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Amazônia registra queimadas em número muito inferior à média histórica neste mês de setembro enquanto o desmatamento na região cresce para máximos históricos | João Laet/AFP/MetSul Meteorologia

Este mês de setembro tem o menor número de queimadas na Amazônia em vários anos. Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais deste mês até o dia 20 mostram que houve o registro de 11.943 focos de calor. A média histórica mensal de setembro é de 32.778, a mais alta entre todos os meses do ano. Setembro, assim, deve terminar com muito menos fogo na Amazônia que os padrões históricos.

O recorde de fogo em setembro na Amazônia é de 2007, quando o Inpe registrou 73.141 focos de calor. O setembro com menos fogo da série histórico que se iniciou em 1998 foi o do ano 2000 com 10.062. O mês se encaminha para ser um dos de menor registro de queimadas no bioma Amazônia de toda a série de dados do instituto. Com isso, seis dos primeiros nove meses deste ano devem ter menos fogo que a média histórica no bioma.


Menos fogo, mais desmatamento

Nem tudo, contudo, é boa notícia. Uma área equivalente a cinco vezes o tamanho de Belo Horizonte foi desmatada na Amazônia apenas em agosto, o maior índice para o mês em 10 anos. Com isso, o acumulado desde janeiro de 2021 também ficou como o pior da década. Os dados são do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).

Com 1.606 km² de floresta destruída, agosto foi o quinto mês deste ano em que o desmatamento atingiu o pior cenário desde 2012. Março, abril, maio e julho também tiveram a maior área devastada em 10 anos, o que indica que as medidas tomadas para combater a derrubada não conseguiram baixar o ritmo do dano ambiental. Em relação a agosto do ano passado, a área desmatada neste ano é 7% superior. Já o acumulado de janeiro a agosto, de 7.715 km², é 48% maior do que no mesmo período de 2020.

Desde maio, o Pará segue consecutivamente no topo do ranking dos estados que mais desmataram na Amazônia, e teve 638 km² destruídos apenas em agosto. Essa área representa 40% de toda a devastação na Amazônia Legal e é maior do que São Luís. Além disso, em agosto, o Pará concentrou 6 das 10 unidades de conservação do ranking das que mais desmataram e metade dos municípios, terras indígenas e assentamentos.

Apenas os cinco municípios paraenses que figuram na lista dos 10 que mais desmataram, Altamira, São Félix do Xingu, Pacajá, Itaituba e Portel, concentraram 40% do total de desmatamento detectado no estado. Todos estão na lista do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que indica os municípios prioritários para prevenção, monitoramento e controle do desmatamento.


Na lista dos estados, o Amazonas segue pelo quarto mês consecutivo como o segundo que mais desmata na Amazônia, com 412 km² de floresta devastada em agosto (26% do total). Porém, no ranking dos municípios, duas cidades do sul amazonense ficaram em primeiro e em segundo lugar entre as maiores desmatadoras: Lábrea e Boca Acre. Ambas somaram 185 km² de destruição em agosto.

Com 236 km² de floresta desmatados em agosto (15% do total), o Acre entrou pela primeira vez no ano no terceiro lugar do ranking dos estados que mais destruíram a Amazônia. Apenas dois municípios, Sena Madureira e Feijó, somaram 95 km² de desmatamento, 40% do registrado no estado. O Acre também teve duas entre as 10 unidades de conservação com as maiores áreas destruídas em agosto, a Resex Chico Mendes e a Resex do Cazumbá-Iracema.

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