Uma supercélula de tempestade causou o tornado que atingiu o município de Senador Salgado Filho no final da tarde desta terça-feira (28), sob uma condição de instabilidade enorme na região.

Supercélula de tempestade com tornado no Noroeste gaúcho

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O fenômeno foi registrado por moradores por volta das 18h, que filmaram o funil e os momentos de sua passagem pela cidade. As imagens gravadas e fotos mostram a circulação intensa do tornado enquanto avançava sobre áreas do município.]

Um dos registros visuais mostra claramente a presença de uma supercélula de tempestade com a base rebaixada e a curvatura da massa de nuvens de uma nuvem-parede (wall cloud) associada ao mesociclone da supercélula com o tornado sob a célula.

De acordo com a Defesa Civil Municipal, diversas casas tiveram os telhados arrancados ou parcialmente destruídos pela força do vento. Apesar dos estragos materiais, não havia, até o momento, informações sobre feridos.

Equipes da Defesa Civil realizaram o atendimento às famílias afetadas e iniciaram o levantamento dos prejuízos. Lonas estão sendo distribuídas para proteger as residências destelhadas e minimizar os danos provocados pela chuva.

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Entenda o que é supercélula de tempestade

A supercélula é o tipo mais organizado e intenso de tempestade, caracterizada pela presença de uma corrente ascendente em rotação, conhecida como mesociclone. Diferentemente das tempestades comuns, que costumam ter ciclo de vida curto, uma supercélula pode persistir por várias horas, deslocando-se por grandes distâncias enquanto produz fenômenos severos. Esse tipo de tempestade é capaz de gerar chuva torrencial, granizo de grande tamanho, intensa atividade elétrica e rajadas destrutivas de vento.

A formação de uma supercélula depende de uma combinação de atmosfera muito instável, grande disponibilidade de umidade e forte cisalhamento do vento, que é a mudança da velocidade e da direção dos ventos com a altitude. Esse cisalhamento faz com que a corrente ascendente adquira rotação, permitindo que a tempestade mantenha sua estrutura organizada e se intensifique. Por essa razão, as supercélulas são consideradas as tempestades com maior potencial para produzir fenômenos extremos.

Os tornados estão frequentemente associados às supercélulas porque a rotação do mesociclone pode se concentrar e se estender até o solo, formando um funil giratório. Embora nem toda supercélula produza um tornado, a grande maioria dos tornados mais intensos e destrutivos do mundo se origina desse tipo de tempestade. Quando uma supercélula se desenvolve em um ambiente muito favorável, com forte instabilidade e intenso cisalhamento do vento, o risco de formação de tornados aumenta de forma significativa.

Jato de baixos níveis atuava sobre o Noroeste | METSUL

Em boletim no fim da manhã, a MetSul havia alertado que “jato de baixos níveis agrava o risco de tornados porque transporta ar muito quente e úmido próximo à superfície e intensifica o cisalhamento do vento, ou seja, a mudança da velocidade e da direção do vento com a altitude. Essa combinação fornece mais energia para as tempestades e favorece a rotação das correntes ascendentes dentro das supercélulas, aumentando significativamente a probabilidade de formação de tornados, inclusive os mais intensos”.

As condições eram muito propícias para tornados no Noroeste com o jato de baixos níveis aumentando a divergência de vento (cisalhamento), a atmosfera quente e úmida com até 33ºC de máxima na região, e ainda o ambiente extremamente instável no Noroeste gaúcho.

O que é um tornado

Os tornados são fenômenos meteorológicos extremos e destrutivos caracterizados por colunas de ar em rotação intensa que se estendem da base de uma tempestade para a superfície da Terra.

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Esses redemoinhos violentos são conhecidos por sua capacidade devastadora, capaz de causar grande destruição em segundos a minutos. A escala Fujita, frequentemente usada para classificar a intensidade de tornados, varia de F0 a F5, sendo F5 o mais poderoso.

Os tornados geralmente se formam em áreas onde massas de ar quente e úmido encontram massas de ar frio e seco, criando condições ideais para o desenvolvimento desses vórtices.

Tornados ocorrem em muitas partes do mundo, incluindo Austrália, Europa, África, Ásia e América do Sul. Até a Nova Zelândia relata cerca de 20 tornados por ano. Duas das maiores concentrações de tornados fora dos Estados Unidos são nas latitudes médias da América do Sul e em Bangladesh.

Cerca de 1.200 tornados atingem os Estados Unidos anualmente. Como os registros oficiais de tornados datam apenas de 1950, não se sabe o número médio real de tornados que ocorrem a cada ano. Além disso, os métodos de detecção e relato de tornados mudaram muito nas últimas décadas, o que significa que a estatística hoje considera tornados que no passado não entrariam na contabilidade. O Brasil não possui um banco de dados robusto sobre estas ocorrências no país ao longo da história e projetos de verificação e contabilidade de eventos são incipientes.