A MetSul Meteorologia adverte que o Rio Grande do Sul voltará e enfrentar cheias de rios com enchentes por um novo episódio de chuva volumosa e excessiva, que vai trazer acumulados de precipitação de até 200 mm ou mais em parte do estado.

Fotos de enchentes em Lajeado

Vale do Taquari (foto) tem risco de nova enchente | AGEU KERHWALD

Modelos numéricos por dias têm indicado este novo evento de instabilidade, que teve início na noite de ontem com tempestades de granizo do Centro para o Oeste gaúcho com a formação de uma frente quente, mas o pior da chuva está por chegar e vai vir com acumulados muito altos.

Esta frente quente é o momento inicial da instabilidade e traz chuva mais no Centro, parte do Oeste e o Nordeste gaúcho entre este domingo e a segunda-feira. Na sequência, uma área de baixa pressão vai reforçar a instabilidade com muita chuva na terça entre o Centro do estado, os vales, Grande Porto Alegre, Serra e o Litoral Norte.

Uma massa de ar excepcionalmente quente na parte central do continente, que vai trazer máximas de 40ºC a 45ºC no Centro-Oeste e no Sudeste do Brasil, contribui para reforçar a instabilidade ao fornecer energia para a formação de nuvens carregadas sobre o Rio Grande do Sul, o que também provoca temporais isolados.

Os dados analisados apontam que na quarta-feira a instabilidade deverá começar a se afastar com o avanço de ar seco e frio impulsionado por um ciclone no Atlântico, mas áreas mais ao Norte e ao Nordeste gaúcho ainda devem ter registro de chuva no início do dia.

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Modelos insistem em chuva excessiva a extrema

A quase totalidade das projeções dos modelos insiste em precipitação volumosa numa faixa que vai do Oeste do estado, passa por parte da Campanha, cruza o Centro gaúcho e vai até os vales e a Serra. Alguns estendem esta faixa de chuva volumosa para a região de Porto Alegre, área metropolitana e o Litoral Norte gaúcho, também com acumulados muito altos.

Nesta faixa do território gaúcho, onde deve se dar a chuva excessiva, vários municípios podem ter volumes de 100 mm a 200 mm até o final da terça-feira e o começo da quarta, mas há dados de vários modelos indicando a possibilidade de acumulados em alguns municípios de 200 mm a 300 mm.

Os mapas a seguir mostram as projeções de chuva atualizadas no começo deste domingo dos modelos alemão Icon e do de alta resolução WRF inicializado com o modelo europeu da MetSul Meteorologia.

Mapa de chuva

METSUL

Mapa de chuva

METSUL

Os mapas são claros em indicar um cenário de alto risco em que podem ocorrer volumes excessivos e até localmente extremos, o que reforça a preocupação porque deverá afetar áreas que passaram por outro episódio de chuva excessiva poucos dias atrás.

Haverá novas enchentes e deslizamentos

A MetSul Meteorologia adverte que a chuva excessiva a extrema nos próximos dias deve trazer problemas e transtornos no Rio Grande do Sul e no Sul e Leste de Santa Catarina. Estatísticas históricas do Brasil e do exterior mostram que o excesso de chuva causa mais vítimas fatais que vento forte ou tempestades, assim chuva extrema é situação de elevado perigo. Na onda de tempestades do último dia 21, que deixou seis vítimas fatais, quatro mortes foram resultado da chuva excessiva na Serra Gaúcha.

Enfatizamos que a chuva em alguns momentos deve ser forte a torrencial com acumulados muito altos em curto período (50 mm a 100 mm em poucas horas), o que pode trazer alagamentos e inundações repentinas tanto em áreas urbanas como em rurais.

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Será muito alto o risco de deslizamentos de terra em áreas de encostas de morros. Devem ocorrer ainda quedas de barreiras que podem gerar bloqueios parciais ou totais de rodovias estaduais e federais. Algumas estradas, particularmente municipais e rurais, devem se tornar intransitáveis com prováveis trechos e pontilhões cobertos pela água. Com a perspectiva de forte correnteza, trechos alagados devem se terminantemente evitados sob perigo de acidentes fatais.

Vários rios podem ter cheias com este novo episódio de chuva volumosa e haverá novas enchentes no estado. As bacias que mais preocupam são as que cruzam ou possuem nascentes no Oeste, Centro e o Nordeste do estado. Isso inclui os rios Ibirapuitã, Santa Maria, Vacacaí, Ibicuí, Jaguari, Pardo, Pardinho, Jacuí, Taquari, Caí, Sinos, Paranhana e Gravataí, dentre outros. Como vários destes rios desembocam no delta do Jacuí, em Porto Alegre, o Guaíba tende a ter nova cheia.

Nos próximos dias, com dados de chuva observada, será possível identificar quais rios são de maior risco de cheia e a MetSul Meteorologia emitirá os alertas correspondentes para cada bacia.

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