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Violentos tornados atingiram os Estados Unidos no fim de semana e se repetiram ontem com impressionante destruição. O risco de tornados segue alto hoje na região. Em Oklahoma, cidades foram varridas e milhares de casas destruídas por vento de até 320 km/h. As imagens são assombrosas da devastação em Moore, cidade que já tinha sido arrasada por outro feroz tornado em 3 maio de 1999 que deixou 24 mortos. Desta vez foi pior. A destruição é maior e o número de mortos superior, passando de 90 vítimas até o momento. Grande parte da vítimas é de crianças que estavam em uma escola arrasada pela passagem do tornado. Os dois principais jornais do estado de Oklahoma estampam em suas capas desta terça (21) justamente a trágica coincidência de novamente Moore ser castigada, 14 anos depois, e desta vez com conseqüências piores.



O National Weather Service (NWS) dos Estados Unidos em sua classificação preliminar, realizada ainda ontem, indicou o tornado de Moore como um EF-4 na nova escala de Fujita com vento de até 300 km/h. Não será surpresa, porém, se o relatório final de avaliação de danos apontar que se tratou de um evento EF-5, o mais alto da escala e o que foi chamado no filme Twister (1996) de “o dedo de Deus”. Uma sequência (cluster) de supercélulas formou-se na tarde de ontem sobre o estado de Oklahoma. Nas imagens de satélite (NASA e UW), a célula mais ao Norte foi a que provocou o devastador tornado.  


As imagens de radar meteorológico (abaixo) mostraram uma clássica formação supercelular com impressionante eco em gancho (hook echo), muito típico em tempestades tornádicas. A estimativa é que o tornado que devastou a cidade de Moore, em Oklahoma, tenha tido um diâmetro impressionante entre dois e três quilômetros e que tenha ficado no solo por cerca de 40 minutos. As imagens de televisão mostram ainda deslocamento muito lento, o que contribuiu para os danos catastróficos.


A violência do tornado de Moore foi tamanha que objetos carregados pelo tornado se precipitavam na cidade de Tulsa, a quase duzentos quilômetros de distância, informou em boletim o National Weather Service dos Estados Unidos. Dados de radar (imagens abaixo em 2D e 3D) mostram que detritos carregados pelo tornado chegaram a até 10 mil pés (mais de 3 mil metro de altitude) dentro da coluna vertical de rotação. O que chamou atenção e foi um forte indicativo para os meteorologistas de iminente situação de desastre foi a assinatura de “debris ball” nas imagens de radar, uma área de alta refletividade nas imagens de radar (ver abaixo o círculo lilás) em que objetos (destroços) estão no ar por conta do tornado.  



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Os Estados Unidos têm o melhor serviço de previsão e alertas de tornados do mundo. No tornado de ontem, o chamado “tornado warning” foi dado quase 20 minutos antes mesmoa da formação do tornado a partir dos dados de radares e assinaturas tornádicas nas imagens. Radares de última geração, observadores treinados, caçadores de tempestades, abrigos, sirenes, transmissões de emergência (EAS) e uma mídia que em tornados e outros eventos de alto risco transmite por horas todos alertas. Não existisse toda esta prevenção, o saldo de vítimas seria absurdamente alto todos os anos. É a diferença entre fatalidade e prevenção. Mas com todo o sistema que nos dá inveja, mais de 500 norte-americanos morreram em tornados em 2011, quando a tecnologia não foi suficiente diante da fúria absurda da natureza. Como foi agora em Moore.  

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