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Um forte terremoto de magnitude 7,1 atingiu a Venezuela na noite desta quarta-feira e provocou momentos de pânico em Caracas e em diversas cidades do norte do país. O tremor foi sentido em uma ampla área da América do Sul e do Caribe, levando milhares de pessoas a deixarem prédios, casas e centros comerciais.

Foto mostra o terremoto em Caracas

MANAURE QUINTERO/AFP/METSUL

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o terremoto ocorreu às 22h04 UTC (19h04 em Brasilia). O epicentro foi localizado próximo à cidade de Morón, no estado de Carabobo, na costa do Caribe. O foco do sismo teve cerca de 13 quilômetros de profundidade, sendo considerado raso.

Terremotos rasos costumam produzir vibrações muito mais intensas na superfície. Por isso, mesmo quando ocorrem a dezenas de quilômetros de grandes cidades, podem provocar danos significativos em edifícios, infraestrutura e redes de serviços essenciais. Logo após o tremor principal, várias réplicas foram registradas.

Os novos abalos aumentaram a apreensão da população e levaram as autoridades a manter equipes de emergência mobilizadas durante toda a noite para monitorar a situação. Em Caracas, edifícios altos balançaram por vários segundos.

Moradores e trabalhadores abandonaram rapidamente apartamentos, escritórios, hotéis e centros comerciais. Muitos permaneceram nas ruas aguardando autorização para retornar aos imóveis. Jornalistas da agência AFP relataram cenas de desespero em um shopping center da capital. Clientes correram para as saídas enquanto funcionários orientavam a evacuação.

O clima era de medo diante da intensidade do tremor. Vídeos publicados nas redes sociais mostram objetos caindo de prateleiras, luminárias balançando, televisores vibrando e pessoas tentando buscar abrigo. Em muitas gravações é possível ouvir gritos durante os segundos em que o solo permaneceu em movimento.

JUAN BARRETO/AFP/METSUL

JUAN BARRETO/AFP/METSUL

Outras imagens revelam rachaduras em fachadas, paredes parcialmente desabadas e muita poeira em alguns bairros da capital. Também há registros de danos em prédios residenciais e comerciais que serão avaliados pelas equipes técnicas.

O ministro do Interior informou que casas e edifícios sofreram desabamentos em algumas áreas atingidas. Equipes de bombeiros e defesa civil foram enviadas para verificar os danos e prestar atendimento às regiões mais afetadas. Até o momento, não havia confirmação oficial de mortos ou feridos.

As autoridades também não divulgaram uma estimativa dos prejuízos materiais provocados pelo terremoto, enquanto as inspeções continuam em diferentes cidades.

JUAN BARRETO/AFP/METSUL

JUAN BARRETO/AFP/METSUL

O terremoto foi sentido também na Colômbia. Em Bogotá, moradores relataram o balanço de edifícios e deixaram escritórios e apartamentos por precaução. Alarmes de emergência foram acionados em vários prédios.

As autoridades colombianas informaram que não houve registro imediato de danos importantes. A Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres também descartou risco de tsunami para o litoral colombiano.

O Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos emitiu inicialmente um aviso para áreas costeiras próximas ao epicentro. A avaliação incluía partes da Venezuela e ilhas do Caribe, como Aruba, Curaçao, Bonaire, Porto Rico e Ilhas Virgens. A região do epicentro abriga importantes instalações da indústria petrolífera venezuelana. Até o fechamento desta reportagem, não havia informações sobre danos relevantes em refinarias ou interrupções na produção de petróleo.

A Venezuela está localizada sobre o limite entre a Placa do Caribe e a Placa Sul-Americana. O movimento constante entre essas placas tectônicas faz do norte do país uma das regiões de maior atividade sísmica da América do Sul. Segundo estudos geológicos, cerca de 80% da população venezuelana vive em áreas com elevado risco sísmico.

Os maiores centros urbanos concentram-se justamente na faixa norte do país, onde ocorrem os principais terremotos. Especialistas explicam que terremotos dessa magnitude podem produzir fortes tremores em um raio de centenas de quilômetros.

Também é comum que sejam seguidos por réplicas durante vários dias ou até semanas. As equipes de emergência continuam vistoriando pontes, hospitais, escolas e edifícios públicos para verificar possíveis danos estruturais.  A orientação é que moradores evitem imóveis com rachaduras até a conclusão das inspeções.

O terremoto desta quarta-feira está entre os mais fortes registrados na Venezuela nos últimos anos. As autoridades seguem monitorando a situação enquanto avaliam os impactos e mantêm a população informada sobre novos desdobramentos.