Incêndio na ilha havaiana de Maui superou em vítimas o do Camp Fire (foto), da Califórnia, em 2018, e se tornou o mais fatal nos Estados Unidos em mais de um século | JOSH EDELSON/AFP/METSUL METEOROLOGIA/ARQUIVO

O número de mortos no incêndio florestal mais mortal em um século nos Estado Unidos se aproxima de cem, alimentando críticas de que uma resposta oficial inadequada contribuiu para a grande perda de vidas humanas no maior desastre natural da história do estado norte-americano do Havaí.

As autoridades atualizaram o número para 93 no final do sábado, mas alertaram que o número provavelmente aumentará à medida que as equipes de resgate com cães farejadores seguem a difícil tarefa de revistar casas e veículos queimados no epicentro da cidade de Lahaina.

A histórica cidade costeira na ilha de Maui foi quase completamente destruída pelo incêndio entre a noite de terça e a manhã de quarta-feira, com sobreviventes dizendo que não houve alertas das autoridades.

Lahaina, uma cidade de aproximadamente 12 mil habitantes no Noroeste de Mauí, foi a mais afetada. “Ficou destruída e centenas de famílias foram retiradas”, disse. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram as chamas destruindo a cidade turística, densas colunas de fumaça tingindo o céu de preto e várias embarcações da marina de Lahaina também em chamas.

Habitantes da região pularam na água “para evitar o fogo”, disse o major-general do Exército americano, Kenneth Hara, à rede Hawaii News Now. Pelo menos 12 pessoas foram resgatadas do mar pela Guarda Costeira. “Foi terrível”, disse à CNN Claire Kent, moradora de Lahaina.

Os danos em Lahaina podem atingir centenas de milhões de dólares, provavelmente tornando-o o pior desastre natural da história do estado desde que o furacão Iniki causou 6,7 bilhões de dólares em danos em 1992. A perda de dois séculos de história cívica e arquitetônica, e o impacto psíquico do incêndio nos residentes de Maui, são incalculáveis.

Nenhuma agência dos EUA mantém registros oficiais das mortes por incêndios florestais no país, mas o EM-DAT, o banco de dados internacional de desastres, tem estatísticas globais de incêndios florestais desde 1911. Usando seus dados, além de informações adicionais de outras fontes oficiais e não oficiais, o Yale Climate Connections elaborou uma lista de todos os incêndios florestais registrados nos Estados Unidos que mataram pelo menos 20 pessoas:

  1. 1200-2500 mortes, 1871 (Peshtigo Fire, Wisconsin)
  2. 453 mortes, 1918 (Cloquet Fire, Minnesota)
  3. Mais de 418 mortes, 1894 (Hinkley Fire, Minnesota)
  4. 282 mortes, 1882 (Thumb Fire, Michigan)
  5. 93 mortes, 2023 (Maui Fire, Havaí)
  6. 88 mortes, 2018 (Camp Fire, Paradise, Califórnia)
  7. 87 mortes, 1910 (Grande Incêndio de 1910, Idaho e Montana)
  8. 65 mortes, 1902 (Yacolt Burn, Oregon e Washington)
  9. 32 mortes, 2020 (August Complex Fire, Califórnia)
  10. 29 mortes, 1933 (Griffith Park Fire, Los Angeles, Califórnia)
  11. 26 mortes, 1991 (Tunnel Fire, Oakland Hills, Califórnia)
  12. 22 mortes, 2017 (Tubbs Fire, Califórnia

Meses de seca agravaram o risco de incêndio, com mais de um terço do condado de Maui experimentando pelo menos uma seca moderada desde 1º de agosto, de acordo com o Monitor de Secas dos Estados Unidos. Condições anormalmente secas se desenvolveram rapidamente em junho e persistiram, com precipitação ligeiramente abaixo do normal durante o que é uma época tipicamente seca do ano.

Os padrões meteorológicos permitiram que os incêndios se espalhassem rapidamente. Um forte sistema de alta pressão ao Norte das ilhas está mantendo as condições secas e ensolaradas, e os ventos alísios se intensificaram quando o furacão Dora, de categoria 4, passou centenas de quilômetros ao Sul.

Uma forte diferença de pressão atmosférica entre essa zona de alta pressão ao Norte e o furacão (baixa pressão) ao Sul trouxe o vento intenso, disse o Serviço Nacional de Meteorologia (NWS). O NWS publicou alertas de vento forte para partes de Maui para rajadas de até 100 km/h. O aviso foi rebaixado na manhã desta quarta-feira, quando os ventos começaram a diminuir, mas alguns locais ontem relataram ainda rajadas acima de 80 km/h, informou o Serviço Meteorológico.