem monitoramento meteorológico.

No estado de São Paulo, uma jornada histórica de calor. A MetSul antecipou domingo que a história climática da capital paulista seria reescrita e o ranking dos dias mais quentes mudaria, e foi o que ocorreu hoje. A estação do Instituto Nacional de Meteorologia no Mirante de Santana atingiu 37,1ºC, a segunda maior marca desde que se iniciaram as medições em 1943. As maiores máximas na estação desde hoje passam a ser de 37,8ºC em 17/10/2014, 37,1ºC em 30/9/2020, 37,0ºC em 20/1/1999, 36,7ºC em 19/01/1999 e 21/1/1999, e 36,6ºC em 31/10/2012. E o recorde de 2014 pode cair agora na segunda metade da semana, uma vez que a previsão da MetSul é que o calor ganhará força. É crucial enfatizar que São Paulo é a maior cidade da América Latina e uma enorme ilha de calor urbano, logo em alguns bairros a temperatura deve ser ainda mais alta que na estação do Inmet e, por isso, haverá bairros com mais de 40ºC, o que é por demais incomum.

O interior paulista torra com ainda mais calor. As máximas desta quarta-feira bateram em 41,9ºC em Lins, 41,7ºC em Jales, 41,5ºC em Dracena, 41,3ºC em Votuporanga, 41,0ºC em Barretos, 40,7ºC em Presidente Prudente, 40,6ºC em Tupã, 40,4ºC em Bauru, 40,3ºC em Rancharia e 40,2ºC em Barra Bonita. Algumas destas máximas são recordes desde a abertura das estações. Como o calor aumenta nos próximos dias, máximas de 42ºC a 44ºC podem ser esperadas em São Paulo. O recorde de maior temperatura já anotado no estado paulista de 43,0ºC em Iguape, de 3 de fevereiro de 1933, pode cair.

 

Em Minas Gerais, a temperatura nesta quarta chegou a 41,0ºC em Campina Verde e a 40,7ºC em Ituiutaba. Em Uberlândia, a máxima de hoje foi de 37,1ºC, inferior ao registro de ontem de 37,7ºC que superou o recorde absoluto de máxima da estação de 37,4ºC de 1997 e 2002. Belo Horizonte, na estação da Pampulha, chegou a 35,5ºC. Nos próximos dias, o calor aumenta em Minas Gerais e são possíveis recordes na capital e em outras regiões como o Triângulo Mineiro, onde pode chegar a fazer entre 42ºC e 44ºC no final da semana.

No Paraná, as máximas hoje na rede do Simepar foram de 42ºC em Baixo Iguaçu, 41,0ºC em Loanda, 40,0ºC em Umuarama, 40,6ºC em São Miguel do Iguaçu, 40,2ºC em Altônia, 39,6ºC em Cianorte, 39,3ºC em Londrina, 39,2ºC em Maringá e 38,9ºC em Campo Mourão. De acordo com o instituto paranaense, todas estas máximas foram recordes desde o começo dos registros. Na rede do Instituto Nacional de Meteorologia no Paraná, as máximas foram de 40,7ºC em Paranapoema, 40,2ºC em Planalto e 40,0ºC em Cidade Gaúcha. Em Curitiba, o Inmet anotou 34,2ºC. Já em Santa Catarina, a temperatura nesta quarta-feira se aproximou dos 40ºC com marcas de 39,6ºC em Caibi, 39,1ºC em Itapiranga e 38,7ºC em Águas Frias, conforme dados da Epagri/Ciram. Em Chapecó, o Instituto Nacional de Meteorologia anotou 35,7ºC em Chapecó, o que é um recorde. O calor aumenta ainda mais no Paraná entre esta quinta e a sexta e as máximas podem ficar entre espantosos 43ºC a 44ºC.

No Rio Grande do Sul, a temperatura máxima nesta quarta chegou a 38,6ºC em Santa Rosa. Fez 37,7ºC em São Luiz Gonzaga. Santa Rosa deve ter entre 40ºC e 41ºC nesta quinta e de 36ºC a 38ºC na sexta-feira, antes de um alívio pela chuva no fim de semana. A quinta-feira será muito quente ainda em outras regiões com 37ºC a 39ºC nas Missões e no Alto Jacuí, 35ºC a 37ºC no Planalto Médio, 33ºC a 35ºC na Serra com máximas mais altas em vales, 35ºC A 37ºC no Centro do Estado e ainda 36ºC a 38ºC na área de Uruguaiana. Como vem destacando a MetSul, o calor extremo não atinge todo o Rio Grande do Sul e cidade do Sul e do Leste do Estado escapam da canícula por nuvens e instabilidade, mas faz calor em Porto Alegre e região metropolitana com máximas que superam os 30ºC e podem atingir 32ºC a 34ºC mais ao Norte da Grande Porto Alegre, ou até mais dependendo da nebulosidade.

