Duas torres de transmissão de energia elétrica foram derrubadas pela força dos ventos e acabaram dentro da Lagoa Mirim, no Sul do Rio Grande do Sul, durante o ciclone que atingiu o Estado na quinta-feira (6).

Fotos de torres derrubadas pelo vento na Lagoa Mirim

CEEE EQUATORIAL E AXIA ENERGIA

As estruturas pertenciam ao sistema de transmissão que atende os municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí, no extremo sul gaúcho. Com a intensidade da ventania, as torres se partiram e ficaram deformadas antes de cair na água.

Ao todo, 26 torres do sistema de transmissão foram danificadas pelo temporal. Equipes da CEEE Equatorial e da Axia Energia atuaram na retirada das estruturas que caíram na Lagoa Mirim e na reconstrução das torres atingidas.

Mais de 90 profissionais participaram da operação ao longo do dia. O trabalho envolveu uma força-tarefa para recuperar a infraestrutura e restabelecer o fornecimento de energia nas áreas afetadas.

As duas torres que caíram na lagoa fazem parte da linha responsável pelo atendimento de Santa Vitória do Palmar e Chuí. Para reduzir os impactos da interrupção no fornecimento, geradores foram disponibilizados em pontos considerados essenciais e indicados pelas prefeituras dos dois municípios.

A companhia destacou que a dimensão dos danos exigiu uma atuação rápida e coordenada das equipes. A operação, segundo a empresa, é complexa e envolve diferentes frentes de trabalho.

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A retirada das torres da Lagoa Mirim e a reconstrução das estruturas danificadas fazem parte da operação para recuperar o sistema de transmissão atingido pela forte tempestade.

Vento prejudica trabalho de reparos

A CEEE Equatorial e Axia Energia informam que os trabalhos para a reconstrução de duas torres de transmissão, que levam energia aos municípios de Santa Vitória do Palmar e Chuí, no Rio Grande do Sul, continuam.

O avanço ao longo do dia de ontem e hoje foi bastante afetado pelos ventos que atingem a região. Nesta segunda-feira, esse cenário impediu que o helicóptero utilizado no apoio à montagem das estruturas fizesse o içamento e encaixe das torres em condições seguras.

Todos os equipamentos e profissionais necessários para os reparos estão na região e estão mobilizados, sendo possível o prosseguimento dos trabalhos assim que as condições meteorológicas permitirem.

Torres são projetadas para resistir a vento de até 150 km/h

As torres de transmissão de energia elétrica no Brasil são projetadas de acordo com normas técnicas como a ABNT NBR 5422, que estabelece critérios para o projeto de linhas aéreas de transmissão, e a ABNT NBR 6123, relacionada às forças provocadas pelo vento, além de diretrizes internacionais da IEC 60826.

De forma geral, torres metálicas de transmissão são dimensionadas para suportar rajadas de vento na faixa de 120 km/h a 150 km/h, ou aproximadamente 33 m/s a 42 m/s. A velocidade considerada no projeto varia conforme o mapa de ventos da região, a rugosidade do terreno e a altura da estrutura. Em locais mais expostos, como travessias sobre rios e lagoas, podem ser adotados coeficientes de segurança maiores devido à menor presença de barreiras naturais capazes de reduzir a força do vento.

Mesmo projetadas para resistir a condições severas, as torres podem sofrer tombamento ou colapso quando submetidas a fenômenos extremos ou a uma combinação excepcional de fatores. Microexplosões, também conhecidas como downbursts, e tornados podem produzir ventos muito superiores aos considerados nas condições normais de projeto, com velocidades pontuais que podem ultrapassar 160 km/h e, em alguns casos, chegar ou superar 200 km/h.

Além da velocidade do vento, cargas assimétricas também podem aumentar significativamente os esforços sobre a estrutura. O rompimento de um cabo condutor ou rajadas com mudanças bruscas de direção, por exemplo, pode provocar forças de torção e tração excepcionais sobre a treliça metálica.

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Outro fator de risco está relacionado à fundação das torres, especialmente quando as estruturas estão instaladas em áreas alagadas ou sobre corpos d’água. A erosão do solo ao redor dos pilares de sustentação, conhecida como scour, pode comprometer a estabilidade da base e reduzir a capacidade de resistência da estrutura.

Vibrações provocadas pelo vento e pela movimentação da água também podem contribuir para o enfraquecimento do sistema de sustentação. Assim, embora as torres sejam calculadas para suportar ventos muito fortes, eventos meteorológicos excepcionalmente intensos, combinados com fatores estruturais ou de fundação, podem levar à deformação, à ruptura ou até ao colapso completo da torre.

A quanto chegou o vento

A onda de tempestades associada ao ciclone que atingiu o Rio Grande do Sul na quinta-feira (6) provocou rajadas de vento de intensidade excepcional em diversas regiões do Estado. O vento mais forte do levantamento chegou a 134 km/h em General Câmara, na Região Carbonífera.

Porto Alegre também registrou uma rajada extremamente forte, de 132 km/h. O dado coloca a Capital entre os locais com os maiores registros de vento durante a passagem das tempestades.

A força da ventania também foi expressiva em outras áreas. Em Capela de Santana e São Pedro do Sul, as rajadas chegaram a 117 km/h, enquanto Picada Café teve 114 km/h. Canoas e São Gabriel registraram 113 km/h.

Outros municípios tiveram vento acima de 100 km/h. Rolante chegou a 112 km/h, Pouso Novo a 111 km/h e Eldorado do Sul e São Lourenço do Sul registraram 107 km/h. Charqueadas e Arroio Grande tiveram rajadas de 104 km/h.