O último boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, a NOAA, divulgado na segunda-feira, indicou uma anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central (região Niño 3.4) de -0,6ºC, marca que indica a continuidade das condições de La Niña com fraca intensidade. No Pacífico Equatorial Leste, a chamada região Niño 1+2, a anomalia foi também de -0,6ºC. Na semana anterior, as duas regiões do Pacífico Equatorial tinham apresentado anomalias de -0,9ºC.

É muito possível que o atual evento de La Niña já tenha atingido o seu pico entre o final de dezembro e a metade de janeiro deste ano. Neste período foram registradas as maiores anomalias negativas do evento atual do fenômeno. Tradicionalmente, em eventos de Niño e Niña, o pico de intensidade do evento costuma ocorrer ao redor da virada do ano. Nos próximos dois a três meses a perspectiva é de gradual enfraquecimento do fenômeno. Os gráficos abaixo mostram a projeção de evolução da anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 por um conjunto de modelos climáticos americanos e canadenses. Observa-se, justamente, a perspectiva, de acordo com a maioria dos modelos, de enfraquecimento no restante deste verão. O Pacífico pode passar para uma condição de neutralidade no decorrer do outono.


A irregularidade da chuva que se observa desde o final da primavera no Rio Grande do Sul, com perdas em lavouras de milho e soja de vários municípios, tem relação direta com o processo de resfriamento do Pacífico Equatorial que levou ao episódio em curso do fenômeno La Niña. Esse janeiro mais chuvoso em diversas regiões gaúchas e do Sul do Brasil, ao contrário do que pode aparecer, não difere do que costuma ocorrer com La Niña. Dados históricos mostram que sob a presença de La Niña a irregularidade da chuva se acentua nos meses de novembro e dezembro com aumento da precipitação e chuva acima da média em muitas áreas em janeiro, seguindo-se uma diminuição da chuva em fevereiro principalmente na Metade Sul gaúcha. Por isso, a tendência é da chuva seguir irregular com precipitações abaixo da média em parte do território gaúcho, notadamente no Sul. O aquecimento do Atlântico na costa do Sul do Brasil atenua os efeitos de um evento de La Niña fraco.

Com o Pacífico numa transição entre La Niña e neutralidade no restante do verão e no outono é razoável se esperar que o frio possa chegar mais cedo, mas serão jornadas pontuais de temperatura baixa no começo do outono. O verão ainda reserva dias muito quentes e a segunda metade de fevereiro e a primeira de março pode ter dias de calor muito intenso. Nesse cenário de transição, a chuva seguiria com distribuição irregular no restante do verão e no outono com possibilidade de alguns períodos secos ou de chuva inferior à média mais longos. Historicamente, em anos que começam com La Niña, abril e maio podem ser muito secos.