Imagens do satélite Terra da agência espacial norte-americana NASA da manhã deste sábado mostraram muita fumaça de queimadas sobre o Rio Grande do Sul. As imagens indicaram um corredor de fumaça escoando pelo interior do continente do Sul da região amazônica até o Uruguai e os territórios gaúcho e catarinense. Moradores de diversos municípios do Rio Grande do Sul descrevem nas redes sociais o céu azul com tom mais acinzentado.

Devido à presença de nuvens que podem ser confundidas com fumaça em um olhar não treinado para análise de imagens, a MetSul se valeu dos dados do sensor óptico de aerossóis em que fica evidente o escoamento de fumaça da Amazônia e da região do Pantanal até o Rio Grande do Sul neste sábado.


Em uma imagem aproximada do Rio Grande do Sul se observa que há alta densidade de fumaça na atmosfera em maior altitude. Na imagem, as nuvens (em branco) obscurecem a visualização da fumaça (em tons de vermelho e marrom) que é mais densa principalmente nas áreas do Oeste, do Sul e do Leste do Rio Grande do Sul.


A fumaça é trazida pelo vento Norte a partir das queimadas que ocorrem em grande número no Norte da Argentina, no Paraguai, e nas regiões do Pantanal e da Amazônia. Uma corrente de jato em baixos níveis da atmosfera, a cerca de 1.500 metros de altitude, traz ar quente para o Estado e junto muita fumaça que é especialmente perceptível ao nascer e no pôr do sol. 

Projeção de dispersão da fumaça do modelo de aerossóis do Sistema Copernicus foi integralmente confirmada pelas imagens de satélite da manhã de hoje

As queimadas na Amazônia vão terminar agosto acima da média histórica mensal. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que até o dia 27 foram registrados no bioma Amazônia 25.485 focos de calor. Como faltam quatro dias de dados ainda para o mês se encerrar e a média histórica de agosto é de 26.082 focos de calor, o número de queimadas neste mês inevitavelmente vai superar a média.

O quadro é especialmente grave no estado do Amazonas. O número de queimadas neste mês é o maior já registrado em toda a série histórica para agosto e qualquer mês do ano desde o começo das medições. Até o dia 27, o Amazonas tinha 7.460 focos de calor. O recorde para agosto e qualquer mês era de 6.668 focos em agosto de 2019.