A MetSul Meteorologia alerta para cenário muito grave de tempo severo no Rio Grande do Sul entre o final desta terça-feira (28) e o começo da quarta (29) com potencial para tempestades severas e localmente com risco de graves danos por vento e granizo, além de chuva forte.

FABIAN RIBEIRO
Uma frente quente se formou sobre o estado ontem (28) e hoje atua de forma semi-estacionária, trazendo desde ontem chuva volumosa e tempestades com vendavais e queda de granizo que causaram danos e transtornos em dezenas de municípios gaúchos.
As condições atmosféricas tendem a se deteriorar ainda mais com a atuação de centro de baixa pressão atmosférica que vai reforçar a instabilidade e agravar ainda mais o quadro de tempo severo com potencial para mais tempestades e algumas muito intensas e destrutivas.
A chuva localmente forte e os temporais isolados prosseguem no Rio Grande do Sul na tarde desta terça, mas o cenário de risco passa a ser ainda maior a partir do fim da tarde e noite de hoje.
Dados analisados pela MetSul Meteorologia indicam a possibilidade de formação de uma linha de instabilidade (squall line) com um agrupamento de tempestades significativo que se deslocaria de Oeste para Leste no Rio Grande do Sul entre o fim do dia e o começo da quarta.
As squall lines (linhas de instabilidade) estão entre os sistemas convectivos mais perigosos porque podem produzir uma extensa faixa de tempo severo ao longo de centenas de quilômetros. Formadas por uma sequência quase contínua de tempestades, elas costumam avançar rapidamente e provocar rajadas de vento muito intensas e destrutivas, frequentemente superiores a 80 km/h e, em casos mais severos, acima de 100 km/h. Além dos vendavais, podem gerar chuva torrencial, granizo e intensa atividade elétrica, causando danos simultaneamente em diversas cidades.
Leia tambémPor que esta enchente deve ser a primeira de muitas no Sul do Brasil
Outro fator que aumenta o perigo das linhas de instabilidade é a rapidez com que se deslocam e a capacidade de se reorganizar continuamente, mantendo a intensidade por muitas horas. Mesmo sem a formação de tornados, as rajadas lineares podem derrubar árvores, postes, destelhar edificações, interromper o fornecimento de energia elétrica e provocar transtornos significativos em áreas urbanas e rurais.
É exatamente o cenário que os dados analisados pela MetSul apontam para o final desta terça e as primeiras horas da quarta com uma linha de tempestades atravessando o Rio Grande do Sul de Oeste para Leste com grande rapidez com múltiplas células de tempo severo e potencial de supercélulas capazes de gerar fenômenos isolados de vento e de granizo muito severos.
Veja a evolução da linha de tempestades com tempo severo
A sequência de mapas abaixo mostra a projeção de refletividade do modelo WRF de alta resolução WRF da MetSul Meteorologia, inicializado com o modelo europeu, para o final do dia de hoje e o começo da quarta.

METSUL
Como se observa nos mapas, com a formação do centro de baixa pressão, uma linha de tempestades começa a se organizar no Oeste gaúcho e deve avançar para Leste, estendendo-se por centenas de quilômetros, com núcleos de refletividade de 55 dBZ a 60 dBZ com marcas isoladas até maiores.
Valores entre 55 e 60 dBZ costumam indicar que a tempestade possui núcleos muito intensos, nos quais as gotas de chuva são muito grandes e/ou há pedras de granizo refletindo fortemente o sinal do radar. Esse intervalo é frequentemente observado em supercélulas de tempestade, linhas de instabilidade (squall lines) e segmentos em arco (bow echoes), sistemas capazes de produzir vendavais, granizo significativo e chuva de altíssima intensidade.
As projeções indicam que a linha de tempestades pode alcançar grande parte do Rio Grande do Sul e ainda áreas do Oeste de Santa Catarina e partes do Oeste e do Sudoeste do Paraná até o começo da quarta.
Alto risco de vendavais intensos e alguns destrutivos
A linha de tempestades vai provocar chuva localmente intensa e granizo com tamanho variado (até grande), mas a maior preocupação em termos de danos é com o potencial alto para vendavais, em diferentes pontos fortes a intensos e em alguns locais com maior potencial destrutivo.

METSUL
O mapa acima mostra a projeção de vento máximo do modelo WRF-ECMWF em que se observa como podem ocorrer vendavais com rajadas perto e acima de 100 km/h, não se afastando que em alguns pontos possam ocorrer vento com rajadas de 120 km/h a 150 km/h.
Leia tambémFrente fria vai levar chuva a oito estados com risco de temporais
Uma condição que agravará o risco de fenômenos severos de vento como microexplosões e tornados é a atuação de uma corrente de jato em baixos níveis, trazendo ar quente e que aumenta o cisalhamento (padrão divergente de vento), em particular na Metade Norte gaúcha.

METSUL
O jato de baixos níveis agrava o risco de tornados porque transporta ar muito quente e úmido próximo à superfície e intensifica o cisalhamento do vento, ou seja, a mudança da velocidade e da direção do vento com a altitude. Essa combinação fornece mais energia para as tempestades e favorece a rotação das correntes ascendentes dentro das supercélulas, aumentando significativamente a probabilidade de formação de tornados, inclusive os mais intensos.
Chuva pode ser excessiva na passagem da baixa pressão
Outra grande preocupação é o risco de chuva excessiva de curta duração entre o final desta terça e o começo da quarta, acompanhando o deslocamento da linha de instabilidade e a evolução do centro de baixa pressão atmosférica.

METSUL
Os mapas acima mostram as projeções de chuva de três em três horas do modelo alemão Icon entre o final do dia de hoje e o começo da quarta-feira em que se constata o deslocamento de um núcleo de chuva pesada do Oeste para setores ao Norte da Metade Sul, Centro, Vales, Grande Porto Alegre e áreas entre a Serra e o Litoral Norte.
Neste cenário, há risco de chuva muito forte a intensa com elevados volumes em curto intervalo em que localmente não se pode afastar precipitação de 50 mm a 100 mm em apenas três horas.
Com isso, alerta-se para o alto risco de alagamentos, inundações repentinas e ainda o transbordamento de cursos d´água menores como arroios e córregos. A chuva terá efeito nos níveis dos rios, mas não de imediato e que será percebido nos próximos dias.