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Um ciclone vai influenciar as condições do tempo no Rio Grande do Sul pela quarta vez em 60 dias entre esta quarta e a quinta-feira. O sistema se forma na região do Rio da Prata amanhã e vai rapidamente se distanciar do continente na direção Sudeste na quinta-feira.


Como se observa na trajetória do ciclone projetada pela MetSul, o caminho a ser percorrido por este sistema será muitíssimo diferente dos episódios graves de ciclone que castigaram o Rio Grande do Sul em junho e na segunda semana de julho.

O ciclone dos dias 12 e 13 de julho se formou sobre o estado e ganhou força sobre a orla, a Leste de Mostardas. Este ciclone, além de não ser tão intenso como de duas semanas atrás, vai se formar junto ao litoral do Uruguai, ou seja, centenas de quilômetros ao Sul. Não há margem de comparação!


Este sistema trará chuva e vento para o estado gaúcho, entretanto com muitíssimo menor severidade que nos três episódios anteriores que deixaram estragos e 24 mortos. Dados analisados pela MetSul não indicam cenário de maior preocupação. Isso porque não se antecipa nem chuva excessiva nem vento muito forte capaz de gerar estragos para o Rio Grande do Sul por conta deste ciclone. No geral, será uma chuva normal e vento nada distante do que costuma ocorrer no ingresso de ar mais frio.

A chuva mais volumosa ocorre na Metade Sul do estado até amanhã por conta de frente semi-estacionária que atua desde ontem, portanto 48 horas antes da formação do ciclone. Pontos isolados da faixa central, incluindo a região de Porto Alegre, podem anotar pancadas isoladas fortes e passageiras até amanhã, mas sem previsão de volumes muito altos. A frente fria associada ao ciclone que vai cruzar pelo Rio Grande do Sul amanhã não trará chuva excessiva.

O único risco que se enxerga é de algum temporal muito isolado de vento forte na Metade Norte na passagem da frente, uma vez que a atmosfera ainda está mais aquecida na região e com correntes de vento de Noroeste, e mesmo nesta situação o risco é absolutamente marginal.

Já o vento decorrente do ciclone sequer pode ser comparado ao do episódio de duas semanas atrás, quando atingiu 150 km/h em Rio Grande e nos Campos de Cima da Serra. Será fraco a ocasionalmente moderado na esmagadora maioria das cidades gaúchas. No Litoral Sul, pode ter rajadas de 50 km/h a 70 km/h. Em Porto Alegre e no Litoral Norte não se observa cenário de risco de vento intenso capaz de gerar danos ou transtornos.

O vento mais forte do ciclone, de 70 km/h a 90 km/h, tende a se concentrar na costa uruguaia, mas não em todo o litoral uruguaio. As rajadas mais fortes devem ocorrer na costa de Maldonado e em áreas mais ao Sul do litoral do departamento de Rocha.

Quando há situação grave, como de junho ou dos dias 12 e 13 de julho é preciso deixar muito claro ao público e tomadores de decisão em prognóstico o alto nível de periculosidade a fim de que as pessoas se conscientizem do perigo.

Em cenário, ao contrário, que não se esboça de alto risco – como de agora em que sequer julgamos ser caso para emissão de alerta meteorológico para o Rio Grande do Sul – é fundamental comunicar que são condições bastante distintas e de muito menor risco, sob a ameaça que as previsões caiam em descrédito e as pessoas não creiam em alertas quando houver um risco verdadeiramente elevado e real em uma futura situação de perigo.

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