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A ocorrência de tornados e nuvens funis chamou muita a atenção neste começo de 2026 no Sul do Brasil após o registro de ao menos três episódios de tornados em poucos dias, atingindo municípios do Paraná e de Santa Catarina.

Tornado em Santa Catarina

Tornado no Norte de Santa Catarina na segunda-feira | ADRIANA MOISSA

O caso de maior impacto ocorreu em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde tornado atingiu áreas residenciais na tarde de sábado (10). O fenômeno provocou danos significativos, especialmente no bairro Guatupê.

A passagem do tornado ganhou repercussão após moradores registrarem em vídeo o fenômeno durante a tempestade. As imagens mostram objetos sendo arremessados pelo vento e estruturas sendo arrancadas em poucos segundos.

No Guatupê, os ventos intensos destelharam casas, arrancaram coberturas metálicas, derrubaram árvores e causaram danos em vias públicas e na rede de distribuição de energia elétrica.

Segundo a Defesa Civil, cerca de 350 residências foram atingidas, afetando aproximadamente 1,4 mil moradores. Sete pessoas precisaram ser encaminhadas para abrigos e outras 11 ficaram desalojadas, acolhidas por familiares. Quatro moradores sofreram ferimentos leves.

Além do Paraná, Santa Catarina também registrou ocorrências tornádica nos últimos dias. Na manhã de sábado (10), moradores e visitantes de São Francisco do Sul, no Norte catarinense, presenciaram a formação de uma tromba d´água (tornado sobre água).

O fenômeno ocorreu durante um período de chuva forte na localidades catarinense e foi observado próximo a uma embarcação, sem registro de danos.

Já na segunda-feira (12), outro tornado foi registrado no Planalto Norte de Santa Catarina, nas proximidades de Irineópolis e Canoinhas. O fenômeno ocorreu na região de Rio Preto, distrito de Felipe Schmidt, e também foi registrado em vídeos feitos por moradores, sem relatos de danos.

Além das formações tornádica, houve vários avistamentos de nuvens do tipo funil (cuja rotação não atinge o solo e não caracteriza um tornado) com imagens de formações no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná.

Por que tantas formações tornádica?

O número de formações tornádicas nos últimos dias foi expressivo no Sul do Brasil, acima do que costuma se ver em janeiro, e o principal fator contribuinte foi um ciclone que se formou no sábado no Uruguai com vento perto de 100 km/h.

O ciclone no Uruguai trouxe maior instabilidade para o Sul do Brasil e, especialmente maior vorticidade, o que favoreceu estas formações de células de tempestade com rotação que deram origem aos tornados no fim de semana.

É importante contextualizar que atualmente há uma maior atenção do público ao tempo e acesso mais fácil aos equipamentos que registram imagens, notoriamente os celulares, que propiciam registros de fenômenos que anos atrás sequer seriam mencionados. Além disso, há um grande número de pessoas na costa pela temporada de veraneio, o que da mesma forma contribui para registros de trombas sobre o mar que poderiam passar sem gravações na temporada de inverno.

O que é um tornado

Os tornados são fenômenos meteorológicos extremos e destrutivos caracterizados por colunas de ar em rotação intensa que se estendem da base de uma tempestade para a superfície da Terra.

Esses redemoinhos violentos são conhecidos por sua capacidade devastadora, capaz de causar grande destruição em segundos a minutos. A escala Fujita, frequentemente usada para classificar a intensidade de tornados, varia de F0 a F5, sendo F5 o mais poderoso.

Infográfico de tornados

Os tornados geralmente se formam em áreas onde massas de ar quente e úmido encontram massas de ar frio e seco, criando condições ideais para o desenvolvimento desses vórtices.

Tornados ocorrem em muitas partes do mundo, incluindo Austrália, Europa, África, Ásia e América do Sul. Até a Nova Zelândia relata cerca de 20 tornados por ano. Duas das maiores concentrações de tornados fora dos Estados Unidos são nas latitudes médias da América do Sul e em Bangladesh.

Cerca de 1.200 tornados atingem os Estados Unidos anualmente. Como os registros oficiais de tornados datam apenas de 1950, não se sabe o número médio real de tornados que ocorrem a cada ano. Além disso, os métodos de detecção e relato de tornados mudaram muito nas últimas décadas, o que significa que a estatística hoje considera tornados que no passado não entrariam na contabilidade. O Brasil não possui um banco de dados robusto sobre estas ocorrências no país ao longo da história e projetos de verificação e contabilidade de eventos são incipientes.

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