São Paulo ingressa em período de instabilidade com risco de chuva localmente forte e de temporais de verão da tarde para a noite todos os dias ao menos até metade da próxima semana, alerta a MetSul Meteorologia.

Chuva forte e temporais serão frequentes na cidade de São Paulo nestes últimos dias de janeiro e no começo de fevereiro | FOTORUA/NURPHOTO/AFP/METSUL
qNa tarde de hoje (27), temporal com chuva forte a intensa atingiu a capital paulista e provocou alagamentos, quedas de árvores e transtornos no trânsito. Vias importantes, como a Avenida 23 de Maio e a Rua da Consolação, chegaram a ser bloqueadas temporariamente.
O Corpo de Bombeiros registrou 33 ocorrências de quedas de árvores, além de chamados para desabamento e enchentes na capital e na região metropolitana. Com os ventos e a chuva, mais de 80 mil imóveis ficaram sem energia elétrica na Grande São Paulo. A Enel informou que equipes seguem mobilizadas para restabelecer o serviço.
O trânsito chegou a 539 quilômetros de lentidão no pico da chuva. O temporal também afetou Guarulhos e causou desvios de voos no Aeroporto Internacional de São Paulo.
Até o fim da tarde desta terça-feira, os maiores volumes de chuva foram registrados pela rede telemétrica do Alto Tietê, com destaque para o Rio Pinheiros, na Ponte João Dias, onde o acumulado chegou a 53,2 mm. Outros pontos com elevados índices foram o Córrego Tatuapé, com 41,6 mm, e o Rio Tamanduateí, na região do Mercado Municipal, com 41,4 mm. Também chamaram atenção os acumulados no Córrego Ipiranga, na Rua Coronel Diogo, com 39,4 mm, e no Rio Tietê, no Belenzinho, onde choveu 31,6 mm.
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Já as estações meteorológicas automáticas do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura de São Paulo indicaram os maiores volumes na Zona Sul da capital. O maior registro ocorreu em M’Boi Mirim, na Barragem de Guarapiranga, com 55,8 mm.
No Centro, a estação da Sé marcou 36,0 mm, enquanto Vila Maria/Vila Guilherme, na Vila Medeiros, teve 32,4 mm. Na Zona Leste, Mooca-Belém acumulou 31,6 mm, e em Santana, na região do Carandiru, o total chegou a 29,4 mm.
Chuva e temporais frequentes em São Paulo
A MetSul Meteorologia alerta que ocorrências como de hoje serão rotineiras na cidade de São Paulo neste fim de janeiro e no começo de fevereiro com a capital paulista ingressando em um longo período de instabilidade.
Os dados analisados pela MetSul indicam que há condições favoráveis à chuva forte e temporais de verão todos os dias na cidade de São Paulo e na Grande São Paulo ao menos até metade da próxima semana, podendo se prolongar o período de instabilidade frequente.
Estes episódios devem trazer mais uma vez alagamentos, inundações repentinas, risco de deslizamentos de terra e de desabamentos. Em alguns dias, podem vir com alta incidência de raios, vento forte e granizo isolado.
A chuva será consequência de convecção que é o processo pelo qual o ar quente sobe na atmosfera. Em dias quentes, o solo aquece intensamente e transfere calor para o ar logo acima, que se torna mais leve e começa a subir.
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À medida que esse ar quente sobe, ele se expande e esfria, fazendo com que o vapor d’água nele contido se condense e forme nuvens. Quando a convecção é intensa, o movimento vertical do ar pode gerar nuvens muito altas com chuva forte e temporais.
Por essa razão, em consequência do aquecimento diurno, os episódios de chuva forte a intensa com temporais devem ocorrer principalmente em horas da tarde para a noite, especialmente entre 14h e 18h.
Chuva é essencial para os reservatórios
Se a chuva traz transtornos, é por outro lado essencial para o abastecimento de água. Os níveis dos reservatórios na Grande São Paulo estão baixos e o que chove nesta época do ano é crucial para evitar uma crise hídrica extrema no inverno.
O Sistema Cantareira iniciou 2026 dependente da transferência de água entre bacias para manter o abastecimento da Grande São Paulo. As chuvas na bacia do sistema são insuficientes para suprir a demanda, já que a captação natural ficaria abaixo do volume necessário para o consumo.
O déficit diário é compensado pela transposição de águas da Bacia do Rio Paraíba do Sul, essencial também para o abastecimento do estado do Rio de Janeiro. O volume útil do Cantareira hoje estava em 21,63%, uma recuperação modesta da mínima de 19,3% no dia 13.