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O último boletim da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos, a NOAA, o centro meteorológico e climático do governo norte-americano, indicou anomalia de temperatura da superfície do mar no Pacífico Equatorial Central (região denominada de Niño 3.4) de +0,7ºC. No Pacífico Equatorial Leste, próximo das costas do Peru e do Equador, a denominada região Niño 1+2, a anomalia de TSM foi de +0,8ºC na última semana. Como a região Niño 3.4 é utilizada para a classificação de El Niño ou La Niña, a anomalia de temperatura da superfície do mar nesta parte do oceano está em patamar de El Niño fraco.


Por três meses as anomalias de temperatura da superfície oceânica preenchem os critérios de El Niño, mas não se pode dizer ainda que exista episódio do fenômeno em andamento. A razão é simples e ao mesmo tempo complexa. Há uma expressão popular que diz que “se um não quer, dois não fazem”. Pois, para que haja um episódio de El Niño tanto o oceano como a atmosfera devem se comportar em modo de El Niño e isso não ocorreu ainda. Não houve o que, tecnicamente, se chama de acoplamento do oceano com a atmosfera em que as condições de El Niño de um e outro interagem se reforçando e sustentando o fenômeno. Grosso modo, somente um quis até agora, no caso o oceano. A atmosfera, não.

Analisando-se padrões de nebulosidade, pressão atmosférica e vento na faixa equatorial se observa que estes hoje não apresentam características de El Niño, ou seja, ainda não responderam ao aquecimento observado no oceano. Um dos principais indicadores é o chamado Índice de Oscilação Sul ou SOI em Inglês que é calculado pela diferença de pressão atmosférica entre o Taiti e Darwin. Valores positivos acompanham os eventos de La Niña e negativos os de El Niño. Ocorre que a média da SOI de 30 dias está hoje ainda positiva, quando deveria estar negativa estivesse a atmosfera em modo de El Niño.

A esmagadora maioria dos modelos climáticos indica a continuidade do aquecimento do Oceano Pacífico nos próximos meses. A Organização Meteorológica Mundial estima em mais de 80% a probabilidade de El Niño nos próximos meses. Já a NOAA dos Estados Unidos coloca a probabilidade em 80% a 90%. E aí está o grande “X da questão” para a MetSul Meteorologia. Em regra, um evento de El Niño se instala no inverno, entre junho e agosto, e atinge seu pico ao redor do Natal. Não à toa o nome El Niño que em espanhol significa menino e faz alusão ao comportamento da pesca durante o período de Natal, do menino Jesus, na costa peruana.

Estamos no período do ano que deveria marcar o auge de intensidade de um evento de El Niño e sequer temos um episódio declarado até o momento. Em 2002/2003 e 2014/2015 ocorreram eventos de El Niño tardios, mas se esse vier a se confirmar será absurdamente tardio. E atenção para esse dado. Nunca, não há precedentes, de um episódio de El Niño sendo declarado em janeiro ou fevereiro. E nessa época do ano é mais difícil que a atmosfera entre em fase com o oceano.


O que pode mudar isso é um evento de vento de Oeste na baixa atmosfera na parte central do Pacífico. Há dados indicando ainda que um evento desta natureza poderia estar em andamento e isso poderia determinar um acoplamento da atmosfera e oceano, contudo os dados ainda são muito preliminares.

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