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Um novo site na internet permite saber onde estava o local da sua casa no planeta 300 milhões de anos atrás. A ferramenta, chamada Paleolatitude.org, foi criada por uma equipe internacional de cientistas liderada pela Universidade de Utrecht, na Holanda, e oferece ao público uma viagem impressionante pela história geológica da Terra.

Imagem do planeta Terra

USGS

Com apenas alguns cliques, qualquer pessoa pode inserir sua localização atual e descobrir em que latitude aquele ponto estava em diferentes períodos do passado, remontando até cerca de 320 milhões de anos, quando os continentes formavam a supermassa de terra conhecida como Pangeia.

O recurso funciona como uma máquina do tempo geológica. Em vez de mostrar dinossauros ou florestas antigas, ele revela como o movimento das placas tectônicas deslocou continentes inteiros ao longo de milhões de anos. Isso significa que o terreno onde hoje está sua casa pode já ter ficado próximo ao Equador, em regiões tropicais, ou perto dos polos, em ambientes muito mais frios.

A plataforma foi construída a partir do chamado Modelo Paleogeográfico de Utrecht, considerado um dos mais detalhados já desenvolvidos para reconstruir a posição passada dos continentes, oceanos e placas tectônicas desaparecidas.

A precisão do sistema representa um avanço importante porque inclui pequenas placas e até “continentes perdidos”, massas de terra antigas que desapareceram sob a crosta terrestre ao longo da evolução do planeta.

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A cidade de São Paulo, por exemplo, hoje no paralelo 23º Sul há 320 milhões de anos estava na latitude 58º Sul, latitude que hoje corresponde ao Oceano Antártico e ao Sul de Ushuaia, no extremo Sul do continente.

Mapa de São Paulo no planeta

REPRODUÇÃO

Para os cientistas, conhecer a latitude antiga de uma região é essencial. Isso porque a posição em relação ao Equador influencia diretamente o clima, a incidência solar e os ecossistemas. Ao estudar fósseis, formações rochosas ou eventos climáticos extremos do passado, pesquisadores precisam saber se determinada área estava em zona tropical, temperada ou polar no momento em que aquelas rochas se formaram.

A reconstrução usa informações magnéticas preservadas nas rochas. Minerais antigos registraram a orientação do campo magnético terrestre quando se formaram, permitindo aos pesquisadores calcular em que latitude estavam. Combinando isso com a idade geológica das rochas, é possível montar mapas detalhados da movimentação continental ao longo de centenas de milhões de anos.

Além da curiosidade popular, o site tem grande importância científica. Paleontólogos poderão estudar com mais precisão como a biodiversidade evoluiu em diferentes latitudes e como espécies reagiram a mudanças climáticas severas e extinções em massa.