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Vídeo mostra a chegada em Guaíba do temporal que provocou destruição na cidade da Grande Porto Alegre. O registro foi feito a partir de Porto Alegre por Thomas Adamski com câmera de monitoramento direcionada para Sudoeste e que em recurso de time lapse (vídeo em velocidade acelerada) captou o avanço do temporal sobre o município vizinho, na outra margem do Lago Guaíba.


O vídeo mostra claramente como se tratou de uma célula de tempestade com uma cortina de chuva muito pesada em sua base (downdraft), o que explica as correntes de vento descendentes da nuvem violentas (downburst), acompanhando o forte e subido resfriamento gerado pela chuva torrencial.

A célula de tempestade se formou na Região Carbonífera e avançou para a Grande Porto Alegre. A nuvem de temporal se formou em uma atmosfera muito aquecida e úmida em tarde em que a temperatura atingiu 38ºC na área metropolitana e passou de 42ºC no Noroeste gaúcho. Os elevados valores de água precipitável registrados por sondagens atmosféricas eram indicativos de elevada umidade na atmosfera que, junto com o ar quente, formou a célula de tempestade.


O violento vendaval com fortes características de dowburst (corrente violenta de vento descendente de uma nuvem de tempestade) causou muitos estragos em Guaíba. Foi um dos piores temporais da história do munícipio com danos graves em diversos bairros. Não houve vítimas, entretanto os prejuízos materiais são significativos com destelhamentos de casas, empresas e prédios públicos, muitos postes caídos e colapso de estruturas.

A Prefeitura de Guaíba decretou situação de emergência imediatamente após o temporal e antes mesmo de um levantamento completo dos estragos ante a gravidade do episódio de tempo severo que se abateu sobre a cidade. A prefeita em exercício Claudinha Jardim instituiu um comitê de crise para atender rapidamente a população que sofreu os impactos do que as autoridades municipais descreveram como uma “calamidade”, organizar o trânsito e a retirada de árvores caídas e para restabelecer rapidamente o serviço público que também foi impactado pelo temporal.

As evidências neste momento indicam que correntes violentas de vento descendentes, o que se denomina de micro-explosão (não é uma explosão propriamente dita) ou downburst em inglês, tenham ocorrido sob a célula de tempestade que afetou a localidade da Grande Porto Alegre. Células de tempestade muito intensas podem produzir múltiplos microbursts e às vezes podem ocorrer um tornado envolto em chuva acompanhando, apesar de por ora e numa análise muito preliminar não existirem evidências de que tenha havido um tornado.

Este tipo de fenômeno, downburst ou micro-explosão, é capaz de produzir vento tão forte quanto acima de 150 km/h, mas agora não há dados ainda suficientes de danos para estimar a velocidade do vento ocorrido na cidade de Guaíba que não possui estação meteorológica. O que é uma certeza é que o vento passou facilmente de 100 km/h.

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