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Um tornado ocorreu no fim da tarde deste sábado (20) entre os municípios de Pedro Osório e Capão do Leão, no Sul gaúcho. O fenômeno foi registrado em fotos por Rodrigo Giacomet, diretor da emissora parceira da MetSul Rádio ABC/Grupo Editorial Sinos, de Novo Hamburgo. Segundo Giacomet, que trafegava pela BR-116, o fenômeno foi rápido e foi possível ver o funil de vento levantando terra e poeira do chão, indicando que a coluna rotatória de ar tocou a superfície, configurando o tornado.



As nuvens carregadas que provocaram o tornado ainda trouxeram granizo para o Sul do Rio Grande do Sul. Áreas de instabilidade atuaram numa pequena área do Sul do Estado na região entre a cidade de Pelotas e a Serra do Sudeste. Em São Lourenço do Sul houve queda de granizo, inclusive com uma pequena acumulação em gramados da cidade. Caiu granizo também em pontos de Pelotas. Giacomet descreveu que cerca de quinze minutos antes de presenciar o tornado trafegava na BR-116 com tempo ensolarado, mas já podiam ser avistadas nuvens carregadas e de desenvolvimento vertical no horizonte. Logo depois, o jornalista encontrou as nuvens cumuliformes de grande desenvolvimento que trouxeram o granizo e o tornado.


O que aconteceu? Inicialmente, era virtualmente impossível para não dizer impossível prever que se formaria um tornado . O Rio Grande do Sul não experimentava um quadro de tempo severo. Ao contrário, na hora do evento tornádico no Sul do Estado, quase todo o território gaúcho tinha tempo aberto e ensolarado, como se vê na imagem de satélite abaixo do Serviço Nacional de Meteorologia da Argentina. O que se deu foi a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, do tipo Torres Cumulus (TCu) e Cumulunimbus (Cb) numa área bastante limitada na região de Pelotas. O radar meteorológico de Canguçu da FAB mostrava núcleos com elevados valores de refletividade na área, indicando instabilidade forte (ver abaixo).


Estas nuvens carregadas de desenvolvimento vertical foram induzidas pela circulação de área de baixa pressão nada profunda de 1008 hPa no Atlântico, junto à costa gaúcha. Havia indicativo na previsão de chuva isolada na região justamente em razão deste fator, O avanço de ar mais frio impulsionado pela baixa (análise abaixo de modelo das 12Z do dia 20/9) acabou por estimular a formação de nuvens carregadas naquela área. O gradiente de temperatura era importante. Às 16h fazia 23ºC no Aeroporto de Pelotas e 15ºC no Chuí. Mas há outro fator. A vorticidade presente na atmosfera era maior por conta da proximidade do centro de baixa pressão, fator que nos parece ter sido determinante para a gênese do tornado no Sul gaúcho.



As áreas de instabilidade que trouxeram o tornado foram responsáveis por provocar uma morte na região. Um jovem de 17 anos morreu ao ser atingido por um raio no município de Cerrito. Ele estava na praça central da cidade quando foi fulminado pela descarga. Não há relatos de estragos na área afetada pelo mau tempo. Tornados no Rio Grande do Sul não são fato recente e estão documentados ao longo de décadas. Setembro tem histórico do fenômeno, como no evento de 2008 em Tabaí.

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