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O raiar do dia neste domingo trouxe belas imagens no Litoral Norte do Rio Grande do Sul com um dia de sol e temperatura muito agradável nas praias. Em Torres, o fotógrafo Luciano Muller foi para a beira da praia no final da madrugada a fim de registrar o belo começo de dia no balneário e acabou fotografando o sol com uma curiosa aparência no horizonte sobre o mar. O sol com aparência deformada e parecendo um cogumelo de uma explosão atômica e com formato retangular.

Amanhecer de hoje em Torres | Sandro Müller

Amanhecer de hoje em Torres | Sandro Müller

Afinal, o que aconteceu com o sol? Nada! O nome técnico deste tipo de aparição bem conhecida é “simulação de miragem” ou inglês “mock mirage”. O fenômeno óptico explicado pela Física ocorre quando uma ou mais camadas de inversão de temperatura se formam acima da superfície da água.


Tais camadas parecer cortar o sol em fatias horizontais, cada fatia tensionada ou comprimida de acordo com as propriedades refrativas da camada de inversão térmica. Estas parcelas de massa de ar sobre o oceano com diferentes temperaturas entre o observador no continente e o sol no horizonte acabam provocando o efeito de distorção.

As miragens são famosas pelos desertos, mas não apenas neles ocorrem. A miragem do tipo inferior de objetos astronômicos é a mais comum. Ela se dá quando a superfície da Terra ou dos oceanos produz uma camada de ar quente de menor densidade, logo na superfície. São duas imagens, a invertida e a ereta, na miragem inferior.

Ambos são deslocados da direção geométrica para o objeto real. Enquanto a imagem ereta é definida, a imagem invertida parece estar subindo da superfície, como se viu em Torres. A miragem inferior tem esse nome porque a imagem invertida aparece abaixo da ereta.

O escritor Júlio Verne, de tantas obras de ficção que encantaram crianças no mundo inteiro por décadas, chegou a descrever um pôr do sol com miragem inferior.


“Todos os olhos voltaram-se novamente para o Oeste. O sol parecia afundar-se com maior rapidez à medida que se aproximava do mar; lançava um longo rastro de luz ofuscante sobre a superfície trêmula da água; seu disco logo mudou de um tom de ouro velho para um vermelho ardente e, através de seus olhos semicerrados, parecia brilhar com todos os tons variados de um caleidoscópio. Linhas fracas e ondulantes marcavam a trilha trêmula de luz lançada na superfície da água, como uma massa salpicada de joias cintilantes. Nem o menor sinal de nuvem, neblina ou névoa era visível ao longo de todo o horizonte, que era tão claramente definido quanto uma linha preta traçada em papel branco. Imóvel e com intensa excitação, eles observaram o globo de fogo afundar cada vez mais perto do horizonte e, por um instante, pairar suspenso sobre o abismo. Então, pela refração dos raios, seu disco parecia mudar até se parecer com um vaso etrusco, com as laterais salientes, de pé sobre a água”.

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O que ocorreu em Torres, assim, foi um processo físico de refração dos raios solares em camadas de ar sobre o oceano com temperatura diferente. Uma miragem no termo técnico da ciência. Uma imagem curiosa para aprender algo novo do conhecimento científico e dos processos físicos que envolvem a luz e a nossa atmosfera.

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