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Pancadas isoladas de chuva provocadas pela combinação de calor e umidade como de ontem no Estado, e que se repetem hoje em várias regiões do Rio Grande do Sul, são muito típicas dos meses quentes do ano. Não ocorrem nos meses frios, quando sim sistemas de escala sinótica (frente fria, frente quente e centros de baixa pressão) são responsáveis por trazer precipitação. Estes primeiros eventos de chuva gerados por calor e umidade de agora marcam o ingresso do Estado no regime de precipitação de verão e que vai até março e, ocasionalmente, meados de abril. Frentes frias e centros de baixa pressão ainda provocam chuva neste período quente do ano, mas soma-se aos sistemas sinóticos ainda o fator do calor e da umidade.



Imagem de satélite da tarde de ontem mostra formações localizadas que trouxeram chuva de verão na Serra Gaúcha

A combinação de calor e umidade com ar tropical estimula a formação de nuvens carregadas, de desenvolvimento vertical, e que costumam surgir rapidamente em horas da tarde e do começo da noite. Faz sol de manhã, cai uma pancada ou temporal no fim de tarde, e o tempo melhora rapidamente à noite para no outro dia se repetir o ciclo. As pancadas tendem a ser isoladas e passageiras, o que torna a chuva no verão irregular. Numa grande cidade, chove em alguns bairros e nada cai de água em outros. Numa grande propriedade rural, a chuva atinge apenas uma parte da área e outra fica sem nenhuma gota.


Rápida formação de uma nuvem de tempestade em tarde de verão em Porto Alegre em 14/2/2013 – Cristiano Aita Noro

Por isso, estes dias de chuva localizada de verão são um tormento para o meteorologista e costuma gerar cobranças do público. Na previsão que é publicada indica-se no ícone para uma cidade “sol e chuva”. Que mora numa parte da cidade que teve chuva dirá que a previsão foi certeira, mas quem não viu chuva cobrará o suposto (e inexistente) erro. Como é difícil precisar onde exatamente cairão estas pancadas, nos dias que a chance de elas ocorrerem não serem altas numa cidade, nossa opção é sempre manter o ícone de sol e nuvens, mas com a ressalva no texto que acompanha a previsão que não se pode afastar a possibilidade de chuva de verão isolada. Já quando a chance for identificada como alta (elevadas taxas de instabilidade, calor intenso, umidade muito alta e pressão baixa) a opção nossa passa a ser indicar no ícone “sol e chuva”.



Pancadas de chuva de verão não raro chegam com temporais fortes à tarde – Walter Matos/Ponche Verde/Arquivo MetSul

O grande risco destas pancadas de chuva típicas de verão são os temporais. Como muitas vezes elas são de forte intensidade e com altos volumes em curtos períodos, elas causam transtornos em grandes cidades em que o sistema de macrodrenagem mostra-se incapaz de absorver tamanha quantidade de água em tão pouco. É o que faz cenas de alagamentos serem recorrentes no verão, sobretudo em grandes cidades localizadas na zona tropical. Já que associadas a nuvem carregadas, não raro estas pancadas são ainda acompanhadas de vento forte e granizo, inclusive com danos localizados. Nos casos mais extremos, mesmo tornados (trombas d’água) podem ocorrer.

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