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Uma verdadeira tempestade de fogo. Assim definem meteorologistas e bombeiros como dois enormes incêndios florestais ardendo neste momento no Oeste dos Estados Unidos estão criando condições atmosféricas próprias nas áreas em que estão ardendo.

Chamas do Bootleg Fire iluminam a fumaça à noite perto de Bly, estado de Oregon, em 16 de julho. O Oeste dos Estados Unidos é atingido por uma seca extrema e se prepara para mais destruição por incêndios florestais, já que os esforços para conter um grande incêndio no Oregon fracassaram e perigosas tempestades com raios secos foram previstas na Califórnia. O incêndio Bootleg perto da divisa do Oregon com a Califórnia cresceu da noite para o dia para uma área maior do que a cidade de Nova York e é de longe o maior incêndio ativo hoje nos Estados Unidos. | Payton Bruni/AFP/MetSul Meteorologia

O fogo é tão intenso e a área em chamas tão grande que os imensos incêndios florestais até são capazes de alterar as condições atmosféricas nas áreas afetadas.


O maior incêndio neste momento no Oeste norte-americano é o Bootleg Fire, no estado do Oregon, perto da divisa com a Califórnia. Este incêndio já consumiu mais de 157 mil hectares de área até o momento e a fumaça que gera está alcançando milhares de quilômetros de distância na América do Norte em razão das correntes de vento. Cerca de dois mil bombeiros combatem as chamas.

Reportagem de capa do jornal New York Times explicou ontem como o incêndio de Bootleg se transformou numa tempestade de fogo. O fogo é de tamanha intensidade que gera uma quantidade enorme de energia que ascende na atmosfera e forma nuvens do tipo Pirocumulonimbus, que alcançam altitudes de até dez a quinze mil metros de altitude. A nuvem, então, passa a provocar vento forte e raios. Por isso, a reportagem destaca que o incêndio está criando o seu próprio clima.

Fogo intenso em incêndio florestal de graves proporções gera uma nuvem do tipo Pirocumulonimbus capaz de gerar fenômenos severos como raios, vendavais e até tornado

Quando há a presença de um Cumulonimbus gerado por fogo, no caso o Pirocumulonimbus, as condições do incêndio se agravam muito porque sob a base da nuvem, onde ocorre o incêndio, os ventos acabam sendo muito fortes a ponto de ser possível a formação de tornados de fogo.

Ademais, a nuvens produz raios secos, ou seja, descargas desacompanhadas de chuva, como numa nuvem vulcânica. Estas condições extremas acabam dificultando ainda mais os esforços dos bombeiros e tornado o cenário extremamente perigoso na área em que ocorrem as chamas.

“Quando eu primeiro ouvi o termo tempestade de fogo pensei que era um exagero, mas de jeito nenhum é uma hipérbole. São tempestades geradas e alimentadas por calor e levou algum tempo para que eu compreendesse isso”, escreveu o meteorologista Dakota Smith da Universidade do Colorado em suas redes sociais.

Outro grande incêndio é registrado neste momento no Oeste dos Estados Unidos e da mesma forma criou o seu próprio clima com a formação de uma grande nuvem do tipo Pirocumulonimbus.

O crescimento do fogo foi muito rápido do Dixie Fire em meio à seca excepcional que atinge a Califórnia, o que determinou igualmente o surgimento de uma nuvem imensa associada ao fogo.

O incêndio Dixie Fire ocorre num local muito próximo do ponto em que ocorreu no ano passado o chamado Camp Fire, considerado o pior incêndio florestal da história do estado da Califórnia e dos Estados Unidos.

Imagem de satélite mostra a dimensão do Dixie Fire | NASA

Assim como o fogo de Bootleg no Oregon, o incêndio Dixie na Califórnia está gerando as suas próprias condições meteorológicas. Dezenas de descargas atmosféricas foram registradas na área onde ocorrem as chamas.

Nuvem Pirocumulonimbus formada pelo Dixie Fire na Califórnia | Calfire/Divulgação

“Com esse tamanho, o incêndio acaba gerando seus próprios raios, granizo e tornados, tudo que uma tempestade comum pode provocar”, disse um meteorologista do Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) dos Estados Unidos.


São oitenta incêndios ativos no Oeste dos Estados Unidos que enfrenta um ciclo de calor extremo e seca severa a excepcional que favorece incêndios.

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O número de incêndio e a área queimada até agora neste ano na Califórnia está muito acima que na mesma data do ano passado que teve recorde de incêndios no estado do Oeste norte-americano. No Canadá são 86 incêndios considerados hoje fora de controle.

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