Um forte terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na manhã desta segunda-feira (10) e provocou mortes, feridos, desabamentos e danos em diferentes cidades do país. O epicentro foi localizado pelo Serviço Geológico Colombiano (SGC) nas proximidades de San José del Palmar, no departamento de Chocó.

Foto do terremoto na Colômbia

Destroços de estabelecimento comercial após o terremoto em Manizales, Colômbia, nesta segunda-feira | JOHN BONILLA/AFP/METSUL

O tremor ocorreu às 7h34, hora local, com profundidade de 96 quilômetros. O movimento foi sentido em praticamente todo o território colombiano e também foi percebido em partes de Venezuela, Equador e Panamá. O SGC classificou o evento como um dos maiores terremotos registrados no país na última década.

Os primeiros levantamentos apontaram vítimas fatais e feridos em diferentes pontos. No departamento de Chocó, a Oficina de Gestão do Risco informou inicialmente uma pessoa morta, dez feridos e três desaparecidos. Também foram relatados graves danos em edificações de Quibdó, capital departamental.

Manizales, no departamento de Caldas, apareceu entre as cidades mais atingidas. O prefeito Jorge Eduardo Rojas informou duas mortes e relatou o colapso de mais de dez edifícios e cerca de 20 residências. Dois hospitais, dois colégios e várias igrejas também sofreram danos estruturais, incluindo a Catedral Basílica da cidade.

Em Cali, no departamento de Valle del Cauca, o prefeito Alejandro Eder informou que pelo menos 19 estruturas haviam sido afetadas, com relatos de pessoas presas em edificações. Equipes de emergência foram mobilizadas e houve pedido de reforço de equipes de resgate de Bogotá e Medellín.

Pereira também registrou danos importantes. Imagens divulgadas após o terremoto mostraram problemas em edificações e no Aeroporto Internacional Matecaña. A infraestrutura aeroportuária passou por inspeções antes da retomada das operações, devido à necessidade de verificar possíveis danos estruturais.

O impacto alcançou ainda outras cidades do centro e oeste da Colômbia. Em Bogotá, as autoridades informaram inicialmente que não havia grandes danos estruturais, embora tenham sido identificadas algumas rachaduras em edifícios. Em Medellín, o sistema de metrô e os Metrocables foram temporariamente fechados para inspeção da infraestrutura.

Também houve deslizamentos provocados pelo tremor. Um deles bloqueou completamente a estrada entre Fresno e Manizales, enquanto equipes de emergência avaliavam a situação e os riscos antes de iniciar a retirada dos materiais.

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A placa de Nazca

Além da destruição observada nas cidades, o terremoto voltou a chamar atenção para uma característica geológica fundamental da Colômbia: a intensa atividade sísmica no oeste do país.

O SGC explica que os terremotos registrados nessa região estão relacionados à dinâmica tectônica natural do oeste colombiano. Entre os principais processos está a subducção da placa de Nazca sob a placa Sul-Americana.

A subducção ocorre quando uma placa tectônica mergulha para baixo de outra. Esse processo acontece continuamente e provoca deformações e acúmulo de tensão nas rochas. Quando a tensão acumulada supera a resistência das rochas, ocorre uma ruptura e parte da energia armazenada é liberada na forma de ondas sísmicas.

É essa dinâmica que ajuda a explicar por que o Pacífico colombiano e áreas próximas apresentam elevada frequência de terremotos. O território colombiano está localizado em uma região de encontro de diferentes placas tectônicas. A interação entre essas estruturas torna o país naturalmente sujeito a terremotos.

Sismo sentido em países vizinhos

O epicentro do terremoto desta segunda-feira ficou próximo de San José del Palmar, em Chocó. A localização não é casual do ponto de vista geológico. O departamento está inserido no oeste colombiano, uma das áreas onde a dinâmica tectônica é particularmente importante para explicar a ocorrência de terremotos.

Foto do terremoto na Colômbia

Danos na Catedral de Manizales após o terremoto na Colômbia, nesta segunda-feira | ANDRES VALENCIA/AFP/METSUL

Foto do terremoto em Manizales

Destroços espalhados por uma rua após o terremoto em Manizales, Colômbia, nesta segunda-feira | JOHN BONILLA/AFP/METSUL

O evento, porém, não ficou restrito ao entorno do epicentro. A magnitude elevada permitiu que as ondas sísmicas percorressem grandes distâncias, fazendo o tremor ser sentido em cidades localizadas a centenas de quilômetros. O próprio SGC informou que o terremoto foi percebido em todo o país e também em Venezuela, Equador e Panamá.

