Um ciclone começa a se formar em processo de ciclogênese sobre o continente entre hoje (15) e amanhã (16) a partir de um centro de baixa pressão em superfície no setor Nordeste da Argentina que entra em fase com uma baixa segregada em altitude que se desloca do Chile para o Norte argentino.

METSUL
O mapa acima mostra a projeção da MetSul Meteorologia de trajetória estimada para a baixa pressão e o consequente ciclone extratropical entre hoje e amanhã, da sua origem no Nordeste da Argentina neste meio de semana até o avanço sobre o Oceano Atlântico no próximo fim de semana.
O processo de formação do ciclone, denominado de ciclogênese, vai mexer com o tempo na Argentina, Uruguai, Paraguai e o Sul do Brasil nesta quarta e na quinta-feira com alto risco de chuva forte a intensa e temporais, alguns fortes a severos, principalmente nas províncias do Nordeste da Argentina, como Corrientes, Santa Fé, Chaco, Formosa e Entre Rios. A instabilidade pode ser particularmente forte em áreas do Norte da Santa Fé, Corrientes e no Chaco.
Nesta quarta-feira (15), o centro de baixa pressão atmosférica se aprofunda ainda mais no Nordeste da Argentina, onde traz chuva localmente forte a intensa com tempestades isoladas, e organiza uma linha de instabilidade com chuva e temporais que vai avançar pelo Paraguai.
Amanhã (16), o sistema meteorológico vai se mover para Sudeste e estará sobre o Uruguai, no Oeste do país no começo do dia e no Leste no final da quinta-feira. Com isso, a instabilidade cessa no Nordeste da Argentina e aumenta no território uruguaio e no Norte da província argentina de Buenos Aires.
Já na sexta-feira, a área de baixa pressão atmosférica vai estar sobre o Rio da Prata, nos litorais dos departamentos uruguaios de Montevidéu e Maldonado, com pressão central ao redor de 998 hPa. No final do dia, o ciclone estará sobre o Oceano Atlântico a Leste do Uruguai.
No sábado, finalmente, o ciclone extratropical estará sobre o Oceano Atlântico, a Leste do Uruguai e a Sudeste do Chuí, distanciando-se gradualmente do continente e com pressão atmosférica central ao redor de 997 hPa.
O que vai acontecer no Rio Grande do Sul
Uma massa de ar quente ainda cobre o Rio Grande do Sul durante esta quarta-feira com temperatura acima do normal desta época do ano, mas na maior parte dos municípios vai esquentar menos do que ontem por aumento de nebulosidade e chuva em parte do estado da tarde para a noite.
Esta quarta-feira (15) terá a presença do sol com nuvens em quase todo o Rio Grande do Sul, mas na maior parte das cidades a cobertura de nebulosidade aumenta em relação a ontem, efeito de uma baixa pressão que se intensifica no Nordeste da Argentina. Este sistema traz chuva hoje para pontos da Metade Oeste, principalmente da tarde para a noite. No restante do estado, o tempo segue firme até a mudança amanhã. A instabilidade evitará uma maior elevação da temperatura mais a Oeste, na área de Uruguaiana, mas o restante do estado segue quente com calor maior no Centro, Vales e a Grande Porto Alegre. O vento se intensifica na costa.
Amanhã (16), com a baixa pressão sobre o Uruguai e organizando-se como um ciclone, a tendência é de um dia de muitas nuvens no Rio Grande do Sul. Chove já na madrugada e de manhã na maior parte do estado e com chance de trovoadas em algumas cidades. Até o fim do dia, chove em todas as regiões. A chuva na maior parte dos municípios não terá altos volumes, mas em alguns pontos pode chover moderado a forte. Podem se dar algumas aberturas, sobretudo à tarde, especialmente no Oeste e no Noroeste gaúcho. Vento moderado a forte de Nordeste na costa.
Na sexta, com o ciclone na costa do Uruguai, o sol aparece com nuvens no estado, mas diversas áreas devem ter momentos de maior nebulosidade. Chove ou garoa de forma isolada em diferentes regiões gaúchas, mas de forma bastante irregular e no geral com baixos volumes. Vento moderado a forte no Litoral Sul no fim do dia.
No sábado, com o ciclone se distanciando gradualmente do continente, o sol deverá predominar no Rio Grande do Sul com poucas nuvens e chance até de céu claro em algumas regiões. Ar mais ameno ingressa e traz um dia agradável. O campo de vento do ciclone tangencia o estado com rajadas fortes de 50 km/h a 70 km/h e isoladamente superiores no Litoral Sul.
Impacto maior do ciclone será no Uruguai
O maior impacto do ciclone vai se dar no Uruguai, já castigado por um ciclone na terça-feira (7) da semana passada cujo vento intenso perto e acima de 100 km/h que derrubou muitas árvores e deixou uma vítima fatal em Maldonado.

Mapa do modelo britânico UKMET indica que os maiores volumes de chuva pela baixa pressão e o posterior ciclone devem se dar no Nordeste da Argentina e no Oeste do Uruguai | METSUL

Mapa do modelo europeu indica que o vento mais forte do ciclonre vai ocorrer no Sul e no Leste do Uruguai na sexta-feira | METSUL
O ciclone de agora, embora a previsão de vento forte, não será tão intenso quanto o da última semana, na avaliação da MetSul Meteorologia. Os efeitos serão mais sentidos, novamente, nos departamentos de Montevidéu, Canelones, Maldonado e no Sul de Rocha.
As rajadas de vento na sexta (17) devem ficar entre 50 km/h e 80 km/h no Sul e no Leste do Uruguai, mas de forma localizada podem ocorrer rajadas superiores de até 90 km/h ou mais. Não são esperados ventos tão intensos, assim, como no ciclone da semana que passou.
A baixa pressão que forma o ciclone traz chuva para o Litoral Oeste uruguaio já nesta quarta-feira (15) e para a maior parte do país amanhã (16), com risco de chuva forte em algumas áreas e não se afastando tormentas isoladas. Na sexta (17), o tempo melhora com sol e nuvens no país, mas áreas costeiras ainda podem ter chuva isolada.