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Talvez nenhum dia tenha sido tão tenso, nervoso e dramático para os meteorologistas do Sul do Brasil como o 27 de março de 2004, exatamente há 10 anos no dia de hoje. Foi quando o já formado furacão Catarina ganhou muita força e se organizou de forma bastante simétrica no litoral à medida que ficava mais próxima da costa. A tempestade a cada hora era mais intensa no mar e inexistiam dados confiáveis sobre velocidade de vento pela ausência de bóias. Havia um monstro no oceano, porém não se sabia qual era a sua real força. Os únicos dados de vento que vinham eram estimativas do satélite Quickscat, que estão longe de oferecer uma ideia real. Melhor indicativo se tinha pela estimativa da escala Dvorak de ciclones tropicais que conferia nas últimas horas que precederam ao landfall um número 4.5, equivalente a vento sustentado em um minuto de 77 nós ou 142 km/h. Com base nas imagens de satélite e na escala Dvorak mantivemos o alerta de furacão no dia 27 e elevamos o tom da gravidade à medida que era cada vez mais evidente que estávamos a poucas horas de situação sem precedentes.


A sua trajetória exata era um desafio de previsão, já que, diferentemente de outras partes do mundo, não existiam modelos de computador específicos para ciclones tropicais no Atlântico Sul. Sabia-se e se alertava ainda na sexta-feira (26/3) que o Catarina tocaria terra em algum ponto entre os litorais do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, mas não se tinha certeza exatamente sobre qual ponto. Quase toda a área entre Tramandaí e Florianópolis estava no cone de risco (nos Estados Unidos o cone de risco também chega a alcançar centenas de quilômetros na previsão de furacões). No fim do dia, alteração de rota levou o furacão para Torres e o Sul catarinense, que começaram a sofrer os efeitos do vento e da chuva com força à noite.  



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O sábado, 27 de março de 2004, foi marcado ainda por um caos de informação na mídia e autoridades perdidas sobre como reagir ao desastre que se avizinhava. Isso fez com que um dia já extremamente tenso se tornasse pior, aliás  muito pior. Enxergava-se um quadro grave e de conseqüências muito sérias, mas se consumia precioso tempo que deveria ser usado para previsão e alerta para atender a mídia em dúvida diante de algumas afirmações que o impacto não seria significativo ou que o fenômemo não passava de um mero ciclone extratropical, fenômeno recorrente e ordinário na nossa região. Ao medo e incerteza somava-se a desinformação. As últimas horas antes do Catarina tocar terra foram um desastre dentro do desastre.

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