
Vento muito intenso do ciclone trará danos e transtornos nesta quinta-feira | PMPA
O primeiro dia da atuação do ciclone no estado nesta quarta, quando o sistema se formou sobre o Rio Grande do Sul, foi marcado por chuva volumosa e tempestades severas de granizo e vento. Milhares de casas tiveram danos por granizo, especialmente em Sobradinho, e vendavais deixaram destruição depois no Noroeste.
Na madrugada, o ingresso de ar quente a partir do Norte organizou frente quente na Metade Norte com granizo em diversas cidades. Em algumas, as pedras foram grandes. À tarde, com o ciclone se intensificando sobre o estado, poderosa linha de instabilidade de quase mil quilômetros de extensão se organizou do Rio Grande do Sul até o Paraguai.
⚡️AGORA | Impressionante linha de tempestades associada ao ciclone do Rio Grande do Sul ao Paraguai por quase mil quilômetros. Não é todo dia que se vê algo assim. Acompanhe os raios em https://t.co/JSCib3FUN7. pic.twitter.com/i7yPvTYHPY
— MetSul Meteorologia (@metsul) July 12, 2023
Esta impressionante linha de instabilidade acabou produzindo vendavais e alguns violentos por onda passava, tal como se viu no ciclone bomba de 2020 que teve uma situação bastante semelhante. Várias cidades do Noroeste gaúcho tiveram danos.
🔴 ATENÇÃO | Imagens mostram efeitos de violento vendaval na BR-468, perto de Palmeira das Missões, no Noroeste gaúcho. Vento chegou a tombar caminhão na estrada. Estação oficial em Palmeira acusou 95 km/h, mas neste trecho da estrada danos sugerem vento muito superior. pic.twitter.com/Wfaml7sJzQ
— MetSul Meteorologia (@metsul) July 12, 2023
🔴 ATENÇÃO | Vendaval causa destruição no município de Nova Candelária, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Linha de instabilidade com alguns violentos vendavais ingressa agora no Oeste catarinense. 📷Fabiane Hammes pic.twitter.com/02xHmfjJwY
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🔴 ATENÇÃO | Violento vendaval em Cerro Largo, no Noroeste gaúcho. Vídeo de Luís Taube. Efeito da perigosa linha de instabilidade avançando pelo Paraguai e Noroeste gaúcho. Leia o alerta em https://t.co/k9enWzFIZp. pic.twitter.com/K8K5YcsSHm
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Vento destrutivo de curta duração, de segundos ou minutos, como é comum em temporal. Nesta quinta, o vento não é de temporal. É de circulação ciclônica, em que as rajadas fortes a intensas duram horas seguidas.
No começo da noite desta quarta, os ventos ciclônicos começavam a ser sentidos no estado, inicialmente pelo Sul, a Campanha e o Oeste. Até 19h, as rajadas já atingiam 76 km/h em Bagé, 71 km/h em Dom Pedrito e 70 km/h no Chuí.
Diferentemente da maioria dos ciclones em que o vento intenso se concentra no Sul e no Leste do estado, o vento nesta quinta será forte a intenso em grande parte do estado com rajadas de 60 km/h a 90 km/h na maior parte dos municípios, o que trará enorme impacto no setor elétrico. Cidades do Centro, da Campanha, do Oeste e do Norte do estado terão rajadas de 70 a 90 km/h. No Sul gaúcho, em muitos pontos, de 80 a 100 km/h e isoladamente superiores.
O mapa abaixo mostra a projeção de vento máximo pelo nosso modelo de alta resolução WRF. Primeiro, note como o vento forte será generalizado. Atente ainda como setores dos litorais gaúcho e catarinense podem ter vento de 100 km/h a 120 km/h e isoladamente superiores, da mesma forma como as áreas de maior altitude do Leste de Santa Catarina, na Serra, terão vento acima de 120 km/h.
O ciclone será muito intenso e estará perigosamente perto da costa, projetando-se centro de 989 hPa (pressão baixíssima) logo a Leste de Mostardas sobre o mar de manhã. Aí está uma mudança importante.
Os modelos, em geral, até terça, indicavam o sistema pouco mais longe da costa. Agora, o sistema com grande intensidade, estará muito perto do litoral e isso nos faz aumentar as projeções de vento. Veja a diferença de projeção para a manhã desta quinta do modelo europeu na saída das 12Z de ontem e na saída das 12Z de hoje. Observam-se ainda baixas secundárias junto ao centro do ciclone, potencializando o vento forte.
Em Porto Alegre, rajadas em média de 80 km/h a 90 km/h, mas alguns pontos, sobretudo ao Sul da cidade, podem ter mais de 100 km/h. No extremo Sul, em Itapuã, assim como na Lagoa dos Patos, as rajadas passam de 100 km/h.
No Litoral, de Sul a Norte, na maior parte das cidades, rajadas entre 80 km/h e 100 km/h, mas em trechos da orla chance de 110 km/h a 120 km/h ou mais. Na borda da Serra junto ao litoral, nos Aparados, rajadas de 100 km/h a 130 km/h.
Rajadas perto e acima de 100 km/h ainda em muitos pontos do Leste de Santa Catarina com 70 km/h a 90 km/h em quase toda a costa e mais de 100 km/h em diferentes pontos da orla. Vento será extremo, acima de 120 km/h, em trechos da Serra Catarinense numa faixa do Planalto Sul até o Oeste da Grande Florianópolis. Na área do Mirante da Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra, por exemplo, vento de 130 km/h a 150 km/h no pico amanhã.
Forte ventania afetará ainda o Leste do Paraná e o Sul e o Leste de São Paulo. Rajadas intensas de vento quente e seco de Noroeste devem atingir a capital paulista amanhã. O vento forte deve chegar ainda ao estado do Rio de Janeiro, sobretudo na costa.
No Rio Grande do Sul, o pior do vento se dá entre a madrugada e o meio da tarde com o máximo na maioria das cidades durante a manhã. À tarde, o vento enfraquece na maioria das áreas, mas ainda sopra com rajadas, mais esporádicas, no Leste no Nordeste gaúcho. À noite, com o ciclone mais longe, o vento será fraco a moderado em quase todos os municípios.
Devem ser esperados transtornos como quedas de muitas árvores e postes, colapso de estruturas e destelhamentos. Com vento forte mais abrangente que o comum em ciclones e rajadas intensas em muitos locais por muitas horas seguidas, problemas na rede elétrica no Rio Grande do Sul podem ser de grande escala, o que afetaria bastante a rede da CEEE Equatorial, que historicamente tem maiores impactos em ciclones, e desta vez – pela abrangência – também com efeitos relevantes a RGE. Será evento que reúne as características para afetar centenas de milhares de consumidores.