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O El Niño é algo para ser levado a sério. Muito a sério. Traz fenômenos extremos ao redor do mundo com altos custos humanos, socais e econômicos. Inclusive para o Brasil. Ocorre que, assim como em episódios de fenômeno no passado, sempre que o El Niño passa a freqüentar a mídia surgem afirmações esdrúxulas de seus impactos. As mais variadas e algumas ridículas. E mal o Pacífico começa a apresentar sinais do fenômeno e já aparecem as primeiras teses absurdas. A rede BBC e alguns jornais ingleses como o The Independent publicam matérias com base numa universidade local dizendo que o El Niño – acredite – pode fazer a Inglaterra perder a Copa do Mundo, eis que os jogadores estão desacostumados com calor intenso.



A tese dos pesquisadores é de que o El Niño impactará o Brasil já agora em junho e julho. Os jornalistas citam em suas matérias climatologistas da Universidade de Reading, para quem o aumento da temperatura em razão do El Niño pode levar a condições de jogo “insuportáveis” (unberable) no Brasil. Não faria diferença em Manaus (já quente), segundo os cientistas ingleses, mas deixaria o tempo muito mais seco e quente em São Paulo e Belo Horizonte. Chegam a cogitar que a temperatura atinja valores perto de 40ºC nas capitais mineira e paulista, tal como os ingleses enfrentaram no México em 70.


“Pateticamente absurdo”, comentou o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall sobre os jogos da Inglaterra ocorrerem com temperatura perto de 40ºC em São Paulo ou Belo Horizonte. “Nem no verão as duas cidades registram temperatura neste patamar que está muito acima dos recordes históricos”, diz Nachtigall. Observa que no El Niño de 2009 junho teve até temperatura abaixo da média no Sudeste, diferentemente de 2002 que foi de temperatura muito acima da média, mas jamais em valores próximos de 40ºC. No quente junho de 2002, a maior máxima em junho no Mirante do Santana (Inmet), em São Paulo, foi de 28,4ºC. Em julho de 29,5ºC. Já em Belo Horizonte, a maior máxima foi de 28ºC em junho e de 28,8ºC em julho.



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“A possibilidade do aquecimento em curso no Pacifico contribuir para dias e períodos mais quentes que a média durante a Copa do Mundo é real no Brasil Central , sobretudo em julho, mas as máximas seriam na maioria dos dias agradáveis e incapazes de custar o torneio a qualquer seleção”, enfatiza Nachtigall. Desconhecimento inglês ou vacina ? #ImaginaNoQatar

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