No Paraguai, a máxima no aeroporto de Assunção chegou a 42ºC e há possibilidade de que o recorde de maior máxima até hoje na capital paraguaia de 42,2ºC, registrado no último sábado, tenha sido batido. Algumas áreas do Paraguai podem ter 44ºC a 46ºC agora no final da semana. Na Argentina, por sua vez, a temperatura na tarde desta quarta-feira chegou a 43,3ºC em Resistencia, na província do Chaco. Na cidade de Corrientes, na província de Corrientes, que faz fronteira com o Oeste do Rio Grande do Sul, a temperatura bateu em 42,6ºC e superou o recorde já batido no último sábado de maior máxima desde o começo das observações. O recorde até a semana passada era de 42,4ºC em 16/11/1985 e no último sábado fez 42,5ºC. Na província de Córdoba, as máximas se aproximam de 40ºC com umidade do ar de apenas 10%, agravando os graves incêndios florestais na região.

Uma grande massa de ar seco e quente cobre o Brasil Central por várias semanas com máximas extremamente elevadas e que chegaram a trazer a maior máxima em Cuiabá desde o início das medições em 1911 com quase 43ºC. Trata-se de uma gigante bolha de ar quente, uma cúpula de calor ou “heat dome” em Inglês, em que uma área de alta pressão em altitude gera movimentos de subsidência (descendente) na atmosfera com calor extremo e tempo muito seco. A forte estiagem com baixa disponibilidade de umidade no solo acaba agravando a situação e cria-se um mecanismo de feedback em que o tempo seco agrava o calor e o calor agrava o tempo seco, gerando ainda maior evapotranspiração. O que o Brasil, o Norte da Argentina e o Paraguai estão enfrentando é um evento extraordinário de calor, conforme avaliação da MetSul. A magnitude do calor que se observa é semelhante a de ondas excepcionais de calor como que se registram em áreas acostumadas a calor muito extremo como o Cuyo na Argentina, Califórnia e Austrália.

Emergência por fogo

A MetSul Meteorologia adverte que calor com tamanha intensidade em uma atmosfera de umidade muito baixa e ainda com um padrão de estiagem de meses em algumas áreas vai levar o risco de fogo a valores críticos e emergenciais com altíssimo número de queimadas no Centro-Oeste, no Sudeste e na parte mais ao Norte do Sul do Brasil. É recomendável que as autoridades e os meios de comunicação façam advertências para a população sobre o nível crítico de fogo que se espera diante do quadro de temperatura em valores extremos.

Riscos à saúde

Calor em nível excepcional pode causar prejuízos à saúde e, em alguns casos, até levar à morte. Segundo o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), o calor extremo causa mais mortes relacionadas ao clima no país do que qualquer outro evento meteorológico combinado.

O risco de emergências relacionadas ao calor é especialmente alto para idosos, animais de estimação e pessoas com doenças crônicas, mas a exposição ao tempo excessivamente quente de forma prolongada pode aumentar a temperatura de qualquer pessoa, levando à desidratação, exaustão pelo calor ou até mesmo insolação, que pode levar à insuficiência cerebral, cardíaca ou renal, e danos aos tecidos.

Sob calor extremo, em caso de necessidade de passar um tempo prolongado ao ar livre, o o ideal é o amanhecer e com a recomendação de muitas pausas, buscando uma área sombreada quando começar a se sentir superaquecido.

Como regra geral, deve ser evitado o consumo de cafeína e álcool em excesso, ambos diuréticos que desidratam ainda mais o corpo, e deve se buscar a hidratação periódica com muitos líquidos como água e sucos naturais.

O mais importante é procurar atendimento médico se estiver apresentando sintomas relacionados ao calor. Se começar a sentir náuseas, vertigens, confusão mental ou fraqueza, vá para dentro de casa imediatamente e hidrate-se. Busque um médico ou o serviço de emergência de saúde local imediatamente se os sintomas não desaparecerem depois que você voltar para dentro de casa ou se você tiver febre de 40°C ou mais depois de sair de casa.

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