Terremoto foi mais profundo

O terremoto teve profundidade de 96 quilômetros. Trata-se de um evento de profundidade intermediária. A profundidade influencia diretamente a forma como a energia sísmica se distribui pela superfície. Também ajuda a explicar por que um terremoto pode ser sentido em uma área muito extensa.

Entretanto, profundidade e magnitude não são os únicos fatores que determinam os danos. A distância em relação ao epicentro, o tipo de solo, a qualidade das construções e a vulnerabilidade das cidades são igualmente importantes para determinar os efeitos de um terremoto. Por isso, um mesmo evento pode produzir danos graves em uma cidade e efeitos relativamente pequenos em outra.

Réplicas agora oferecem risco

Depois do terremoto principal, foram registrados novos tremores. O SGC informou inicialmente duas réplicas, de magnitudes 2,8 e 4,8. Esta última foi amplamente sentida pela população. As réplicas ocorrem porque a ruptura provocada pelo terremoto principal altera a distribuição das tensões nas rochas ao redor da área que sofreu o deslocamento.

A ocorrência de novos tremores após um terremoto de grande magnitude é, portanto, esperada. Isso não significa automaticamente que haverá outro terremoto de magnitude semelhante. As autoridades, entretanto, precisam manter o monitoramento porque novas rupturas podem provocar danos adicionais em estruturas que já tenham sido enfraquecidas pelo primeiro movimento.

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Sem ameaça de tsunami

Apesar de o terremoto ter ocorrido no oeste da Colômbia, próximo à região do Pacífico, a Autoridade Marítima Colombiana, Dimar, descartou ameaça de tsunami para a costa colombiana. Um terremoto não provoca automaticamente um tsunami. Para que uma onda desse tipo seja gerada, é necessário que existam condições específicas, principalmente um deslocamento significativo do fundo oceânico. No caso do evento desta segunda-feira, as autoridades concluíram que não havia ameaça de tsunami para a costa do país.

Uma região de alto risco sísmico

A elevada atividade sísmica colombiana faz com que o país mantenha uma estrutura permanente de monitoramento. O Serviço Geológico Colombiano acompanha os terremotos por meio de sua rede sismológica e consegue determinar parâmetros como localização, profundidade e magnitude dos eventos.

A rapidez na obtenção dessas informações é fundamental durante uma emergência. Os primeiros dados permitem orientar as autoridades e direcionar as equipes de resposta para as áreas potencialmente mais afetadas. O terremoto desta segunda-feira também mostra que a distância do epicentro não significa necessariamente ausência de impactos.

Mesmo cidades localizadas longe de San José del Palmar registraram danos, desabamentos, rachaduras, interrupções de serviços e evacuações preventivas. A intensidade dos efeitos depende de uma combinação de fatores, entre eles a energia liberada, a profundidade do terremoto, a distância, as características do terreno e a resistência das construções

Não é raro que fortes terremotos ocorram nos países do Círculo de Fogo do Pacífico, como o que se registrou no começo desta semana na Indonésia, com centenas de mortos e feridos. O país foi o epicentro do sismo de 2004 que gerou o tsunami que provocou mais de 200 mil mortes.

O Círculo de Fogo do Pacífico é formado pelo encontro de várias placas tectônicas, tornando a região uma zona com alta frequência de terremotos e tsunamis. Esta área é responsável por cerca de 90% dos abalos sísmicos e de 50% dos vulcões existentes em todo o planeta.

O chamado círculo percorre toda a extensão da costa do Oceano Pacífico. Começa com uma ramificação no Oceano Índico e segue pela Indonésia, Sumatra e Malásia até a Placa das Filipinas. Então, o anel abrange toda a Placa do Pacífico, a Placa Juan de Fuca (localizada em frente à costa do Canadá e dos estados americanos de Washington e Oregon), a Placa de Cocos (localizado no Pacífico em frente à América Central) e a Placa de Nazca (junto à América do Sul).