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Intensas rajadas de vento Zonda causaram danos hoje no Noroeste da Argentina | Edelar/Divulgação

Vento Zonda muito seco e quente atingiu neste sábado a Argentina e causo estragos. As intensas rajadas de vento atingiram principalmente as províncias de La Rioja e Catamarca com danos em alguns pontos. A localidade mais atingida foi a de Vinchina, em La Rioja, onde a ventania derrubou 50 postes de energia de média e baixa tensão.

Somente uma cidade de La Rioja teve queda de 50 postes e transformadores | Edelar/Divulgação

Muitos postes não resistiram à força do Zonda neste sábado | Edelar/Divulgação

O governo da província declarou emergência energética para restabelecer a luz nas áreas mais afetadas com a reposição de postes e transformados danificados pelo vento. A empresa Edelar convocou profissionais de outras regiões para reforçar as equipes que vão trabalhar no restabelecimento da energia.


A região castigada estava sob alerta nível laranja do Serviço Meteorológico Nacional da Argentina (SMN) até o final deste sábado ante a probabilidade de ocorrência de fortes a intensas rajadas do vento Zonda.

O que é o vento Zonda

O Zonda é um vento típico do Oeste argentino e se caracteriza por ser persistente e com intensas rajadas. É muito quente e extremamente seco, não raro reduzindo a umidade relativa do ar a valores até abaixo de 5% a 10%. O Zonda descende das montanhas dos Andes e sua direção predominante é de Oeste.

Ocorre em regra quando há instabilidade no outro lado da Cordilheira dos Andes, no lado chileno da cadeia montanhosa. Rajadas acima de 100 km/h podem ocorrer e costumam ocorrer transtornos como falta de luz e destelhamentos, queda de árvores, além de alto risco de incêndios. A temperatura se eleva acentuadamente, especialmente na região de Mendoza.

De acordo com o Serviço Meteorológico Nacional da Argentina, o Zonda se produz quando o ar úmido do Oceano Pacífico ascende pela Cordilheira do Andes, deixa a sua umidade no lado chileno e descende no lado argentino com ar muito seco que esquenta rapidamente à medida que descende no setor argentino da cadeia montanhosa.

O SMN enfatiza que pode ocorrer em qualquer época do ano, mas é mais recorrente entre os meses de maio e agosto. Ainda segundo o órgão meteorológico argentino, é mais comum se dar em horas da tarde que em outros momentos do dia. Às vezes não alcança a superfície e se denomina de “Zonda de altura”.

Fenômeno semelhante ocorre em outras partes do mundo com cadeias montanhosas com diferentes nomes. São os casos do Chinook nos Estados Unidos e no Canadá, Foehn nos Alpes europeus, Canterbury na Nova Zelândia e vento Berg na África do Sul.

Impactos do Zonda nas pessoas

Segundo o SMN, o vento Zonda tem efeitos no ser humano e que são estudos pela chamada Biometeorologia. O vento muito seco e quente, diz o órgão, pode trazer alteração do ritmo cardíaco, irritabilidade, angústia e depressão, o que já foi documentado em diversos estudos em diferentes partes do mundo.

Ademais, existem estudos que apontam um aumento das ocorrências de acidente de trânsito, mortes por enfarte e atos e violência e criminosos. Na Europa, a legislação até considera a ocorrência do vento Foehn, quando do julgamento de delitos cometidos sob a sua incidência.


Rio Grande do Sul tem vento semelhante ao Zonda

O meteorologista da MetSul Luiz Fernando Nachtigall explica que o processo físico que leva ao vento no Oeste argentino é conhecido como aquecimento adiabático em que o ar ao descender a montanha com o forte vento se comprime e aquece, trazendo o calor.

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“É o mesmo processo que traz calor durante a noite e madrugada com rajadas de vento Norte em Santa Maria e nos vales do Rio Grande do Sul quando há uma corrente de jato em baixos níveis precedendo uma frente fria ou acompanhando a formação de um ciclone”, destaca Nachtigall.

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